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Imprensa

IPCA de julho: desaceleração confirma trajetória de convergência, mas composição pede cautela do Banco Central

O resultado do mês superou a mediana das projeções de mercado, de 0,03%

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho revelou uma desaceleração importante (0,07%) ante o 0,16% registrado em junho. Na avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o resultado consolida espaço para a continuidade do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic) no curto prazo, dado que a inflação corrente e o acumulado em 12 meses seguem dentro da meta.

Contudo, a própria ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) já sinalizava preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação para 2027, o que reforça a necessidade de calibrar o ritmo de flexibilização monetária com base na trajetória futura, e não apenas na fotografia favorável do mês. A composição do índice é, nesse sentido, mais relevante para a decisão de política monetária do que o número cheio de julho.

O resultado do mês superou a mediana das projeções de mercado, de 0,03%. Em sentido amplo, a leitura é favorável, mas merece qualificação: o índice cheio ficou acima do esperado porque a prévia (IPCA-15, de 0,06%) já havia sido tão fraca que analistas passaram a trabalhar com viés de baixa ainda mais acentuado para o fechamento do mês. O dado mais significativo está no acumulado em 12 meses, que recuou de 4,64% para 4,44%, quarto mês consecutivo de desaceleração e patamar que permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação (3%, com banda de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo). No acumulado do ano, o IPCA soma 3,44%, ritmo condizente com a meta central caso não haja reaceleração considerável no segundo semestre.

A composição por grupos ajuda a qualificar o resultado. Habitação foi o principal vetor de alta, acelerando para 0,99%, puxado pelos reajustes tarifários de energia elétrica e pela vigência da bandeira amarela. Saúde e cuidados pessoais também pressionaram, com alta de 0,40%, refletindo reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre planos de saúde. Alimentação e bebidas recuou 0,67% — a maior queda entre os grupos —, puxado pela deflação de itens in natura. Vestuário cedeu, com variação negativa de 0,66%, e educação sofreu leve recuo de 0,03%.

O quadro indica uma dualidade relevante para a leitura de política monetária: os preços administrados e regulados (energia elétrica, planos de saúde etc.) seguem como fonte de pressão estrutural, enquanto os preços livres, sobretudo alimentos in natura e combustíveis, atuam como amortecedor conjuntural, beneficiados por fatores sazonais de safra e acomodação nos preços internacionais de petróleo.

Essa distinção importa. A desinflação observada em julho não decorre de arrefecimento amplo da demanda ou de convergência dos núcleos, mas em boa parte de itens voláteis e de uma base de comparação favorável, efeito que tende a se dissipar. A análise sinaliza que o alívio deve ser temporário, concentrado entre julho e agosto, acelerando no fechamento do ano rumo a algo próximo de 5% no acumulado de 2026.

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