Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Negócios

30/06/2016

Cônsul da Argentina manifesta preocupação com efeitos da crise econômica brasileira sobre a região mas oferece apoio

Representante argentino se diz otimista com a recuperação do Brasil e afirma que é preciso ampliar atuação do Mercosul

Ajustar texto: A+A-

Cônsul da Argentina manifesta preocupação com efeitos da crise econômica brasileira sobre a região mas oferece apoio

Além do cônsul, o evento recebeu a visita da embaixadora e chefe do escritório do Itamaraty em São Paulo, Débora Vainer Barenboim-Salej
(Foto: Fernando Nunes/Perspectiva)

“Estamos com o Brasil neste momento econômico delicado de ambos os países”. Assim o cônsul da Argentina, Diego Malpede, iniciou sua fala durante a reunião do Conselho do Comércio Externo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), realizada na tarde desta quarta-feira (29), na sede da Entidade. O encontro contou ainda com a presença da embaixadora e chefe do escritório do Itamaraty em São Paulo, Débora Vainer Baremboim-Salej e do vice-presidente da FecomercioSP e coordenador da Câmara Brasileira de Comércio Exterior (CBCEX) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Sr. Rubens Medrano.

Segundo Malpede, apesar da queda do intercâmbio comercial nos últimos cinco anos, Brasil e Argentina são “sócios irmãos”, pela ampla relação comercial construída ao longo do tempo. Ele acredita em uma recuperação significativa das trocas comerciais entre os dois países já a partir deste segundo semestre.

Na ocasião, Malpede fez um balanço desses primeiros seis meses do governo Macri que adotou um plano econômico gradual e projeta crescimento vigoroso da economia argentina a partir de 2018. Atualmente, o país passa por um processo de correção de preços, de tarifas públicas (a inflação este ano deve ficar entre 36% e 40%) e pôs-se fim a uma série de controles cambiais que dificultava a entrada de capital estrangeiro. Tais mudanças já promoveram um clima de otimismo em nível interno e externo.

Durante a fala do cônsul ficou nítido que os dois países enfrentam os mesmos obstáculos. Ambos apresentam problemas de competividade e produtividade ocasionados pela logística e infraestrutura inadequadas, escassez de mão-de-obra qualificada, custos trabalhistas altos, entre outros.

De acordo com Malpede os setores de minério e de agronegócio são altamente competitivos. Além disso, a Argentina tem que entrar nas cadeias globais de valor e recuperar setores industriais como o automotivo, plástico e metal mecânico. Nesse contexto, ele ressalta a importância de Brasil e Argentina trabalharem juntos para o fortalecimento do Mercosul. "Precisamos avançar as conversas para um acordo com a União Europeia e com a Aliança do Pacífico", afirmou. 

Alianças

A embaixadora Débora Baremboim-Salej comentou as expectativas de novas alianças. “Agora, passados 20 anos do Mercosul, começam a surgir questões quanto à ampliação das relações internacionais.”

A embaixadora reforça ainda que é necessário facilitar e promover cada vez mais a entrada de pequenos empresários no comércio internacional. "Os países do Mercosul são como piscinas prontas para as pequenas empresas se lançarem, diferentemente de outros mercados como os Estados Unidos, onde grandes companhias atuam e os pequenos enfrentam dificuldades", apontou.

A embaixadora também ressaltou que a cooperação entre Brasil e Argentina deve extrapolar os governos e se estender às entidades de classe para aproximar os empresários.

O vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano, também acredita na força das entidades e que a Federação deve ser um indutor das ações que o comércio pode exercer no Mercosul e nas relações com a Argentina. “A globalização às vezes nos distancia e nos faz esquecer que existem acordos antigos e virtuosos entre as nações vizinhas. Cabe a nós contribuir para a reflexão e melhora das relações comerciais com os países próximos”, ponderou.

Malpede afirmou que medidas como abrir o Mercosul para outras regiões, consolidar a negociação com a União Europeia e buscar novos acordos, inclusive com a Aliança do Pacífico, devem fortalecer as relações comerciais externas da Argentina e do Brasil.

Segundo o presidente do Conselho de Comércio Externo da FecomercioSP, Euclides Carli deve ser proposta uma nova agenda para o Mercosul, que nos últimos anos deixou de ser um bloco comercial relevante e se tornou um campo de discussões políticas. “A Argentina acena para a retomada do livre comércio e deixa de lado os interesses políticos e ideológicos, se aproximando do propósito inicial do bloco. Essa postura é muito importante para retomar a importância do Mercosul”, afirmou.

Assim, o Conselho do Comércio Externo da FecomercioSP abre um canal de comunicação com o consulado e com o Itamaraty com o objetivo de facilitar e estimular novos negócios.