Editorial

17/05/2016

FecomercioSP acredita que nova equipe econômica tem condições técnicas para tirar País da crise

Sintonia entre membros deve facilitar coordenação das políticas fiscal e monetária, avalia Federação; taxa de juros pode iniciar trajetória de queda gradual ainda neste ano

São Paulo, 17 de maio de 2016 - A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) analisa como positivas as escolhas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para compor a equipe econômica do novo governo. Na visão da Entidade, a nova equipe tem condições técnicas para restabelecer a confiança de consumidores, empresários e investidores e, com isso, viabilizar a retomada do crescimento da economia. 

Ilan Goldfajn, por exemplo, indicado para assumir a presidência do Banco Central, assim como o próprio Meirelles, além da qualificação técnica para o cargo, acumula experiências importantes nos setores público e privado, tendo exercido a função de Diretor de Política Econômica do órgão entre 2000 e 2003. Em um momento no qual a retomada da confiança é a palavra de ordem, o nome de Goldfajn é muito pertinente para o restabelecimento da credibilidade, especialmente porque o Banco Central brasileiro ainda não tem independência formal. 

Isso porque, no regime de metas de inflação, as expectativas devem ser ancoradas pela crença de que a autoridade monetária persegue a meta. Assim, a nomeação do novo presidente do Banco Central pode ter um efeito positivo sobre as projeções do mercado para a alta dos preços. Isso, somado à profunda retração da atividade econômica, aos sinais de desaceleração da inflação e à tendência de apreciação cambial, pode abrir espaço para o início de uma queda gradual da taxa de juros ainda neste ano, o que estimularia o consumo de bens duráveis - o setor do varejo mais afetado pela crise - e os investimentos. 

Um dos grandes desafios da política monetária brasileira nos últimos anos, ressalta a FecomercioSP, foram os estímulos gerados pela política fiscal, com expansão dos gastos públicos e do crédito - muitas vezes subsidiado. Ante uma política fiscal e creditícia expansionista, as taxas de juros tinham de se manter elevadas na tentativa de garantir a convergência da inflação para a meta. Ou seja, o custo da estabilidade monetária era muito mais alto do que seria desejável por causa de políticas muitas vezes contraditórias. Assim, a sintonia entre membros da nova equipe econômica é uma das notícias mais positivas até agora, já que ela deve facilitar a coordenação entre políticas fiscal e monetária, diminuindo assim os custos da estabilização dos preços. 

Uma evidência dessa sintonia está na nomeação de Mansueto Almeida como Secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. Um dos principais especialistas em contas públicas do Brasil, Mansueto esteve na FecomercioSP no ano passado, quando defendeu a tese de que o Estado brasileiro ficou grande demais e que o foco da política econômica a partir de agora deve ser a eficiência, o corte de despesas e os ganhos de produtividade, bem como medidas para alterar a tendência estrutural de crescimento dos gastos públicos, conforme ocorre na Previdência.