Economia

24/06/2019

Comerciante deve evitar o repasse de aumento de preços ao cliente nesse momento

Recomendação da FecomercioSP leva em consideração que a proporção de lares paulistanos endividados e a taxa de inadimplência subiram em maio

Comerciante deve evitar o repasse de aumento de preços ao cliente nesse momento

Uma forma de equilibrar as contas está no empenho da negociação com os fornecedores
(Arte: TUTU)

O comerciante deve evitar o repasse de aumento de preços ao cliente no final do primeiro semestre de 2019, já que o consumidor não tem mostrado disposição para as compras. Isso porque a proporção de lares paulistanos endividados atingiu 56,5% em maio, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Esse é o maior valor desde novembro de 2017 (56,7%).

A medida de não repassar os preços é válida ainda que seja necessário reduzir a margem de lucro, pois a taxa de inadimplência chegou a 20,5% em maio. Isso significa que 804,3 mil famílias não pagaram a dívida até a data do vencimento, um crescimento de 53 mil em um ano.

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Em compensação, o empresário pode procurar o equilíbrio das contas por meio da negociação com os fornecedores. É importante também reduzir a aquisição de mercadorias diante da queda de expectativa do consumo. A dica para os comerciantes com estoques altos é realizar promoções para equilibrar a quantidade de mercadorias armazenadas.

Variar nas opções de pagamentos ofertadas nos estabelecimentos também ajuda a manter o fluxo de caixa e fazer o estoque girar. A Entidade sugere que é possível oferecer desconto no pagamento à vista para os clientes que ganham mais de dez salários mínimos.

Os que estão abaixo dessa média podem ser atraídos pelo parcelamento por meio do carnê, visto que esses consumidores têm enfrentado restrições de créditos dos grandes bancos. Essa restrição ao crédito que leva até a redução dos limites dos cartões de crédito, resultou no aumento 15,1% em maio na procura pelo parcelamento no carnê, direto com o lojista.

Outro diferencial é a implantação de programas de fidelização, com descontos progressivos, conforme a frequência de compras. Essas ações podem ser atrativas para chamar a atenção dos consumidores num momento em que houve quedas de 1,8% na intenção de consumo nos lares e de 1,6% na propensão de comprar algum produto financiado nos próximos 3 meses.

A FecomercioSP também sugere a variação do mix de produtos das lojas, com foco nos consumidores que estão em busca de opções de marcas mais acessíveis. Para quem trabalha com alimentos, por exemplo, o ideal é diminuir os itens que necessitem de refrigeração, pois isso reflete na redução do consumo de energia.

O levantamento é feito com base nas análises da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), do Índice de Consumo das Famílias (ICF) e da Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE).

Veja abaixo as análises individuais realizadas mensalmente pela FecomercioSP.

PEIC
A pesquisa mostrou elevação de 1,3 ponto porcentual (pp) na proporção de famílias paulistanas endividadas em maio – de 55,2% em abril para os atuais 56,5%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta foi maior: 5,4 pp, o que significa 227 mil famílias a mais do que em 2018.

O aumento da inadimplência foi um pouco menor e passou de 20,3% em abril para 20,5% em maio, mesma taxa de setembro do ano passado, quando houve instabilidade por causa das eleições presidenciais. Já o porcentual de famílias que afirmaram não ter condições de pagar suas dívidas permaneceu estável tanto no comparativo mensal quanto no anual (8,8%), com 346,3 mil famílias nessa situação atualmente.

Na segmentação por renda, os lares com rendimentos abaixo de 10 salários mínimos (SM) impulsionaram o endividamento: 59,4% ante os 58,9% de abril, e a inadimplência atingiu 25,6%. Também houve alta para o grupo com renda superior a 10 SM, ao passar de 44,4% para 48,3% em maio. Contudo, a inadimplência foi menor nessa faixa – caiu de 8,7% em abril para os atuais 7,9%.

O principal tipo de dívida de todas as famílias continua sendo o cartão de crédito, com 74%. Em abril – eram 71,7%, e com relação ao mesmo período do ano passado – 70,2%. Na segunda posição ficaram os carnês com 15,1% ante os 14,8% de abril.

ICF
O índice recuou 1,8% no mês passado, a terceira queda consecutiva, passando de 99,8 pontos em abril para os atuais 98 pontos. No entanto, em comparação com o mesmo período do ano passado, registrou alta de 6,7%.

Dos 7 itens analisados, 5 sofreram retração, com destaque para Perspectiva de Consumo (-6,5%) – que passou de 104,3 pontos em abril para os atuais 97,5 pontos – voltando ao patamar de insatisfação. Isso significa que 36% dos paulistanos disseram pretender gastar menos nos próximos meses.

Na segmentação por renda, o item Perspectiva de Consumo recuou nas duas faixas: 12,9% entre os consumidores que recebem mais de 10 salários mínimos (SM) e 3,9% entre os que ganham menos de 10 SM.

PRIE
A parcela de paulistanos que pretendem comprar algum produto financiado ou parcelado também caiu em maio (-1,6%) – de 47,5 pontos em abril para os atuais 46,7. De acordo com a FecomercioSP, a intenção de financiamento tem correlação direta com a expectativa profissional, que também recuou 1,2% em maio.