Economia

25/02/2016

“Judicialização da política pública dificulta obras de infraestrutura no Brasil”, diz diretor da SPTrans

Desafio da mobilidade urbana esbarra em processos de licitação demorados e na necessidade de rever o modelo estrutural de transporte

“Judicialização da política pública dificulta obras de infraestrutura no Brasil”, diz diretor da SPTrans

"Tínhamos a pretensão de entregar 150 quilômetros de corredores, porém, conseguiremos efetivar apenas 60", disse Ciro Biderman.
(Reprodução/YouTube/FecomercioSP)

Um sistema de transporte coletivo eficiente não depende apenas da vontade da população. De acordo com Ciro Biderman, especialista em economia urbana e diretor da SPTrans, é preciso superar os atrasos causados pela judicialização das políticas públicas.

Durante entrevista realizada pela plataforma UM BRASIL, o especialista falou sobre a morosidade nos processos de licitação e sobre a necessidade de transparência nos serviços.

“Tentamos construir corredores de ônibus do lado esquerdo, mas foram barrados pelo Tribunal de Contas do Município [TCM]. O processo inicial de licitação também é muito demorado no Brasil. Desapropriação é outro elemento-chave para o trabalho, algo que leva muito tempo pela maneira como é feita hoje. Tínhamos a pretensão de entregar 150 quilômetros de corredores, porém, conseguiremos efetivar apenas 60.”

Ciro acredita que o sistema de transporte em São Paulo passa necessariamente pelo ônibus e que o Bus Rapid Transit (BRT), opção capaz de carregar grande volume de pessoas – como o Transcarioca e o Transoeste, no Rio, e o TransMilenio, em Bogotá, na Colômbia – , seria o modal ideal para desafogar o caos do trânsito nas metrópoles. “Esses modelos carregam mais passageiros do que muito metrô pelo mundo e têm um custo razoável para implementação. Em uma década, seria possível produzir de 300 a 400 quilômetros desse sistema estrutural”, enfatiza.

Apesar de ser uma paixão nacional, pesquisas têm apontado para mudanças de comportamento com relação ao uso do automóvel. “Depois dos protestos que ocorreram em 2013, inundamos São Paulo com faixas exclusivas para ônibus. Acredito que a população ficaria sem graça de falar contra a faixa depois de ter saído às ruas para pedir melhorias no transporte público. No início, as pessoas também se mostraram desfavoráveis às ciclovias. Hoje, duas em cada três apoiam a iniciativa.”

O especialista também falou sobre a influência do trânsito na produtividade e na qualidade de vida das famílias brasileiras. “Um trabalhador pode levar três horas por dia para ir ao trabalho e voltar para casa. Ao pouparmos uma hora nesse trajeto, o ganho em bem-estar dessa pessoa será brutal. Ela poderá dormir algumas horas a mais, o que resultará em uma melhor qualidade no trabalho, ou ajudar o filho a fazer o dever de casa.”

Clique aqui e veja a entrevista completa.

Sobre a série “Inovando o setor público brasileiro”

A entrevista, conduzida pela jornalista Maria Cristina Poli, foi gravada durante o Lemann Dialogue, uma conferência que reúne alunos bolsistas da Fundação Lemann das Universidades de Columbia, Harvard, Illinois e Stanford. O tema desta quinta edição foi “Inovando o setor público brasileiro”.

O conteúdo integra a plataforma UM BRASIL, idealizada pela FecomercioSP, que nesta série conta com a parceria do Columbia Global Center no Rio de Janeiro e do Lemann Center for Brazilian Studies da Universidade Columbia.

As gravações aconteceram em Nova York, entre os dias 16 e 20 de novembro.

Clique aqui e veja a entrevista com o economista Rodrigo Soares.

Cliquei aqui e veja a programação das próximas entrevistas.