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Sustentabilidade

José Goldemberg recebe Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 por trajetória dedicada à ciência e à sustentabilidade

Presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP é homenageado pela CBL por mais de sete décadas de contribuição à pesquisa, à educação e às políticas públicas

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Referência em energia e sustentabilidade, Goldemberg foi o grande homenageado da noite no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (fotos: Edilson Dias) Referência em energia e sustentabilidade, Goldemberg foi o grande homenageado da noite no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (fotos: Edilson Dias)
Goldemberg, Sevani Matos, presidente da CBL, e Nina Ranieri, curadora do Prêmio Jabuti Acadêmico (fotos: Edilson Dias) Goldemberg, Sevani Matos, presidente da CBL, e Nina Ranieri, curadora do Prêmio Jabuti Acadêmico (fotos: Edilson Dias)
Goldemberg com as assessoras do Conselho de Sustentabilidade, Cristiane Cortez e Alexsandra Ricci (fotos: Edilson Dias) Goldemberg com as assessoras do Conselho de Sustentabilidade, Cristiane Cortez e Alexsandra Ricci (fotos: Edilson Dias)
Referência em energia e sustentabilidade, Goldemberg foi o grande homenageado da noite no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (fotos: Edilson Dias)
Goldemberg, Sevani Matos, presidente da CBL, e Nina Ranieri, curadora do Prêmio Jabuti Acadêmico (fotos: Edilson Dias)
Goldemberg com as assessoras do Conselho de Sustentabilidade, Cristiane Cortez e Alexsandra Ricci (fotos: Edilson Dias)

José Goldemberg, um dos principais nomes da ciência brasileira, foi homenageado como Personalidade Acadêmica de 2026 na terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Realizada na última terça-feira (11), no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, a cerimônia reconheceu mais de sete décadas de contribuição do físico, professor e pesquisador à ciência, à educação, às políticas públicas e à sustentabilidade.

Promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a premiação foi criada em 2024 para valorizar obras acadêmicas, científicas e técnicas e ampliar a visibilidade de autores e editoras desses segmentos. A edição de 2026 reuniu 27 categorias, divididas entre os eixos Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.

Ao receber a homenagem, Goldemberg revisitou uma trajetória que aproximou pesquisa científica e atuação pública. “Tive a oportunidade incomum de participar das atividades científicas do País como pesquisador e na formulação de políticas educacionais e científicas”, afirmou. Para ele, essa experiência também pode ajudar novas gerações a compreenderem “a complexa relação entre pesquisa científica desinteressada e o que o governo e a sociedade que a financia esperam dela”.

A presidente da CBL, Sevani Matos, ressaltou que a premiação reconhece a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica brasileira. Segundo ela, as obras premiadas refletem a diversidade de temas e perspectivas que ampliam a produção de conhecimento e deixam contribuições duradouras à sociedade.

Referência em energia e sustentabilidade

Nascido em Santo Ângelo (RS), em 1928, Goldemberg construiu uma trajetória que o tornou referência internacional em energia e desenvolvimento sustentável. Bacharel e doutor em Física pela Universidade de São Paulo (USP), iniciou sua atividade científica na década de 1950 e dedicou os primeiros anos da carreira à física nuclear, com períodos de pesquisa nas universidades Stanford e de Paris. Mais tarde, voltou seus estudos para energia, meio ambiente e mudanças climáticas.

Um dos marcos dessa trajetória foi a pesquisa sobre o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar como fonte renovável de energia. De acordo com Goldemberg, esses estudos contribuíram para legitimar o programa brasileiro de biocombustíveis, área em que seu trabalho ajudaria a projetar o Brasil internacionalmente como modelo de transição energética e desenvolvimento sustentável.

A experiência também o levou à Universidade de Princeton e à colaboração com pesquisadores de outros países. Desse trabalho nasceu, em 1988, Energy for a Sustainable World, livro que se tornou referência na área e contribuiu para ampliar internacionalmente o debate sobre transição energética.

A ciência, porém, não ficou restrita aos laboratórios e às universidades. Goldemberg levou a experiência acadêmica para a gestão pública, exercendo funções como reitor da USP, ministro da Educação e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além de participar da formulação de políticas científicas e educacionais.

Em seu discurso, relacionou essa trajetória à defesa da autonomia e da responsabilidade da ciência brasileira e encerrou a homenagem apontando para aquilo que considera essencial às próximas gerações: “O futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem”.

A homenagem do Jabuti Acadêmico soma-se a uma extensa lista de distinções recebidas por Goldemberg, como o Blue Planet Prize, concedido no Japão em 2008; o Trieste Science Prize, da Academia Mundial de Ciências (TWAS), em 2010; o Prêmio Zayed Energia do Futuro, em 2013; e o Prêmio Professor Emérito — Troféu Guerreiro da Educação Ruy Mesquita e o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência, ambos em 2014. Em 2007, a revista Time o incluiu entre os 13 “Heróis do Meio Ambiente”, na categoria Líderes e Visionários.

Para a CBL, a escolha como Personalidade Acadêmica reconhece justamente a combinação entre excelência científica, liderança acadêmica e contribuição para as políticas públicas e a sustentabilidade. Ao longo de mais de sete décadas, Goldemberg reuniu contribuições relevantes nos campos da física, da energia, do meio ambiente e da educação.

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