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Imprensa

08/05/2017

Custo de vida paulista sobe 0,07% em março, menor elevação desde maio de 2014, aponta FecomercioSP

Segundo a Entidade, os segmentos de educação (1,85%), habitação (0,99%) e saúde e cuidados pessoais (0,76%) representaram as maiores altas de preços no mês

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São Paulo, 08 de maio de 2017 - O custo de vida para as famílias da Região Metropolitana de São Paulo continua subindo, porém, com menos intensidade do que no ano passado. Em março, o custo de vida subiu 0,07% ante os 0,32% registrados em fevereiro - menor elevação nos preços desde maio de 2014. No mesmo mês do ano passado, o indicador havia crescido 0,51%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o índice registrou alta de 4,69% e crescimento de 0,64% no acumulado do trimestre. Os dados são da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). 

Os setores que mais influenciaram na alta do custo de vida em março foram os relacionados a educação (1,85%), habitação (0,99%) e saúde e cuidados pessoais (0,76%). Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, habitação foi responsável por cerca de 16% do resultado altista do CVCS de março, com destaque para a energia elétrica residencial, que ficou, em média, 4,41% mais cara no contraponto com fevereiro, impulsionando o resultado do grupo. O segundo maior impacto ficou com educação, que subiu 1,85% em março, com destaque para o aumento dos preços do ensino superior (3,66%). 

Em contrapartida, as atividades de transportes (-1,61%), comunicação (-0,79%), artigos do lar (-0,53%) e vestuário (-0,43%) registraram as maiores quedas nos preços nos mês, na comparação com fevereiro. A ponderação destes quatro segmentos, somados, atinge 37% do CVCS, o que favoreceu o arrefecimento do indicador em março. 

Segundo a Federação, os preços no varejo paulistano estão comprovadamente em uma trajetória mais moderada do que a observada no ano passado, o que deve surtir efeitos positivos no sentido de reduzir a restrição orçamentária a que as famílias vinham se submetendo nos últimos anos por conta da alta persistente dos itens básicos. 

Na segmentação por renda, observa-se que as classes que possuem maior poder aquisitivo foram as que mais sentiram a alta dos preços em março, já que os estratos de renda com menor rendimento tendem a destinar uma porcentagem muito baixa de seus recursos para educação, buscando o serviço público. 

A classe B assinalou alta de 0,15% no mês, graças ao peso de 9,87% que o setor de educação possui, o maior entre os estratos analisados. Já o custo de vida para a Classe D registrou variação negativa de 0,03% em março. 

IPV
O Índice de Preços do Varejo (IPV) apresentou queda de 0,33% em março, em relação a fevereiro. No acumulado do trimestre, o indicador apresentou retração de 0,15% e no acumulado dos últimos doze meses registrou alta de 3,14%. Vale ressaltar que no mesmo mês do ano passado o indicador apresentava altas de 1,06% no mês, 2,95% no acumulado no trimestre e 10,52% na somatória dos últimos doze meses, o que demonstra uma forte desaceleração na alta dos preços neste ano. 

O IPV é composto por oito grupos e, em março, três deles registraram queda em suas variações de preços: transportes (-1,82%), vestuário (-0,43%) e artigos de residência (-0,49%). O arrefecimento no preço de transportes se deve, principalmente, à redução dos preços de combustíveis de um modo geral (-3,37%), sendo que o Etanol foi o produto no mês com maior redução de preço (-6,46%). 

Muito embora estes três grupos tenham registrado queda, favorecendo a desaceleração do IPV, os segmentos de saúde e cuidados pessoais (0,66%), alimentação e bebidas (0,31%), despesas pessoais (2,33%), habitação (0,10%) e educação (0,24%) registraram aumento nos preços em março. Apesar de saúde ter sido o grupo que exerceu a maior pressão altista, os itens com as variações mais expressivas pertencem a alimentação e bebidas: tomate (15,96%), merluza (10,56%), melancia (10,13%), mamão (9,59%), ovo de galinha (9,13%), uva (7,40%), brócolis (6,38%), abacaxi (5,91%) e caldo concentrado (4,28%). 

IPS
O Índice de Preços de Serviços (IPS) registrou alta de 0,50% em março, ante a elevação de 0,69% em fevereiro. O indicador acumulou em doze meses alta de 6,36%, muito abaixo do observado no mesmo período de 2016, quando o IPS assinalava elevação de 9,10%. 

Assim como no IPV, três dos oito grupos avaliados registraram queda, mas, no caso do IPS, a pressão dos grupos que registraram alta nos preços prevaleceu. Habitação, com alta de 1,26%, exerceu a maior pressão altista, contribuindo com quase 70% do resultado geral do indicador. A atividade de educação exerceu a segunda maior pressão no resultado, com alta de 1,97%. Já as três atividades que apresentaram quedas nos preços em março foram: transportes (-1,22%), artigos de residência (-1,01%) e comunicação (-0,79%). 

Segundo a FecomercioSP, a dispersão de quedas segue aumentando. Assim, novamente se reforça o que já havia sido defendido pela Federação, que o processo inflacionário é definido por altas persistentes e disseminadas nos preços, e esta segunda determinante já não está mais sendo observada. 

Para os próximos meses, a Entidade aponta ser provável que haja alguma pressão no preços dos medicamentos, pois o reajuste da categoria se dá em 31 de março. Por outro lado, em abril as contas de luz deverão sofrer uma queda de preços, tendo em vista a descoberta de uma cobrança irregular que foi feita ao longo de 2016 para os consumidores. Os alimentos, que comprometem um quarto do orçamento familiar médio, devem, de acordo com a Federação, ainda sofrer alguma pressão originária dos custos de escoamento, que estão elevados por conta da situação precária das estradas. De qualquer forma, existe um importante fator para sinalizar que os preços dos alimentos não subam muito, tendo em vista que as expectativas da safra deste ano são muito favoráveis e as variações na oferta não deverão provocar alterações significativas de preços no restante do ano. 

Metodologia
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV 181 produtos de consumo. 

As faixas de renda variam de acordo com os ganhos familiares: até R$ 976,58 (E); de R$ 976,59 a R$ 1.464,87 (D); de R$ 1.464,88 a R$ 7.324,33 (C); de R$ 7.324,34 a R$ 12.207,23 (B); e acima de R$ 12.207,24 (A). Esses valores foram atualizados pelo IPCA de janeiro de 2012. Para cada uma das cinco faixas de renda acompanhadas, os indicadores de preços resultam da soma das variações de preço de cada item, ponderadas de acordo com a participação desses produtos e serviços sobre o orçamento familiar.