Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Economia

Mundo deixa fase intensiva em globalização para viver era da geopolítica, afirma Marcos Troyjo

Consultor de Relações Internacionais da FecomercioSP analisa os impactos das transformações globais sobre o Brasil durante painel promovido pela Federação em evento do RenovaBR

Ajustar texto A+A-

Marcos Troyjo, economista, cientista político, diplomata e consultor de Relações Internacionais da FecomercioSP Marcos Troyjo, economista, cientista político, diplomata e consultor de Relações Internacionais da FecomercioSP
Marcos Troyjo, economista, cientista político, diplomata e consultor de Relações Internacionais da FecomercioSP

O mundo deixou para trás uma fase intensiva em globalização para ingressar em uma era marcada por disputas geopolíticas cada vez mais relevantes. Com essa avaliação, Marcos Troyjo, economista, cientista político, diplomata e consultor de Relações Internacionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), abriu sua apresentação para alunos e lideranças em formação do RenovaBR, uma das maiores escolas de formação política do País. 

Em painel FecomercioSP, o economista analisou como conflitos internacionais, sanções econômicas, mudanças demográficas e a reorganização das cadeias globais de produção vêm redefinindo investimentos, fluxos comerciais e oportunidades de crescimento para países como o Brasil.

Segundo Troyjo, o mundo passa por uma transição histórica. Se, há duas décadas, predominava uma lógica baseada na expansão do comércio internacional, na integração produtiva e na redução de barreiras econômicas, hoje, fatores geopolíticos passaram a exercer influência crescente sobre decisões de investimento, produção e comércio.

Como exemplo, o economista citou os reflexos provocados pela guerra na Ucrânia, pelas sanções econômicas impostas a diversos países e pelas mudanças nas estratégias corporativas globais, que passaram a incorporar riscos geopolíticos em suas decisões de negócios.

Ao analisar o cenário norte-americano, Troyjo destacou que os Estados Unidos continuam exercendo forte influência sobre os fluxos globais de investimento. Segundo ele, a combinação entre inovação tecnológica, ganhos de produtividade, incentivos fiscais e políticas de reindustrialização tem fortalecido a economia do país norte-americano e ampliado sua capacidade de atrair capital produtivo. O resultado é uma competição cada vez mais intensa entre as nações pela atração de investimentos e pela inserção nas novas cadeias globais de produção. 

Para o economista, a crescente competição global por investimentos evidencia gargalos históricos da economia nacional. Ele cita como exemplos a elevada carga tributária, a burocracia e os custos do ambiente de negócios, que limitam a capacidade do País de atrair capital produtivo em um cenário internacional cada vez mais competitivo e seletivo.

Estratégia chinesa 

A segunda dinâmica destacada por Troyjo foi a transformação da estratégia chinesa. Após décadas de crescimento apoiado na abertura econômica e na integração comercial global, a China passou a adotar uma postura voltada para a redução de vulnerabilidades externas.

“A China quer ficar menos dependente do maior número possível de países e, ao mesmo tempo, trabalhar para que o maior número possível de países fique dependente dela”, afirmou. Segundo o consultor de Relações Internacionais da FecomercioSP, esse movimento tem potencial de refletir diretamente nas cadeias globais de suprimentos, setores tecnológicos e o comércio internacional.

Ao abordar a relação entre Brasil e China, Troyjo ressaltou que algumas limitações estruturais da economia chinesa ajudam a explicar a continuidade da demanda por produtos brasileiros. Segundo ele, a escassez de recursos hídricos no país asiático restringe sua capacidade de expandir a produção agrícola em determinadas áreas, tornando a importação de commodities uma necessidade estratégica.

“A China não tem água suficiente para produzir tudo aquilo que consome. Por isso, continuará precisando importar produtos como a soja brasileira. A complementaridade entre as duas economias e a confiança construída ao longo dos anos na relação bilateral também ajudam a sustentar essa relação comercial”, afirmou. 

África e Ásia concentrarão crescimento populacional

Dentre as tendências estruturais de longo prazo, Troyjo citou as mudanças demográficas que devem moldar a economia global nas próximas décadas.

De acordo com o especialista, dos atuais 193 países do mundo, apenas nove concentrarão praticamente todo o crescimento populacional até 2050. Cinco deles estarão na África, sendo eles Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia e Uganda, enquanto os demais serão Estados Unidos, Índia, Paquistão e Indonésia.

O economista acredita que a combinação entre crescimento populacional, urbanização e expansão econômica nessas regiões deverá impulsionar a demanda por alimentos, infraestrutura, energia, mobilidade e recursos naturais, criando oportunidades para países exportadores.

Emergentes

Outro fenômeno apontado Troyjo é o avanço do protagonismo das economias emergentes. Segundo ele, o chamado E7, formado por China, Índia, Brasil, Indonésia, México, Turquia e Egito, já contribui mais para o crescimento da economia mundial do que o tradicional G7, grupo que reúne as principais economias desenvolvidas.

Troyjo ainda alertou para o crescimento acelerado da Índia, que recentemente ultrapassou a China como país mais populoso do planeta. Na sua avaliação, a expansão da renda e do consumo nos grandes mercados emergentes representa uma oportunidade histórica para nações capazes de fornecer alimentos, energia e minerais.

“O crescimento dos países emergentes oferece ao Brasil uma oportunidade extraordinária de gerar excedentes por meio de áreas em que tem vantagens competitivas, como alimentos, minérios e minerais críticos”, afirmou.

Ao concluir a palestra, Troyjo argumentou que o Brasil reúne características cada vez mais valorizadas no contexto internacional. Segundo ele, poucos países contam, simultaneamente, com capacidade de produção de comida, abundância de recursos naturais, diversidade energética e posicionamento diplomático capaz de dialogar com diferentes polos de poder, como Estados Unidos, Europa e China.

O especialista também frisou que a nova revolução tecnológica, estimulada por Inteligência Artificial (IA), robótica, datacenters, novos materiais e computação avançada, exigirá volumes crescentes de energia, minerais críticos e infraestrutura, áreas nas quais o Brasil tem vantagens competitivas importantes.

“O mundo está redistribuindo as cartas. E o Brasil tem a oportunidade de receber um jogo melhor do que aquele que tinha antes. O desafio é saber aproveitar essas oportunidades”, concluiu.

Parceria entre RenovaBR, FecomercioSP e Canal UM BRASIL

Segundo Rodrigo Cobra, diretor-executivo do RenovaBR, “Troyjo trouxe para os nossos líderes uma leitura precisa do momento geopolítico mundial e de como o Brasil pode consolidar a posição de protagonista. É exatamente esse tipo de visão estratégica que a nova geração de lideranças políticas precisa ter”.

Além do Painel FecomercioSP, realizado no dia 12 de junho com a análise do economista, o dia seguinte foi marcado pelo Painel Canal UM BRASIL. O evento promoveu um debate sobre liderança, gestão pública e capacidade de entrega do Estado, no âmbito do programa de formação Caminhos da Renovação, do RenovaBR.

O debate foi mediado pelo cientista político Humberto Dantas e contou com a participação de Jéssica Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, e Cristina Castellan, diretora de Lideranças da Fundação Lemann. O conteúdo está previsto para ser divulgado no dia 10 de julho nos canais digitais do Canal UM BRASIL e da FecomercioSP.

O evento também marcou o lançamento da nova edição do livro UM BRASIL #12 — Brasil, o país das contradições. Todos os participantes da formação de líderes do RenovaBR receberam exemplares da obra.

Inscreva-se para receber a newsletter e conteúdos relacionados

* Veja como nós tratamos os seus dados pessoais em nosso Aviso Externo de Privacidade.
Fechar (X)