Economia

15/02/2019

Mercado de trabalho do atacado paulista tem melhor ano desde 2013

Segundo a FecomercioSP, contudo, houve perda de empregos em dezembro

São Paulo, 15 de fevereiro de 2019 – O comércio atacadista no Estado de São Paulo sofreu baixa no mês de dezembro: foram fechadas 828 vagas com carteira assinada, resultado de 11.848 admissões contra 12.676 desligamentos. Contudo, o setor encerrou o mês com um estoque ativo de 507.211 empregos formais – alta de 1,8% em relação ao mesmo período de 2017. Durante 2018, 9.061 postos de trabalho formais foram abertos, o melhor resultado para um ano fechado desde 2013. Em relação ao ano anterior, houve evolução de 46%.
 
Os dados são da Pesquisa de Emprego no Comércio Atacadista do Estado de São Paulo (PESP Atacado), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base nos dados do Ministério do Trabalho, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), e das informações sobre movimentações declaradas pelas empresas do atacado paulista. A pesquisa mostra o comportamento do mercado de trabalho formal no comércio atacadista em 16 regiões e dez ramos de atividades.
 
Em dezembro, seis dos dez segmentos pesquisados registraram saldo negativo, com destaque para os de eletrônicos e equipamentos de uso pessoal (-453 vínculos) e vestuário, tecidos e calçados (-311 vagas). Por outro lado, os grupos de outras atividades (267 empregos) e de alimentos e bebidas (262 postos de trabalho) abriram o maior número de vagas em dezembro.
 
Durante o ano de 2018, o destaque ficou por conta do comércio atacadista de máquinas de uso comercial e industrial (2.408 vínculos) e produtos farmacêuticos e higiene pessoal (1.811 empregos), o que representa aumentos de 4,7% e 3%, respectivamente, no estoque de empregados em relação a dezembro de 2017.

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, apesar de o ciclo de cinco meses seguidos de criação de emprego ter sido interrompido, o saldo negativo de dezembro não é preocupante, pois é uma sazonalidade conhecida de dispensas após o incremento empresarial ao fim do ano. Ainda assim, 9 mil vagas foram criadas. Somados os anos de 2017 e 2018, 60% dos postos de trabalho perdidos entre 2015 e 2016 foram recuperados. Além disso, em 2018, todos os grupos de atividades avaliadas tiveram mais admissões do que desligamentos, destaques especiais aos ramos de alimentos e bebidas e produtos farmacêuticos, muito influenciados pela venda direta às famílias e pequenos empreendedores, e também aos grupos atacadistas de máquinas e papel, resíduos, sucatas e metais, ambos puxados para cima por uma economia mais acelerada.
 
Para a Federação, 2019 dá indícios de ser mais um ano de recuperação do mercado de trabalho celetista do atacado paulista. A expectativa é de que o restante de vagas perdidas nos piores momentos da crise sejam recuperadas. Para isso, a economia deve continuar em ritmo mais acelerado de crescimento, com estabilidade de inflação e juros, fortalecimento da demanda com renda formal e estabilidade no campo fiscal.
 
Atacado paulistano
Na cidade de São Paulo, o comércio atacadista fechou 725 vagas celetistas em dezembro, puxado pela atividade de vestuário, tecidos e calçados, que encerrou 291 vínculos, seguida pelo setor de  eletrônicos e equipamentos de uso pessoal, com 287 desligamentos. O único segmento com saldo positivo em dezembro foi o de alimentos e bebidas (214 vínculos). Entretanto, o atacado paulistano encerrou o mês com um estoque ativo de 209.063 trabalhadores formais, alta de 1,3% em relação a dezembro de 2017.
 
Durante 2018, 2.729 vagas foram geradas, com destaque para os atacados de produtos farmacêuticos e higiene pessoal (874 vínculos) e de alimentos e bebidas (712 vagas).
 
Nota metodológica
A Pesquisa de Emprego no Comércio Atacadista do Estado de São Paulo (PESP Atacado) analisa o nível de emprego do comércio atacadista. O campo de atuação está estratificado em 16 regiões do Estado de São Paulo e dez atividades do atacado: alimentos e bebidas; produtos farmacêuticos e higiene pessoal; vestuário, tecidos e calçados; eletrônicos e equipamentos de uso pessoal; máquinas de uso comercial e industrial; material de construção, madeira e ferramentas; produtos químicos, metalúrgicos e agrícolas; papel, resíduos, sucatas e metais; energia e combustíveis; e outras atividades. As informações são extraídas dos registros do Ministério do Trabalho por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e das informações sobre movimentação declaradas pelas empresas do atacado paulista.