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Negócios

09/01/2018

“Hub” especializado em varejo fomenta inovação e empreendedorismo em SP

OasisLab propicia infraestrutura, redução de custo e construção de um ecossistema de inovação com a participação de vários atores do segmento

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“Hub” especializado em varejo fomenta inovação e empreendedorismo em SP

O Estado de São Paulo concentra 40% dos escritórios compartilhados do País e ocupa o lugar de líder no segmento; Rio de Janeiro está na segunda posição
(Arte:TUTU)

A forma como as pessoas interagem com o ambiente de trabalho mudou muito nas últimas décadas, assim como a maneira de fazer negócios passou por inúmeras transformações. Com o conceito de propiciar o encontro de pessoas que criam, empreendem e trabalham juntas, o número de coworking aumentou neste ano.

De acordo com o Censo de Coworking 2017, há 810 espaços no País – 114% a mais que no ano passado. Segundo o mapa global de coworking, existem ao menos 1.643 locais espalhados em 107 países. Os líderes são os Estados Unidos e o Reino Unido.

No Brasil, o Estado de São Paulo concentra 40% dos escritórios compartilhados do País e ocupa o lugar de líder no segmento. Rio de Janeiro está na segunda posição, com 78 espaços, e Paraná em terceiro, com 69. A análise por municípios aponta que só a capital paulista agrupa 217 desses espaços. Rio de Janeiro vem em seguida, com 71, e Belo Horizonte tem 47.

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“São Paulo já está no radar do empreendedorismo, ficando nas primeiras colocações das melhores cidades brasileiras para fazer negócios. Ter espaços que propiciem isso somente reforça a importância da cidade nesse cenário mundial”, diz o presidente do Conselho do Comércio Eletrônico e CEO da Ebit, Pedro Guasti.

Coworking é um espaço, uma sala comercial, que você pode alugar de acordo com a necessidade da empresa ou do profissional freelancer. O interessado paga um valor pela estação de trabalho, geralmente mais baixo do que manter um escritório próprio, de acordo com o tempo que precisar. Inclusive, 31% dos espaços mapeados em território nacional têm acesso 24 horas. O hub reúne além do espaço de coworking, agenda de eventos e cursos, laboratório de soluções e outras atividades. Esse é o mais avançado conceito de escritórios e o modelo vem ganhando território no Brasil.

Guasti explica que a proposta dos hubs tem como objetivo oferecer um ecossistema de inovação que gera transformação e oportunidades de negócios conectando startups, segmento de atuação, empresas globais, investidores, associações e universidades. “O conceito do hub proporciona espaço compartilhado de trabalho além da oportunidade de interação com os diversos agentes da cadeia de negócios”, detalha.

Os espaços podem ser distribuídos em mesas compartilhadas e privadas, salas privadas, salas de reunião, salas especiais e espaços de convivência. O segmento movimentou R$ 82 milhões neste ano, gerou 3,5 mil empregos diretos e indiretos e criou 56 mil estações de trabalho disponíveis para o público. O lucro anual médio de uma coworking é de R$ 90 mil.

De olho nessa tendência, a OasisLab, localizada em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, chegou para atender especificamente ao público varejista. O espaço, inaugurado em agosto deste ano, consumiu investimentos próximos a R$ 2 milhões.

Um dos fundadores do hub e presidente do conselho de administração da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Helio Biagi, lembra que a ideia surgiu em razão da demanda do segmento varejista. “Existia a necessidade de esse setor ter um espaço de inovação especializado nesse mercado que pudesse conectar soluções e oportunidades, contribuindo como facilitador nos desafios atuais de transformação digital e atendimento a um novo perfil de consumidor moderno.”

Até o momento, a empresa conta com cem posições ocupadas por aproximadamente 35 startups. O local tem capacidade para 240 posições entre bancadas e nove salas privativas distribuídas em 1,6 mil metros quadrados, contando ainda com auditório e espaço de eventos e conteúdo. O custo mensal de uma posição é de R$ 650, e os valores das salas variam conforme o tamanho do espaço.

A Supermercado Now, uma startup que conecta consumidores e supermercados pela internet, foi a primeira empresa residente na Oasis. Criada em 2015, a empresa tem o objetivo de atender os que não tem tempo para sair e repor os itens que faltam em casa. Por meio de um aplicativo, os clientes montam uma lista de compras e uma pessoa cadastrada na plataforma, também chamada de shopper, faz as compras e as entregas na hora e no local combinado. Atualmente, a Supermercado Now trabalha com grandes supermercados como Hirota e D’avó.

Na OasisLab, os serviços mais procurados são consultorias de transformação digital e as conexões com startups de finalidades específicas. “O motivo se dá pela necessidade do varejista se adaptar às exigências do novo perfil do consumidor, originadas destas novas gerações, que dão ênfase ao mundo digital e às experiências de compra”, explica Biagi.

O empresário relembra as dificuldades encontradas para colocar o projeto em prática. Entre os aspectos trabalhosos estavam: construir um ecossistema de inovação com a participação de vários atores como startups, varejistas, fundos de investimentos, universidades e consultorias; fazer a curadoria e formar uma carteira de startups para  atender aos mais diversos objetivos; e entender as necessidades e colaborar para o atendimento das expectativas do varejo de forma abrangente ,eficiente e customizada – considerando que o segmento é muito grande e complexo e existem empresas de tamanhos diferentes, de ramos diferentes, de maturidade e cultura de inovação diferentes, de grau de tecnologia diferente.

“O negócio coworking é, sem dúvida, uma tendência mundial que já funciona de forma ampla no Brasil. Já os espaços de inovação existem alguns e, na minha opinião, tendem a crescer, inclusive em locais como shopping centers”, diz.