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14/10/2026Inflação mais amena ajuda a recompor o poder de compra das famílias em agosto
Redução na conta de luz e nos combustíveis suavizaram custo de vida para as classes D e E, aponta pesquisa da FecomercioSP
A energia elétrica residencial e os combustíveis aliviaram o custo de vida, especialmente entre as classes menos favorecidas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), em agosto. De acordo com a pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), no oitavo mês do ano, o CVCS apontou leve queda de 0,04%. Com isso, o acumulado do ano recuou para 3,5%.
O quadro de inflação mais amena ajuda a recompor gradativamente o poder de compra familiar, com sinais concretos de melhoria, sobretudo, em razão da acomodação mais consistente dos alimentos. No entanto, a FecomercioSP recomenda cautela, pois parte do alívio está relacionado ao bônus da Itaipu na conta de energia elétrica, que deve se reverter no curto prazo. Além disso, o preço do petróleo, novamente em alta, e as incertezas do cenário eleitoral sobre o câmbio podem influenciar o custo de vida nos lares.
[GRÁFICO 1]
Custo de vida por classe social — série histórica
Fonte: IBGE/FecomercioSP

As classes D e E registraram as maiores quedas do mês, de 0,14% e 0,07% respectivamente, enquanto as classes A e B apontaram estabilidade de 0,01%. O movimento é explicado pelo barateamento da energia elétrica e dos combustíveis, que costumam afetar mais o orçamento das famílias das faixas de renda mais baixas. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, a diferença permanece: classes D (5,39%) e E (5,31%) seguem acima das classes B (4,18%) e A (4,41%), refletindo a composição das despesas de cada faixa de renda [tabela 1].
[TABELA 1]
Custo de vida por classe social — acumulado do ano
Fonte: IBGE/FecomercioSP

Dentre os nove grupos que compõem o indicador, apresentaram queda em agosto habitação (-1,1%) — influenciada pela diminuição de 7,42% no valor da energia elétrica residencial, decorrente do bônus de Itaipu concedido no período —, transporte (-0,73%) e vestuário (-0,23%) [tabela 2].
[TABELA 2]
Custo de vida por classe social — agosto/2026
Fonte: IBGE/FecomercioSP

Com redução de 0,73%, motivada pela queda dos combustíveis no varejo — o etanol recuou 4,6%; a gasolina, 1,2%; e o óleo diesel, 1,5% —, a forte queda na passagem aérea (-8,1%) reverteu a pressão sazonal das férias de julho, quando o item havia disparado.
Os itens do grupo de alimentação e bebidas que haviam disparado no início do ano seguem cedendo de forma consistente, como tomate (-17,8%), batata-inglesa (-17,6%), cebola (-8,5%), cenoura (-8,1%) e repolho (-12,8%), que puxaram o grupo para baixo. Em agosto, o recuo nas carnes — patinho, acém, costela e carne de porco — aliviaram o orçamento familiar. Altas, por sua vez, foram observadas nos laticínios, como iogurte (2,9%) e leite longa vida (1,1%), que refletem menos nos lares.
Por outro lado, despesas pessoais avançou 3,84%, movimento concentrado no cigarro, que subiu 22,1% no período, além de hotéis (2,1%) e serviços de cabeleireiro (1,5%). O mesmo ocorreu com o grupo de artigos do lar, subindo 1,56%, puxado por televisores (3,3%), microcomputadores (3%) e eletrodomésticos. Apesar de saúde ter apresentado variação modesta de 0,13%, segue acumulando 6,54% em 12 meses, mantendo o caráter estrutural do ano.
Nota metodológica
CVCS
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.