Sindicatos
20/05/2026Beleza Patronal ressalta risco de fragmentação do setor e defende manutenção da estética nos salões
Com apoio da FecomercioSP, Sindicato afirma que medida amplia insegurança no setor e ameaça pequenos negócios integrados
O Beleza Patronal, com apoio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), manifesta preocupação com discussões que defendem a retirada dos serviços de estética das estruturas tradicionais dos salões de beleza. Segundo o Sindicato, a medida ameaça um modelo multidisciplinar consolidado há décadas e pode gerar impactos econômicos, trabalhistas e regulatórios em todo o País.
A discussão ganhou força após posicionamentos ligados à deputada federal Geovânia de Sá (Republicanos/SC), apontada por representantes do setor como apoiadora da proposta. Segundo o Beleza Patronal, a medida provocou forte reação entre profissionais e empresários que defendem a permanência da estética dentro dos salões de beleza.
O Sindicato afirma que representantes do Movimento Nacional de Beleza e Estética, representado por FecomercioSP, Beleza Patronal, Sindicato Nacional Pró-Beleza e Associação Brasileira de Serviços de Beleza (ABSB), tentam formalizar uma agenda com a parlamentar desde 22 de outubro de 2025. Mesmo após sucessivos contatos e tentativas de aproximação, segundo as lideranças do movimento, não houve retorno do gabinete.
Na avaliação do setor, a falta de diálogo amplia a preocupação dos empresários diante da possibilidade de avanço de propostas que possam restringir a atuação integrada entre estética e salões de beleza. Representantes do movimento afirmam ainda que a deputada estaria priorizando exclusivamente pautas defendidas por uma associação de esteticistas e cosmetólogos do Rio de Janeiro, descrita no documento como uma entidade sem sede ou endereço físico.
Integração histórica do setor
O Beleza Patronal ressalta que a estética no Brasil surgiu historicamente dentro dos próprios salões de beleza e que essa integração também aparece formalmente na classificação oficial das atividades econômicas do País. Segundo o Sindicato, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) enquadra os serviços de estética na mesma categoria dos salões de cabeleireiro, sob o código 96.02-5.
Outro ponto destacado pelo setor envolve as qualificações técnica e acadêmica dos profissionais da beleza. O Sindicato rebate afirmações de que o segmento não tem base científica e sustenta que muitos cabeleireiros, barbeiros, maquiadores e profissionais da área são graduados e pós-graduados em cursos como Visagismo e Imagem Pessoal, Cosmetologia e Estética Capilar, oferecidos por universidades e instituições tradicionais há décadas. Para o Beleza Patronal, desconsiderar essa estrutura profissional significa ignorar a evolução técnica do setor e a formação especializada construída ao longo dos anos.
Impactos econômicos e sociais
Segundo o Sindicato, a proposta pode atingir diretamente pequenos negócios que operem em modelo integrado, especialmente em Estados com forte presença do segmento de beleza. O documento cita Santa Catarina como exemplo de mercado consolidado, com milhares de CNPJs funcionando de forma integrada.
Na avaliação do movimento, retirar a estética desses espaços pode comprometer a viabilidade financeira de pequenos negócios e afetar, principalmente, mulheres empreendedoras e trabalhadoras do setor, que representam a maior parte da força de trabalho da atividade de beleza e bem-estar.
O Beleza Patronal afirma que a preocupação não se limita ao reflexo econômico, mas também ao risco de fragmentação de um segmento que historicamente opera de maneira multidisciplinar.
Declarações em evento na Bahia geram reação
Outro episódio que ampliou a repercussão do debate foi a divulgação de vídeos gravados durante um evento realizado na Associação Comercial da Bahia (ACB), em Salvador. Na ocasião, uma professora de Estética questionou publicamente as qualificações técnica e intelectual de profissionais de salão para atuar no segmento estético.
Segundo o documento apresentado pelo setor, a fala gerou indignação entre empresários e profissionais da beleza. “Discute-se que cabeleireiro, manicure, barbeiro possam ser considerados profissionais da beleza, esteticistas. Só que há um grande detalhe: ao se sentar à mesa com esses profissionais para atender e lecionar a respeito da pele, de algumas propriedades, eles não têm conhecimento. E, mais do que isso, existem pré-requisitos para se estar em alguns ambientes, e esses precisam ser respeitados”, afirmou a professora.
O Beleza Patronal afirma que a fala foi recebida com repúdio por representantes do setor, que interpretaram o posicionamento como uma tentativa de criar reservas de mercado e desqualificar profissionais da beleza.
“Dizer que um profissional que domine a complexa química capilar e a fisiologia não tem capacidade ou pré-requisitos para atuar na estética é um erro técnico crasso e um desrespeito humano”, declarou o Sindicato.
Mobilização em Brasília
Ainda segundo o Beleza Patronal, o setor continuará mobilizado em Brasília para sensibilizar parlamentares e defender a manutenção da estética como atividade integrada aos salões de beleza em todo o Brasil.
Para o Sindicato, qualquer debate regulatório precisa considerar a realidade operacional das empresas, a trajetória histórica do setor, a formação técnica dos profissionais e os impactos econômicos e sociais de eventuais mudanças sobre milhares de pequenos negócios brasileiros.