Economia

16/12/2016

Ex-ministros defendem reformar a Previdência para evitar a insolvência do País

Seminário na FecomercioSP discutiu a proposta apresentado pelo governo e a necessidade de mudar as regras de aposentadoria

Ex-ministros defendem reformar a Previdência para evitar a insolvência do País

Da esq. para a dir.: Patrícia Pelatiere, Walter Barelli, José Pastore e José Cechin
(Foto/TUTU)

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) realizou, nesta sexta-feira (16), o evento “A Reforma da Previdência Social”. Com a presença dos ex-ministros do Trabalho, Walter Barelli, e da Previdência Social, José Cechin, além de especialistas, a discussão abordou a proposta de reforma apresentada pelo governo federal e as necessidades de o Estado brasileiro realizar mudanças nas regras de aposentadoria para evitar a insolvência.

Veja o especial multimídia da FecomercioSP "No Limite da Previdência Social"

Abrindo o seminário, o presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP, José Pastore, salientou que a reforma do sistema previdenciário é um tema bastante sensível e que a Federação segue estudando a proposta apresentada para tomar um posicionamento.

“Reformar a Previdência Social é um enorme desafio político. Em todos os países que se pretende fazer reformas, as consequências sociais são muito sérias. É um tipo de reforma que causa muita apreensão e insegurança na população em geral”, afirmou Pastore.

Em sua fala, o ex-ministro do Trabalho e conselheiro da FecomercioSP, Walter Barelli, lembrou que os últimos governos federais – Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff – fizeram, em maior ou menor grau, mudanças no sistema. Contudo, a proposta atual se trata de uma reforma mais ampla.

“Esperamos que a proposta apresentada pelo governo seja aperfeiçoada pelo Congresso Nacional para que perdure”, afirmou Barelli.

Segundo ele, de qualquer modo, a reforma deve trazer uma mudança de postura da sociedade. “Vai se aposentar com mais idade, vai precisar trabalhar mais para ter uma velhice mais digna em termos de remuneração. Mas há uma situação que está sendo colocada que é preciso evitar os déficits previstos no exercício da Previdência tal como ela foi feita.”

Também membro do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho, o ex-ministro da Previdência Social José Cechin apresentou um histórico do sistema previdenciário brasileiro e as perspectivas do regime em vigor.

Se nenhuma mudança for feita, os números apontam que, por volta de 2060, a população brasileira contará com mais de 50 milhões de aposentados e pensionistas para uma força de trabalho ativa de pouco mais de 110 milhões de pessoas, o que pode levar o Estado brasileiro à insolvência. “Não podemos viver com regras que iludem as pessoas”, disse Cechin.

“A Previdência não quebra e há 30 anos não atrasa os pagamentos. Mas ela pode quebrar o Tesouro Nacional. Temos que ter clareza de que a Previdência custa e quem a paga somos nós. O aumento do encargo recairá sobre nós”, completou o ex-ministro.

Especialistas
Também palestrou no evento a coordenadora de pesquisas e tecnologia do Dieese. Patrícia Pelatiere apresentou as preocupações dos trabalhadores e das centrais sindicais e ressaltou que, embora ajustes sejam necessários, a reforma deve ter atenção com trabalhadores do setor rural, mulheres e o corte de pensões, de maneira que não prejudique os recursos familiares.

“É preciso que as reformas estruturais possam ser feitas de forma democrática, sem açodamento. Não é preciso atropelar. É preciso termos mais tranquilidade. Vivemos um momento de turbulência nas instituições que coloca em risco o debate do futuro do País”, afirmou Patrícia.

Já o economista e pesquisador Paulo Tafner mostrou que o aumento dos gastos previdenciários compromete o avanço da economia brasileira. De acordo com ele, o País não consegue aumentar a sua poupança para realizar investimentos.

“A cada ano aumenta a necessidade de transferência do Tesouro para o sistema previdenciário. Isso diminui o quê? Os investimentos. Reformar a Previdência significa liberar os gastos fiscais para realizarmos investimentos para crescer”, disse Tafner.

O evento foi supervisionado e coordenado pelos ex-ministros Walter Barelli e José Cechin.