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28/08/2026Energia elétrica puxa custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo em julho, mostra pesquisa da FecomercioSP
Alimentos aliviam, mas choque da habitação afeta orçamento das famílias; acumulado do ano chega a 3,54%
A energia elétrica residencial puxou o Custo de Vida por Classe Social (CVCS) na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O indicador da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) apresentou alta de 0,44% em julho. O aumento de 7,55% na conta de luz no mês contribuiu substancialmente para a elevação, concentrando a inflação de forma expressiva no grupo de habitação. O acumulado do ano chegou a 3,54%, acima dos 3,27% registrados no mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, o índice desacelerou para 4,98%, abaixo da marca de 5% [gráfico 1].
[GRÁFICO 1]
Custo de vida por classe social — série histórica
Fonte: IBGE/FecomercioSP

De acordo com a FecomercioSP, apesar do choque pontual na conta de luz, os sinais para os próximos meses tendem a ser mais favoráveis. A menor pressão do preço do petróleo tende a se refletir em alívio nos combustíveis e, por extensão, na cadeia de custos, o que ajuda a conter a inflação de bens. Contudo, persiste a dúvida quanto ao quadro global e às eleições, que podem impactar o câmbio — e, consequentemente, os preços.
Dentre os nove grupos que compõem o indicador, quatro encerram o sétimo mês do ano com decréscimo em suas variações médias: vestuário (-1,02%), despesas pessoais (-0,37%), educação (-0,04%) e artigos de residência (-0,04%) [tabela 1].
[TABELA 1]
Custo de vida por classe social — junho/2026
Fonte: IBGE/FecomercioSP

O grupo de habitação foi o responsável pela alta de julho, avançando 1,86% e contribuindo com cerca de 0,31 ponto porcentual (p.p.), ou seja, o correspondente a mais de dois terços da alta no mês — puxado pela conta de luz residencial que subiu, em razão do reajuste tarifário de 10,7% aplicado pela distribuidora. No varejo, os materiais de construção seguiram pressionados, com revestimentos, cimento, tijolo e material hidráulico subindo cerca de 2,8%. Em 12 meses, o grupo acumula 6,19%, o maior entre todos.
O segmento de saúde, por sua vez, foi o segundo com maior contribuição, avançando 0,85% no mês e acumulando 6,77% nos últimos 12 meses, dado que confirma o caráter estrutural dessa pressão. No varejo, a pressão foi ampla entre os medicamentos, como hormônios (3,2%), anti-inflamatórios (2,2%), antialérgicos (1,9%) e antibióticos (1,8%), movimento que se soma aos reajustes anuais autorizados para o setor. Além disso, higiene e beleza também contribuíram, com maquiagem e produtos para a pele encarecendo em torno de 2%. Nos serviços, hospitalização e cirurgia avançaram 1,2%.
Transportes apontou alta de 0,40% (0,09 p.p.), enquanto os combustíveis proporcionaram alívio no varejo (etanol, com -1,7%; óleo diesel, com -0,7%; e gasolina, com -0,4%). O aperto veio inteiramente dos serviços, com a passagem aérea avançando 7%, sazonalmente pressionado nas férias escolares.
Os alimentos foram marcados por quedas expressivas nos hortifrútis, que vinham pressionando o índice. O tomate despencou 26,4%, a batata-inglesa recuou 14,8% e a cenoura caiu 6,9%. No entanto, foram parcialmente compensadas por altas em alguns itens, como mamão (7,1%), cebola (3%), carne de porco (1,6%) e iogurtes (1,55%).
A composição da cesta explica as altas de 0,18% e 0,16% para as classes A e B, uma vez que nessas cestas têm presença maior de determinados itens que ficaram mais caros. Já para as classes D e E, os preços ficaram estáveis, em virtude das quedas de itens mais básicos de grande peso no consumo das famílias de menor renda [tabela 2].
[TABELA 2]
Custo de vida por classe social
Fonte: IBGE/FecomercioSP
Contudo, de forma geral, as faixas de renda menor foram as mais afetadas: as classes D e E registraram a maior variação do mês, ambas com 0,53%, seguidas pela classe C e pela classe A (0,44% e 0,43%). A classe B apontou o menor avanço (0,36%). Essa assimetria reflete o peso da conta de energia elétrica no orçamento familiar. No acumulado de 12 meses, a disparidade persiste, com as classes D (5,56%) e E (5,44%) seguindo acima das classes B (4,47%) e A (4,67%).
Nota metodológica
CVCS
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.