Economia

15/08/2016

Eleições são decididas pelos menos interessados na política, diz Paulo Delgado

Para cientista político, maior parte da população não tem compromisso com o voto

Eleições são decididas pelos menos interessados na política, diz Paulo Delgado

Segundo Paulo Delgado, política brasileira não conseguiu se livrar do "presidencialismo de coalização" iniciado no governo de José Sarney (1985 - 1990)

Embora a sociedade brasileira esteja mais engajada, as eleições no País são decididas pelo eleitorado menos interessado no processo de escolha dos representantes, avalia o cientista político e presidente do Conselho de Economia, Sociologia e Política da FecomercioSP, Paulo Delgado.

“A pessoa menos interessada na política é quem decide a eleição, porque os partidos se organizam em torno de seus candidatos, a sociedade organizada escolhe partidos e candidatos, mas esse grupo não chega a 30% do País”, diz o cientista político em entrevista ao UM BRASIL. “70% vota encontrando um número na rua como se jogasse na loteria, vota num slogan de televisão e há um número grande de brasileiros que decide votar no dia da eleição.”

Na avaliação de Delgado, um problema da política brasileira é o “presidencialismo de coalizão”, que começou logo após o fim da ditadura militar e perdura até hoje.

“[José] Sarney só conseguiu governar fazendo coalizões políticas pós-eleitorais. O número de partidos que entrou no governo exigiu cargos no Estado. Ninguém mudou isso.”

Segundo o cientista político, o processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, é semelhante ao do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Ambos ganharam o eleitor com o discurso da esperança, mas entregaram resultados diferentes.

“Quando você se elege dizendo uma coisa e ocupa o governo fazendo outra coisa, termina no impeachment.”

Veja esses e outros assuntos na entrevista na íntegra abaixo: