Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Negócios

10/05/2016

Crise econômica movimenta mercados de costura, sapataria e brechó

Com a queda na renda das famílias, profissionais antes esquecidos estão sendo lembrados

Ajustar texto: A+A-

Crise econômica movimenta mercados de costura, sapataria e brechó

"As pessoas estão mais cautelosas na hora de comprar, então abrem o armário para ver o que podem reabilitar, depois de uma reforma ou um ajuste", disse a proprietária do atêlie Arte da Costura, Maria da Gloria de Oliveira Pereira.
(Arte/TUTU)

Costureira de mão cheia, Maria da Gloria de Oliveira Pereira recebe diariamente uma média de 50 pessoas em seu ateliê, o Arte da Costura, no bairro da Pompeia, zona oeste de São Paulo. Os clientes chegam com sacolas cheias de roupas usadas para reformar ou consertar. Feliz com o movimento, ela conta que a procura por seus serviços cresceu cerca de 30% em um ano, seguindo o agravamento da crise econômica. “As pessoas estão mais cautelosas na hora de comprar, então abrem o armário para ver o que podem reabilitar, depois de uma reforma ou um ajuste”, conta Gloria, que já teve uma oficina de costura para atender confecções e, antes de abrir o negócio próprio, trabalhou na rede Sapataria do Futuro.

Se a crise econômica é ruim para o comércio de artigos novos, pode ser um terreno de oportunidades para profissionais da restauração como Gloria: “O mercado está bom para esse tipo de negócio, tanto que tenho mais dois concorrentes na região onde estou instalada”, conta a costureira.

O vento a favor também foi percebido pela Linha e Bainha, do Grupo Acerte Franchising, que atua no ramo de costura expressa, com serviços de reforma, ajustes e customização de peças. Com sede na capital paulista, a rede tem 21 unidades franqueadas espalhadas pelo interior de São Paulo e nos estados do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná e Pernambuco.

“Percebemos que os brasileiros estão com um novo comportamento de consumo mais consciente. Tem sido necessário frear os gastos e se adequar à realidade econômica enfrentada pelo País”, avalia Zita Sobral França, gestora da marca Linha e Bainha. 

Para aproveitar melhor o momento e dinamizar os negócios, a Linha e Bainha lançou o serviço expresso, com entrega rápida aos clientes em 24 horas. A estratégia é conquistar mais fregueses entregando qualidade e rapidez no atendimento.

Novos clientes

Dono da Sapataria Conserta Já, instalada há 40 anos numa galeria na região central da capital paulista, Rafael Araújo Cortez também planeja aproveitar essa nova orientação do consumidor para refazer a carteira de clientes. Ele conta que, com a saída de muitas empresas do entorno de onde atua e, mais recentemente, por conta do desemprego, viu sua clientela diminuir. Há três anos, atendia 100 consumidores por dia. Hoje, essa média está em 70. Isso porque, nos últimos meses, ele arregaçou as mangas para conquistar novos compradores aproveitando a onda de quem está segurando as compras e investindo na restauração de peças usadas para economizar. “Como fico dentro de uma galeria, preciso chamar o cliente para cá. Então, usei a estratégia de distribuir panfletos em locais de grande circulação aqui pelas redondezas, como as estações de metrô”, explica.

Usados em alta

De fato, de acordo com o índice Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), os consumidores estão mais cautelosos na hora de abrir a carteira. Segundo os dados disponíveis em março, o índice sinalizou uma queda de 33,2% em relação ao mesmo mês de 2015.

É nessa esteira que ganham força asalternativas mais baratas, como as oferecidas pelo mercado de restauração. Por esse mesmo motivo, o setor de brechós também vem ganhando um número cada vez maior de adeptos.

Segundo Wilsa Sette, coordenadora nacional de varejo de moda do Sebrae, não se pode negar o atual cenário econômico como um fator que impulsiona esses números: “A roupa de brechó é muito barata, chega a custar entre 70% a 80% do valor de uma peça equivalente nova. Por isso, atrai consumidores que procuram vestuário de qualidade a preço acessível”, diz ela.

Entretanto, Wilsa também aponta uma mudança de comportamento do consumidor: “Há uma tendência mundial de valorização do consumo consciente, o que inclui comprar artigos usados”, afirma ela.

A especialização dentro desse nicho é uma das tendências que ela aponta: “Notamos que há uma segmentação muito grande. Tem brechó que trabalha só com grifes, os que vão para a área infantil, alguns apostam no vintage, entre outros”, afirma.

Clique aqui e leia a matéria na íntegra, publicada pela revista C&S.