Editorial
27/05/2026Período eleitoral não pode ser carta branca para avanços populistas
Durante plenária, especialistas discutem cenário eleitoral e condições do Brasil na Copa, uma das datas mais relevantes para o Comércio
O cenário eleitoral indica que o segundo turno das eleições presidenciais deverá mesmo ser disputado pelo presidente Lula e pelo senador Flávio Bolsonaro, não havendo espaço para o crescimento expressivo de outra candidatura viável, de acordo com as percepções dos eleitores que as pesquisas estão captando.
A avaliação é do cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice, que participou da Plenária de maio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), ao lado do jornalista esportivo, escritor e produtor de filmes Mauro Beting. Noronha não acredita na desistência do senador do PL em razão do contexto político envolvendo a sua candidatura.
O cientista político disse que, se eleito, Flávio Bolsonaro teria mais condições de empreender reformas estruturais, como a Administrativa, e de manter uma relação mais estável com o Congresso. Em contrapartida, seria cobrado para investir em uma agenda política que acene para a sua base, o que poderia resultar em confrontos institucionais e insegurança jurídica.
O presidente Lula, por sua vez, se reeleito, tende a manter o foco na questão social, com um aumento na arrecadação tributária para custear os programas. O petista, segundo Noronha, deve permanecer com uma postura mais modesta quanto às reformas. No campo político, ainda teria uma relação difícil e instável com o Congresso. Por fim, teria de gastar energia para construir o seu sucessor.
O vice-presidente da Arko Advice demonstrou com pesquisas que, historicamente, a popularidade e a aprovação dos governos dos presidentes em exercício melhoram no ano eleitoral, o que acontece desde Fernando Henrique Cardoso, no fim da década de 1990. Na sua avaliação, o principal motivo é que o presidente em exercício investe em “pacotes de bondade” para aumentar suas chances nas urnas.
Ainda assim, ao que tudo indica, meses antes do pleito, o resultado final das urnas no segundo turno não será decidido por uma diferença superior a 4 pontos porcentuais (p.p.) entre os dois candidatos. No entanto, opinou que “Lula tem, no momento, um leve favoritismo”.
Para a FecomercioSP, ainda que o ambiente eleitoral, tradicionalmente, seja movido por paixões e torcidas, é importante que os candidatos à Presidência de República e aos governos estaduais foquem na apresentação de propostas e programas de governo que combatam os entraves à produtividade e às condições de crescimento dos negócios, bem como o alto endividamento da população e a informalidade.
O mesmo vale para as eleições legislativas: os parlamentares não devem ter receio de atuar contra projetos populistas que, apesar do grande apelo popular, terão um imenso custo fiscal ou resultarão em uma produtividade ainda mais estagnada, como a redução da jornada 6x1.
Os favoritos da Copa
Em palestra durante a reunião das diretorias da FecomercioSP e do Cecomercio na plenária, Beting avaliou as condições que o Brasil tem para se sair bem na Copa do Mundo deste ano, um evento com grande apelo popular com capacidade de mobilizar todas as regiões do País durante semanas. O Comércio está de olho no resultado dos jogos, uma vez que são esses os indicadores de quanto tempo os negócios poderão manter suas ações de vendas.
“O time de um país pode estar bem preparado e perder a Copa, assim como um comerciante pode fazer tudo certo e não obter sucesso nos negócios por causa de outros fatores”, disse. Na sua opinião, o Brasil não será o campeão, mas pode surpreender e disputar, por exemplo, o terceiro lugar. Ele apontou, como favoritos, Espanha, França e Portugal. “Mas, com 48 seleções em jogo, tudo pode acontecer”, ressalvou.
I(N)ova
Na ocasião, o presidente do Conselho do Comércio Varejista da FecomercioSP, Antonio Deliza Neto, convidou os dirigentes de Sindicatos a aproveitarem a riqueza do Programa I(N)ova, que oferece as ferramentas, o conhecimento e o apoio estratégico para que as entidades se tornem mais relevantes, inovadoras e indispensáveis às empresas que representam.