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Economia

Juros altos elevam inadimplência de bares, restaurantes e hotéis a recorde de R$ 3,2 bilhões

Crédito em atraso há mais de 90 dias nos segmentos de alojamento e alimentação atingiu o maior valor da série histórica em julho

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Juros altos elevam inadimplência de bares, restaurantes e hotéis a recorde de R$ 3,2 bilhões
O montante corresponde ao estoque de dívidas em atraso, ou seja, ao saldo acumulado, e não a um fluxo mensal de novos vencimentos (Imagem: TUTU)

O ciclo prolongado de juros elevados continua pressionando o caixa das empresas do setor de Turismo. O crédito em atraso há mais de 90 dias nas atividades de alojamento e alimentação somou cerca de R$ 3,2 bilhões em julho, o maior patamar da série histórica. É o que revela um novo estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados do Banco Central (BC) e considerando valores atualizados pela inflação (IPCA).

O montante corresponde ao estoque de dívidas em atraso, ou seja, ao saldo acumulado, e não a um fluxo mensal de novos vencimentos. Já a taxa de inadimplência do segmento está em 9,1%, com alta de 0,66 ponto porcentual (p.p.) em 12 meses.

Uma trajetória de quase três anos de alta
 
Mais do que o número isolado, chama a atenção a trajetória da taxa de inadimplência: desde a mínima histórica de 3,57%, registrada em setembro de 2020 — patamar artificialmente baixo em razão das carências e prorrogações do crédito emergencial concedido durante a pandemia —, o indicador cresceu de forma praticamente ininterrupta (e praticamente triplicou).

O ponto de atenção do estudo, no entanto, está nos últimos 12 meses. O estoque em atraso saiu de cerca de R$ 2,9 bilhões, em julho de 2025, para R$ 3,2 bilhões em julho de 2026 — um avanço de aproximadamente R$ 0,3 bilhão, ou 10,1% em termos reais, ante uma alta de apenas 2,1% na carteira real no mesmo período. Isto é, a piora recente já não decorre apenas do maior volume de crédito concedido, mas de uma expansão da inadimplência em si.

Alimentação sente concorrência e alta de custos
 
No segmento de alimentação, o cenário é pressionado por um consumo ainda limitado, pela forte concorrência — tanto no atendimento presencial quanto no delivery — e pela dificuldade de repassar aos preços o aumento dos alimentos e dos demais custos. A escassez de mão de obra agrava o quadro, ao reduzir a produtividade e limitar os retornos das empresas.

Um caso recente e emblemático é o da rede Habib’s, que entrou com pedido de recuperação judicial. O movimento, no entanto, não se restringe à alimentação: também atingiu o varejo, com os pedidos de recuperação da Casas Bahia e da Marabraz.

Alojamento sente desaceleração após ano forte
 
Já o segmento de alojamento vinha de um 2025 bastante produtivo, com aumento de dois dígitos na taxa de ocupação e na diária média real. Esse desempenho não se repete em 2026 —  muitos estabelecimentos operam, agora, com leve redução na ocupação e alta relativamente modesta na diária, mantendo um RevPAR (receita por quarto disponível) ainda positivo, mas em ritmo mais fraco.

Os custos, porém, seguem subindo e, somados aos juros altos, tornam mais difícil a quitação dos compromissos assumidos no sistema financeiro. Esse esfriamento também aparece em outro indicador da própria FecomercioSP: o faturamento do segmento de alojamento avançou apenas 1,8% no primeiro semestre deste ano, ante alta de 10% no mesmo período do ano anterior.

Como os dados do BC são divulgados de forma conjunta aos dois segmentos, não é possível precisar exatamente quanto do crédito — e do respectivo atraso — cabe a cada um. Ainda assim, os juros elevados e os sinais que vêm sendo observados em ambos apontam para a mesma direção: o aumento da inadimplência.

Reflexo de um cenário mais amplo
 
O estudo pondera que a inadimplência de alojamento e alimentação não é um fenômeno específico do setor, mas acompanha uma tendência mais ampla da economia brasileira, marcada pela desaceleração da atividade e por um ciclo longo de juros elevados — quadro sobre o qual a Federação vem reiteradamente alertando, diante do impacto negativo sobre a economia, os consumidores e as empresas.

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