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Economia

Crise da segurança pública afeta a competitividade das empresas, analisa Renato Lima, do FBSP

Sociólogo acredita que o Estado não tem conseguido agir sobre a organização cada vez mais sofisticada do crime; ele participou da reunião de março da Frente Empresarial pela Modernização do Estado

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Crise da segurança pública afeta a competitividade das empresas, analisa Renato Lima, do FBSP
O tema também é caro para a FecomercioSP, que tem apresentado ao Poder Público, propostas que podem contribuir para a melhoria da segurança pública

A violência urbana é, hoje, um dos principais dilemas do empresariado do varejo. É análise é do sociólogo Renato Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Ele participou da última reunião da Frente Empresarial pela Modernização do Estado (FEME), no âmbito do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP) da FecomercioSP. 

Para ele, o cenário atual é desafiador tanto em nível nacional quanto internacional, já que as organizações criminosas expandiram sua rede de influência e atuação para outros países, enquanto as análises ainda são demasiadamente locais. “Nós temos muitos indicadores baseados nas dinâmicas das ruas – quantidade de roubos e furtos, número de homicídios, etc. –, mas há várias outras coisas que não estão nesses dados que são fundamentais: há uma explosão de casos envolvendo os mercados de celulares, os estelionatos e golpes virtuais, que não são produzidos só nas ruas. Essa reconfiguração tem peso econômico para o País”, explicou. 

“Esse entorno virtual é um desafio enorme hoje, porque aumenta as chances de as pessoas serem expostas a golpes”, continuou. 

O tema também é caro para a Entidade, que tem apresentado ao Poder Público, propostas que podem contribuir para a melhoria da segurança pública. No Congresso Nacional, por exemplo, a Federação atuou em defesa da aprovação do PL 3.780/2023 que aumentas as penas para os crimes de furto, roubo, receptação e da PEC da Segurança Pública. Em âmbito estadual e municipal, alertamos sobre o atual déficit das polícias e apoiamos a criação de programas semelhantes ao Smart Sampa em outros municípios a partir da adesão ao programa Muralha Paulista, bem como o reconhecimento das Guardas Municipais como integrantes do sistema de segurança. 

Lima também apontou que o problema é que nem o Estado sabe o que fazer diante de uma tamanha transformação do crime. “Basta lembrar que nós tivemos 24 diferentes planos de segurança nacionais, e nenhum deles chegou a ser sequer avaliado e colocado em discussão, de forma que a gente saiba o que poderia dar certo e o que não deu já que no Brasil não temos a cultura de avaliar o resultado de políticas públicas”. É assim, sem uma coordenação nacional, por exemplo, que órgãos estatais não conseguem rastrear o dinheiro que essas organizações produzem e fazem circular. Outro problema é a falta de investimento em ações e em grupos de inteligência, o que é preocupante em um cenário de aumento exponencial de crimes virtuais.  

“As nossas polícias civis estão sucateadas na sua capacidade de investigar. Para solucionar um único crime, tudo bem, mas e se forem 2,2 milhões de registros só de estelionatos, sabendo que só 50 mil deles chegam ao sistema judiciário?”.  

Na sequência do debate, a reforçou a preocupação constante dos setores de comércio, serviços e turismo com os furtos, roubos, inclusive de carga, entre outros que afastam clientes, impactam o desempenho dos funcionários e prejudicam a operação. A partir disso, o sociólogo reforçou como, em muitos casos, a solução encontrada por empresários tem sido gastar em serviços de segurança privada, “que acarreta na perda de competitividade em meio aos custos mais altos”, observou.  

O resultado é que os consumidores pagam mais caro nos produtos ou serviços, à medida em que, no preço deles, a carga está embutida.  

Pelos números do Anuário de Segurança Pública do ano passado, com base na realidade do País em 2024, produzido pelo próprio FBSP, houve um crescimento de 7% nos postos de trabalho envolvendo empresas de segurança privada em todo o País. Até maio de 2025, eram 571 mil vigilantes. “Isso exige uma enorme capacidade de resiliência dos empresários, porque tudo é afetado: cadeias para o fornecimento, operações, etc.” 

O economista Antonio Lanzana, presidente do CSESP, lembrou como, hoje, é a violência que toma conta do debate – e do medo – público. Uma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha, em dezembro passado, mostra que cerca de 2 em cada 10 brasileiros apontam a segurança como o principal problema do País. “Temos casos de empresas do varejo que são roubadas constantemente. Isso gera não só queda dos investimentos e o aumento dos custos, mas pode inviabilizar todo um negócio. Elas poderiam estar usando os recursos para inovar, criar serviços e produtos, melhorar seu trabalho, mas arcam com esse risco. Esse é um efeito significativo sobre a economia como um todo”, finalizou.

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