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Negócios

09/09/2016

Aumento da obesidade entre os brasileiros impulsiona mercado de moda plus size

Com faturamento de R$ 5 bilhões por ano, segmento tem pouca concorrência e muitos clientes insatisfeitos, criando oportunidades para quem decide investir no ramo

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Aumento da obesidade entre os brasileiros impulsiona mercado de moda plus size

"Procuramos ter produtos com especificidades funcionais que resolvem necessidades de mulheres plus size", diz a sócia da loja online, Cynthia Horowicz (foto)
(Crédito: Débora Klempous)

Mais da metade da população brasileira está acima do peso e, desse grupo, 17,9% das pessoas são obesas, segundo o Ministério da Saúde. São consumidores que demandam roupas de tamanhos grandes e aquecem um nicho em expansão: o de moda plus size. A procura por roupa extragrande é crescente e existem poucas empresas que atuam nesse mercado, criando uma oportunidade de negócio que não passou despercebida pela empresária Cynthia Horowicz, sócia da loja online. Ela destaca que muitas marcas ainda preferem associar sua imagem a mulheres com padrões mais convencionais e que a indústria não investe nos tamanhos maiores pelos riscos e custos, que podem significar o dobro por cada modelo de roupa.

Criada em 2013, a Flaminga, que tem outros três sócios além de Cynthia, é um e-commerce que atua em um mercado que movimenta, anualmente, cerca de R$ 5 bilhões. Hoje, ainda de acordo com dados do Ministério da Saúde, 49% das mulheres brasileiras têm sobrepeso ou obesidade, e a estimativa é de que em 2020 esse número alcance 60%.

Em uma pesquisa quantitativa que a Flaminga realizou com mais de 1,4 mil mulheres que vestem acima do tamanho 46, mais de 50% das entrevistadas declararam ter dificuldades no momento de comprar roupas. O estudo mostra que vergonha, estresse, desprazer, desrespeito por parte de vendedoras e problemas para experimentar nas lojas são situações que fazem parte das experiências de consumo dessas mulheres.

“Em geral, quando se fala em comprar roupas, o público feminino costuma considerar o ato como uma terapia, que envolve prazer, beleza, autoestima e vários sentimentos positivos de indulgência e recompensa. No caso de mulheres grandes, infelizmente isso ainda não acontece”, relata Cynthia.

Segundo ela, ainda há bastante preconceito e desrespeito, mas esse cenário vem mudando, porque, além de a moda estar mais acessível, a mídia e outros formadores de opinião têm ajudado na quebra do padrão de beleza, retratando muitas mulheres acima do peso bem resolvidas e com autoestima elevada.

Estratégia para conquistar e fidelizar
A loja vende mais de 50 marcas diferentes. O mix de produtos reúne “um pouco de tudo” para mulheres plus size que vestem tamanhos P, M e G: biquínis, lingeries (não só as básicas), shorts, jeans, minissaias, entre outros. “Buscamos diversidade de estilo e de faixas de preço. Procuramos ter alguns produtos com especificidades funcionais que resolvem necessidades de mulheres plus size, mas que também são problemas de mulheres magras, como disfarçar barriga, segurar seios grandes e assim por diante”, conta a empresária.

Prestar um serviço diferenciado também é fundamental. Na Flaminga, a atenção a alguns pontos é constante, como minimizar as barreiras sobre compras virtuais, esclarecer sobre troca e devolução, além de oferecer conteúdo de informação de moda no site, blog e redes sociais. A loja possui ainda vários canais de atendimento e relacionamento para ouvir opiniões e dúvidas, visando aprimorar a oferta.

Dificuldades
Cynthia comenta que o segmento ainda tem baixa oferta de marcas novas. Existe também uma questão financeira e comercial: investir no plus size significa apostar em uma grade muito maior de produtos e ter o dobro ou mais de tamanhos e custos para cada modelo, aumentando, também, os riscos de não acertar no mix de tamanhos, o que pode acarretar em sobra de estoque.

Outro problema é a falta de padronização de tamanhos. Há peças 46 a 64/G, GG, extra G, extra GG, XXG/G1, G2, G3, G4, G5, entre várias outras nomenclaturas. “Existem vários movimentos do setor tentando criar um padrão de medidas brasileiro. No caso do plus size, isso é ainda mais complicado, porque é preciso considerar diferentes biotipos e modelagens com graduações de ampliação distintas”, alega.

Confira aqui a entrevista completa publicada na Revista C&S. 

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