Sustentabilidade

23/06/2015

Medidas simples e tecnologia deixam a casa mais sustentável

Morador deve sempre avaliar o custo de cada mudança

Medidas simples e tecnologia deixam a casa mais sustentável

Por Jamille Niero

Em uma casa sustentável tudo deve estar integrado. Além disso, é importante aproveitar elementos como o vento, a chuva, a luz diurna e o ar noturno. Dentro da edificação, os sistemas e equipamentos devem propiciar o controle da temperatura, umidade, ventilação e iluminação, proporcionando o conforto necessário a cada um dos espaços planejados. Coberturas verdes, a conversão in loco de energia eólica em elétrica ou o tratamento de águas servidas também são medidas bem-vindas. 

Na avaliação de Virgílio Almeida Medeiros, engenheiro eletricista e autor da cartilha Casa Sustentável, publicação do Sindicato dos Engenheiros de Minas Gerais (Senge-MG), não existe solução mágica. É necessário pensar em ideias que tragam consequências boas no longo prazo e soluções práticas no dia a dia. 

“Não podem ser soluções amadoras que geram problemas futuros. Hoje vemos a falta de água e muitas pessoas armazenando em qualquer recipiente. Pode ser bom em emergências, mas o ideal seria reaproveitar a água de chuva em um depósito decente, com cimento, coberto, isolado termicamente e livre de contaminações bacterianas. As soluções têm que ser planejadas”, exemplifica. 

O diretor da Inovatech Engenharia, consultoria de sustentabilidade para a construção civil, Luiz Henrique Ferreira, concorda com a importância do planejamento. De acordo com ele, o primeiro passo para tornar um edifício existente sustentável é uma análise minuciosa da situação atual, avaliando se a construção atende aos critérios de sustentabilidade. 

Quatro pontos são importantes nessa avaliação: os materiais de construção usados na obra, a ecoeficiência (se há sistemas de gestão da água, da energia e dos resíduos gerados), o conforto e a saúde dos usuários. A partir deles é possível pensar em como adaptar o local. 

“Se há um banheiro mal ventilado, que mofa muito, afeta a saúde de quem mora ali e a ecoeficiência na manutenção, que é alta e gera muito resíduos – é maior a quantidade de vezes que os proprietários precisam raspar o mofo e pintar a parede. Gera mais gasto e mais entulho do que se trocassem a janela, optando por uma maior”, exemplifica o diretor da Inovatech. Para ser mais eficaz, a avaliação e o planejamento devem ser feitos por profissional especializado. 

Ele explica ainda que existe uma interdependência entre os quatro pilares. Não adianta priorizar o conforto e comprometer a ecoeficiência da residência, instalando ar condicionado em todos os quartos, porque aumentará o consumo de energia. Além disso, nem sempre opções tecnológicas são as melhores. 

Seguindo o exemplo do banheiro, vale mais a pena gastar em uma reforma para mudar a janela de lugar ou mesmo instalar uma maior, do que investir em algum aparelho eletrônico para tirar a umidade do lugar, que gastará muita energia o ano todo. Segundo Ferreira, deve-se sempre pensar primeiro em soluções passivas, que não dependem do usuário. Se não funcionar, é importante partir para as soluções ativas – como as que envolvem tecnologia, que normalmente geram custo e demandam manutenção constante. 

Qualquer casa pode ser adaptada para ser mais sustentável, mas é preciso avaliar caso a caso. Ao fazer alguma adaptação, é preciso pensar ainda em questões como segurança e acessibilidade. Optar por portas e corredores com largura suficiente para passar uma cadeira de rodas, instalar barras de apoio nos banheiros e reduzir ao máximo o número de escadas são medidas que, no longo prazo, podem ser úteis no futuro, quando os moradores envelhecerem. Além disso, casas sustentáveis e acessíveis são mais valorizadas. “Ter uma casa na árvore é muito bacana, mas quando tiver 90 anos não vou conseguir subir. É mais interessante já fazê-la toda térrea, adaptada, com facilidades para molhar o jardim, pois é uma reforma a menos que terá que fazer no futuro”, comenta Medeiros. 

Custos
Para tornar uma casa mais sustentável é possível adotar desde medidas zero custo – como separar o lixo orgânico do lixo reciclável – até medidas mais caras, como instalar painéis para aquecimento solar no telhado. Tudo dependerá do quanto o morador está disposto a gastar e em quanto tempo ele espera que o investimento se pague. 

“Um sistema de aproveitamento de água de chuva pode custar de R$ 600 a R$ 3 mil. O proprietário deve calcular o quanto usa e quanto tempo levará para o investimento se pagar para optar por qual sistema ele quer instalar: se é o mais caro ou o mais barato”, aponta Ferreira. Medeiros concorda: “tudo tem solução, mas também tem seu preço. Mas vale pensar que terá um ganho no futuro. Você vai deixar de gastar lá na frente”. 

Por fim, mais do que adquirir uma tecnologia mais eficiente, é preciso saber usá-la de forma adequada. De que adianta ter um vaso sanitário com bacia acoplada que permite dois tipos de descarga (mais e menos litros), mas em todas as ocasiões apertar sempre o botão que gasta mais? Ou, ainda, trocar todas as lâmpadas incandescentes pelas de LED, mas deixar a luz acesa em um quarto vazio. Tornar uma casa mais sustentável passa também e, principalmente, pela mudança de hábitos dos seus moradores. 

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