Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Economia

“Ninguém pode ser contra a responsabilidade fiscal”, diz Gustavo Franco

Para economista, PEC do teto dos gastos deve impedir que gerações futuras sejam punidas pelas despesas presentes

Ajustar texto A+A-

“Ninguém pode ser contra a responsabilidade fiscal”, diz Gustavo Franco

"Se continuar do jeito que está, o Brasil quebra", diz Gustavo Franco sobre o avanço da dívida pública
(Christian Parente/TUTU)

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um teto para os gastos públicos deve ensinar à população que o dinheiro tem limite, segundo avaliação do economista Gustavo Franco.

Em entrevista ao UM BRASIL, Franco diz que a proposta, se aprovada, deve impedir que o Estado tribute os mais pobres, através da inflação, e as gerações futuras, por meio da dívida pública, que são recursos utilizados em situações em que os gastos superam os recursos arrecadados.

“Ninguém é contra a responsabilidade fiscal. Ninguém pode ser contra ser responsável. O teto é parte dessa ideia. Ninguém pode ir além do teto, é um privilégio. Isso não cabe em uma sociedade já tão cheia de gente que não tem privilégio”, afirma.

Para o economista, o Brasil vive um ajuste entre sonhos e limitações. Os sonhos são as despesas do Estado e tudo o que a população quer que seja realizado pelo setor público. No entanto, os recursos são escassos, de uma maneira que se endivida o País e as próximas gerações. Além disso, ele aponta o problema do sistema previdenciário, que já sinaliza que não terá como arcar com as aposentadorias futuras.

“O sistema está meio que falido em dois níveis: já temos uma dívida muito grande e outra contingência maior que é o sistema previdenciário”, diz Franco.

De acordo com o economista, a proposta que estabelece o teto para os gastos públicos deve impedir a trajetória ascendente da dívida interna.

“A dívida pública já ultrapassou R$ 3 trilhões, são 70% do PIB [Produto Interno Bruto], e do jeito que vai pode chegar a 90%. Se continuar do jeito que está, o Brasil quebra, e dessa vez não é quebrar contra o estrangeiro por causa da dívida externa. Se trata da capacidade de o Estado pagar a dívida interna.”

Com relação às discussões sobre os recursos federais para áreas como educação e saúde, Franco diz que é necessário fazer uma revisão do Orçamento da União e discutir tributação.

“É preciso discutir impostos. Se querem mais dinheiro para a educação e saúde, precisa-se discutir impostos. Se ninguém quer imposto, se ninguém quer reduzir nada, como é que vamos resolver?”, questiona.

Na entrevista, Gustavo Franco também comenta as amarras do Orçamento federal, as privatizações como alternativa para reduzir o peso do setor público e as dívidas dos Estados.

Confira abaixo na íntegra:

Fechar (X)