Sindicatos
14/05/2026Piracicaba sedia reunião regional com debates estratégicos para o Varejo
Encontro, realizado pelo Sincomercio Piracicaba, reuniu lideranças empresariais com o objetivo de discutir jornada de trabalho, empreendedorismo e transformação digital
O possível fim da escala 6x1 e os impactos econômicos para o setor produtivo estiveram no centro das discussões da reunião da Câmara Regional Sudeste do Conselho do Comércio Varejista (CCV), órgão da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), realizada na última terça-feira (5), pelo Sindicato do Comércio Varejista (Sincomercio) de Piracicaba. O encontro reuniu representantes de oito sindicatos patronais da região para discutir temas considerados estratégicos para os empresários do comércio varejista.
Durante a reunião, a Federação alertou para os impactos do possível fim da escala 6x1 e da redução da jornada semanal de trabalho por imposição legal. Um estudo da Entidade estima uma elevação de até R$ 158 bilhões na folha de pagamentos em um cenário conservador. Além disso, a redução da jornada de 44 para 40 horas pode elevar o custo da hora trabalhada entre 10% e 22%, muito acima do padrão histórico, de 1% a 3%. Esse choque de custos, sem ganhos de produtividade, comprometeria a competitividade das empresas e poderia inviabilizar operações, sobretudo em setores intensivos em mão de obra.
A FecomercioSP também destacou que Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) seriam as mais afetadas, principalmente nos setores de comércio, construção e agronegócio, que dependem de operação contínua e mão de obra intensiva. De acordo com a Federação, o aumento dos custos pode reduzir contratações, pressionar preços, diminuir a competitividade e até inviabilizar negócios.
Para além dos prejuízos às empresas, a ideia de mudar a jornada de trabalho por via legal ou constitucional afetará prefeituras, governos estaduais e até mesmo a União, que adotam o modelo de terceirização de serviços e, dessa forma, terão que arcar com a elevação da folha de pagamento das empresas contratadas.
Diante disso, a Entidade reforçou o posicionamento de que mudanças na jornada de trabalho devem ocorrer por meio de negociação coletiva, respeitando as particularidades de cada setor econômico. A FecomercioSP e seus Sindicatos filiados vêm atuando de forma permanente no Congresso Nacional, no Executivo e junto a autoridades de diferentes instâncias para sensibilizar parlamentares e defender um diálogo equilibrado sobre o tema.
A reunião — que teve como anfitrião o presidente do Sincomercio Piracicaba, Itacir Nozella — contou com as participações do presidente em exercício da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua Júnior, do assessor jurídico Paulo Igor de Souza e da assessora Kelly Carvalho, ambos também da Federação, além do presidente do Conselho do Comércio Varejista da Entidade e do Sincomercio Araraquara, Antônio Deliza Neto. Também estiveram presentes representantes de Sindicatos Patronais pertencentes à Câmara Regional Sudeste nas cidades de Itu, Campinas, Rio Claro, Jundiaí, Itapira, Itapeva e Americana.
“Receber uma reunião regional da FecomercioSP em Piracicaba é motivo de grande satisfação para o nosso Sindicato, especialmente por promover discussões tão relevantes e atuais para os empresários do Varejo. São temas que impactam diretamente a competitividade das empresas e o ambiente de negócios, reforçando a importância da atuação sindical e do diálogo permanente com o setor produtivo”, destacou Nozella.
Empreendedorismo e transformação digital
Além do debate sobre jornada de trabalho, a programação também trouxe conteúdos voltados para o fortalecimento da atividade empresarial. Em palestra conduzida pelo assessor Paulo Igor, foram abordadas estratégias para aumentar as chances de sucesso ao empreender no setor, com destaque para planejamento financeiro, escolha do ponto comercial, definição do regime tributário e formalização adequada da empresa. O conteúdo reforçou ainda a importância do conhecimento do mercado e da estruturação jurídica correta para garantir sustentabilidade aos negócios.
Outro tema apresentado foi a transformação digital no Varejo, conduzido pela economista Kelly Carvalho. A especialista destacou que o setor enfrenta pressão crescente sobre margens em razão dos juros elevados, da concorrência digital e do novo perfil do consumidor, cada vez mais conectado e sensível a preços. Segundo a economista, investir em canais digitais, integração entre plataformas, uso de dados e estratégias omnichannel deixou de ser diferencial para se tornar condição essencial de competitividade e sobrevivência no mercado atual.