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Sustentabilidade

Material reciclável é usado como matéria-prima na moda e na construção

Borracha de pneus usados vira calçados e acessórios, enquanto serragem e casca de coco compõem ralos para áreas externas

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Material reciclável é usado como matéria-prima na moda e na construção

Por Jamille Niero

Materiais que iriam para o lixo, como pneus usados e casca de coco, ganharam nova utilidade. Algumas empresas já estão utilizando esses resíduos descartados para elaborar novos produtos – que vão de bolsas e sapatos a material para acabamento em obras. 

No mercado há mais de 10 anos, a Goóc usa material reciclado como matéria-prima para produzir sandálias, chinelos, sapatilhas, tênis, bolsas, mochilas, entre outros. De acordo com a empresa, os solados dos calçados contêm cerca de 60% a 70% de borracha de pneu reciclado. Até 2011, era a própria Goóc que coletava os pneus, triturava e os transformava em uma nova borracha para o solado. Contudo, após sofrer um incêndio nessa fábrica, a empresa optou por terceirizar esse processo. Quem fornece os pneus usados é a Reciclanip, associação criada por fabricantes exclusivamente para a coleta e destinação de pneus no Brasil. As duas linhas de bolsas também são produzidas a partir de material reciclado: uma delas utiliza lonas de caminhão usadas e a outra retalhos de tecidos. 

Segundo a coordenadora de marketing da marca, Ana Paula Motta, a borracha usada, por ser composta em boa parte por pneu, é mais resistente. O fundador da Goóc, o vietnamita Thái Quang Nghiã, trouxe a ideia de aproveitar a borracha de pneus usados ao retornar ao seu país, anos após ser refugiado no Brasil. Lá ele viu os calçados com solado de borracha – inspiradas nas sandálias improvisadas feitas por soldados vietnamitas - sendo entregues como brindes e pensou em produzi-las aqui.  

“Embora seja um produto ecológico, o processo é mais caro. Mas vale a pena pelo valor agregado e porque a qualidade e duração é melhor”, acrescenta Ana Paula. 

A qualidade e maior duração dos produtos proporcionada pelo uso da borracha das câmaras de pneus usados, já vulcanizada, foi o que chamou a atenção de Luciana Vianna.  Ela conta que viu tiras do material em um mercado no Piauí e se interessou. Um tempo depois, teve a ideia de usar como matéria-prima para produzir malas, mochilas, carteiras e acessórios masculinos. Foi aí que surgiu a marca Saissu. 

A empresa tem parceria com duas empresas para coletar os pneus usados. Em seguida, a empresa envia o material para algumas ONGs, que lavam, abrem os pneus e aplicam um produto para hidratar a borracha. 

“Reciclar pode ser bacana e a partir dela podemos criar produtos duradouros, com cara de novo, mais clássicos e chiques, com um ótimo acabamento. Além disso, no futuro a carne e o couro serão muito caros. A borracha de pneu é uma ótima alternativa, já que é um material ‘morto’, tóxico ao meio ambiente se for queimado e é impermeável. Imagina o estrago que faz no subsolo?”, observa Luciana. O desafio é desmistificar a ideia de que material reciclado pode ser usado apenas em artesanato. Em atividade desde o ano passado, a Saissu hoje produz por volta de 100 peças por mês apenas para suas vendas próprias. Mas a produção total varia de acordo com as parcerias que a empresa tem. Uma delas é com a marca de cosméticos masculinos Dr Jones, que encomendou nécessaires exclusivas para kits da marca comercializados na Sephora. Já estão na terceira edição da parceria, para a qual foram produzidas cerca de 500 peças.  

Vale lembrar que apenas nos primeiros cinco meses do ano foram produzidos 30,41 milhões de unidades de pneus, de acordo com dados da Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).

Serragem e casca de coco
Outros materiais além da borracha podem ser reaproveitados como matéria-prima de outros produtos. Utilizando serragem e casca de coco que iriam para o lixo, a Ralo Linear, empresa especializada na produção de ralos, lançou em março deste ano uma linha com tampas que imitam madeira. São dois produtos: um que usa a casca de coco e outro que usa a serragem. Esses materiais correspondem a cerca de 15% da composição de cada ralo. 

“Pensamos em lançar produtos ecologicamente corretos e, ao pesquisar , vimos que seria interessante usar a casca de coco e a serragem não só pelo aspecto ecológico, mas também pela ideia de ‘rusticidade’, indo além de sua função e transformando o ralo em parte da decoração do ambiente”, explica o diretor da empresa, Salmo de Souza. As peças costumam ser usadas para ambientes externos como churrasqueiras, varandas, áreas próximas a piscinas etc. 

Hoje os produtos da Ralo Linear são vendidos em 1.300 lojas especializadas. A produção mensal total, considerando todos os produtos, é de 10 mil peças. A linha nova, que contém os dois produtos com a “pegada ecológica”, corresponde por volta de 7% a 10% do total produzido. A ideia é que alcance, no futuro, 30% do movimento. 

Empresas que apliquem práticas sustentáveis no seu dia a dia e no próprio negócio podem concorrer ao 5º Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, que está com as inscrições abertas. Clique aqui para conferir o regulamento. 

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