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Negócios

27/10/2016

Cidades e estados precisam investir em políticas internacionais para se posicionar como players globais

Em reunião na FecomercioSP, especialista expôs fatores mundiais que apontam essa direção

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Cidades e estados precisam investir em políticas internacionais para se posicionar como players globais

A reunião contou também com a presença do consultor da Fecomercio Internacional, Patrício do Prado, que trouxe os principais pontos discutidos na 8ª reunião dos BRICS
(Rubens Chiri/Agência TUTU)

Existe uma forte tendência internacional de transformação de cidades e estados em players globais sustentáveis e competitivos. Esse fenômeno é resultante, principalmente, de três fatos: a urbanização (54% da população mundial vive em cidades); a descentralização da administração pública com os níveis subnacionais tendo cada vez mais responsabilidades além de a população estar cada vez mais ávida para participar diretamente das decisões governamentais; e muitos estados serem grandes economias globais (Se o estado americano da Califórnia fosse um país, por exemplo, ele seria a oitava maior economia do mundo e o Estado de São Paulo seria a 30ª colocada).

“Ou seja, algumas cidades e estados são mais importantes economicamente do que muitos países e precisam investir nas relações diretas com nações e empresas para aproveitar as oportunidades de negócios”, aponta o doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Gotemburgo (Suécia) e autor do livro “Paradiplomacy – Cities and States as Global Players”, Rodrigo Tavares. 

O especialista participou de encontro do Conselho de Comércio Externo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) realizado na terça-feira (25), mediado pelo presidente do colegiado, Euclides Carli.

Esse protagonismo já é uma realidade e existem especialistas em relações internacionais atuando em estados e prefeituras com o objetivo de avaliar novas oportunidades de negócios e prospectar investimentos no exterior. Atualmente, é comum que Presidentes e líderes de diversos países negociem pessoalmente com prefeitos e governadores acordos de cooperação internacional, por exemplo, na área de mobilidade urbana, saneamento, meio ambiente, etc.

Entre os exemplos citados por Tavares, estão o acordo firmado entre a França e o Estado de São Paulo em 2012, com a presença do presidente francês, François Hollande, e em 2016 da nação francesa com a prefeitura da capital paulista. Além de acordos, cidades e estados assumem destaque internacional sendo palcos de importantes eventos de negócios, esportivos (como as Olimpíadas) e turismo.

8ª reunião dos Brics

A reunião contou também com a presença do consultor da Fecomercio Internacional, Patrício do Prado, que trouxe os principais pontos discutidos na 8ª reunião dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na Índia, em 15 e 16 de outubro. Segundo Prado, a postura do governo brasileiro durante o evento, após o período de impeachment, foi positiva à diplomacia e ao comércio exterior.

"O Presidente Michel Temer demonstrou que a Constituição foi respeitada e isso é bom para a imagem do País”, afirmou. 

Durante a conferência, também foi divulgado o primeiro grande empréstimo do Banco de Desenvolvimento dos BRICS – fundado em 2014 e que começou a operar em 2016, com capital de US$ 100 bilhões, para apoiar que prevê US$ 2,5 bilhões em empréstimos até 2017 para o Brasil, sendo que cerca de US$ 1 bilhão serão investidos na construção de três usinas eólicas e o restante ainda não foi definido.

Apesar do Brasil ainda sofrer com inúmeros entraves e barreiras ao comércio internacional , Prado acredita que as recentes sinalizações de abertura de mercado entre os BRICS criam boas perspectivas.

O fato desses cinco países abrigarem cerca de 42% da população mundial e com um PIB de US$ 16,1 trilhões equivalente ao da União Europeia (UE), confirmam a relevância do grupo. Os BRICS se tornaram em 2014 o principal mercado para as exportações brasileiras superando pela primeira vez a EU. Entre 2006 e 2015, as exportações brasileiras para os BRICS cresceram mais de 200%, as importações quase 250% e a corrente comercial cresceu cerca de 220% atingindo pouco mais de US$ 80 bilhões em 2015.