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Editorial

12/07/2016

Famílias paulistanas equilibram orçamento doméstico e número de endividadas cai pelo terceiro mês consecutivo em São Paulo

Segundo pesquisa da Entidade, em junho houve queda de 44 mil no número de famílias endividadas em relação ao mês anterior

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São Paulo, 12 de julho de 2016 - A proporção de famílias endividadas caiu 1,1 ponto porcentual (p.p.) em junho na comparação com maio. Com isso, 49% das famílias da Capital afirmaram possuir algum tipo de dívida no mês - menor proporção desde abril de 2015, quando 48,9% estavam endividadas. Em relação a junho do ano anterior, quando a proporção era de 54%, a retração foi ainda mais acentuada (5 p.p.). Em números absolutos, o total de famílias com algum tipo de dívida diminuiu de 1,925 milhão em maio para 1,880 milhão em junho. Já na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o número era de 1,936 milhão, houve queda de 56 mil famílias. 

Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). 

Segundo a assessoria econômica da Entidade, a queda foi motivada pela restrição de crédito imposta pelo mercado e pelo temor do desemprego, que leva as famílias e evitarem novas dívidas. 

O endividamento continua maior entre as famílias com renda inferior a dez salários mínimos, onde 51,6% afirmaram estar nestas condições em junho, queda de 2,2 pontos porcentuais na comparação com maio. Já entre as famílias que recebem mais de dez salários, a parcela de endividados foi de 41,2%, alta de 1,5 p.p. ante maio. 

A pesquisa revelou ainda que 40,3% das famílias têm sua renda comprometida com dívidas por mais de um ano (ante 36,7% em junho de 2015); 20,1% possuem débitos com prazos de até três meses (20,5% em junho de 2015); 20,4% entre três a seis meses (19,8% em junho de 2015); e 17,2% entre seis meses e um ano (19,4% em junho de 2015). 

Inadimplência

Em junho, 17,6% das famílias paulistanas afirmaram estar com as contas atrasadas, queda de 1,2 p.p. em relação ao mês anterior. No comparativo com o mesmo período do ano passado, o indicador apresentou alta de 2,4 p.p. Em números absolutos, o total de famílias com contas atrasadas atingiu 675 mil. 

Entre as famílias inadimplentes, 50,3% afirmaram ter débitos vencidos há mais de 90 dias; 22,9% têm compromissos atrasados entre 30 e 90 dias; e 25,9% estão com dívidas vencidas há até 30 dias. 

Assim como o endividamento, a inadimplência também é maior nas famílias com menor renda. Entre as que ganham até dez salários mínimos, 20,3% estão com contas atrasadas - queda de 2,2 p.p. na comparação com o mês anterior. Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, as famílias com menor renda sentem mais os efeitos da crise econômica e para essa faixa da população, que já vive com o orçamento mais apertado e precisa do crédito para alavancar seu padrão de consumo, qualquer imprevisto pode desequilibrar suas finanças e levar à inadimplência. Já entre aquelas que ganham mais de dez salários mínimos, 10,7% afirmaram ter dívidas vencidas em junho - elevação de 0,8 p.p. na comparação com maio. 

Além disso, em junho, 7,2% das famílias disseram que não teriam condições de pagar total ou parcialmente suas contas no mês seguinte. Esse porcentual era de 6,1% no mesmo período de 2015. Em números absolutos, existem 277 mil famílias que estão nessa situação. 

Tipos de dívida

O cartão de crédito continua o vilão do endividamento e é o principal meio de financiamento das famílias, utilizado por 73% dos devedores em junho. Na sequência estão financiamento de carro (15%), carnês e financiamento imobiliário (ambos com 14,3%), crédito pessoal (14%) e cheque especial (10,9%). Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve aumento de 2,1 p.p. na proporção de famílias endividadas no cartão e de 3,1 p.p. no cheque especial. Também houve alta na parcela de endividados no crédito pessoal (1,7 p.p.) e no crédito consignado (1,3 p.p.). 

De acordo com a FecomercioSP, as famílias seguem conservadoras e evitando os crediários, conforme indica outra pesquisa da Federação (Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento), segundo a qual apenas 7,8% dos consumidores paulistanos entrevistados em junho tinham intenção de se endividar nos três meses seguintes. Para a Entidade, quem recorre a empréstimos neste momento faz principalmente na tentativa de equilibrar o orçamento. Por isso, alertam os economistas da FecomercioSP, é preciso estar atento às taxas de juros cobradas em cada modalidade: segundo dados do Banco Central de maio, enquanto a taxa de juros média do crédito consignado estava em 2,2% ao mês, no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito ela atingiu 12,5% e 15,6%, respectivamente. 

Metodologia

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela FecomercioSP desde fevereiro de 2004. A partir de 2010, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) comprou a pesquisa da FecomercioSP, que passou a analisar os dados nacionalmente. A Federação continua divulgando os dados de São Paulo, alinhados com a data de divulgação da PEIC nacional pela CNC. Na capital, são entrevistados aproximadamente 2,2 mil consumidores.  

O objetivo da PEIC é diagnosticar os níveis de endividamento e de inadimplência do consumidor. Com base nas informações coletadas, são apurados importantes indicadores: nível de endividamento, porcentual de inadimplentes, intenção de pagamento de dívidas em atraso e nível de comprometimento da renda. Tais indicadores são observados considerando duas faixas de renda.  

A pesquisa permite o acompanhamento do nível de comprometimento do comprador com as dívidas e sua percepção em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos.