Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Economia

21/09/2016

Política brasileira vive crise de representação, dizem especialistas

Corrupção e coalizão partidária são alguns dos motivos para afastar o eleitor

Ajustar texto: A+A-

Política brasileira vive crise de representação, dizem especialistas

Para historiador e cientista político Boris Fausto, reforma política deve estabelecer uma ligação entre representante e representados

O brasileiro costuma se sentir distante dos políticos eleitos, principalmente dos congressistas, dizendo não se ver representado no Parlamento. Se por um lado a composição do Legislativo é feita pela população, por outro esse sentimento demonstra uma crise de representação política. O cidadão não se vê entre aqueles que tomam as decisões.

Em entrevista à plataforma Voto, conteúdo produzido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em 2014, especialistas e acadêmicos citam, entre os motivos para esse sentimento de falta de representatividade, a corrupção, o presidencialismo de coalizão e a dificuldade para o surgimento de novas lideranças.

“A premissa fundamental de uma reforma política é fazer com que as instituições representativas, em particular o Congresso, sejam efetivamente representativas da cidadania. Que se consiga minimamente estabelecer um liame, que hoje praticamente não existe, entre o representado e o suposto representante. Esse problema é universal, de todas as democracias, com maior ou menor gravidade”, diz o historiador e cientista político Boris Fausto.

Para o cientista político Christian Lohbauer, o Poder Executivo também tem sua contribuição para propagar a crise de representatividade, ao comportar no governo partidos sem ideais em comum.

“A composição do Executivo hoje é uma demonstração de união partidária entre a base de governo. É uma demonstração clara de que só se consegue governar trazendo todos os partidos que compõem a sua base, seja lá o que eles signifiquem do ponto de vista ideológico e programático. Isso é uma falência”, afirma Lohbauer.

Outro ponto destacado pelos entrevistados para o afastamento entre representantes e representados é a corrupção. Segundo o cientista político Bolívar Lamounier, o cidadão passa a achar que a política não visa ao propósito do bem comum.

“O nosso clima político tem estado muito tenso há muitos anos. Claro que quando entra o assunto corrupção piora muito mais. Desde 2005, com o mensalão, o tema corrupção tem estado em pauta continuamente. O cidadão abre o jornal e fala ‘então toda a política é corrupção, não serve para outra coisa’. É claro que esse é um julgamento errado. Mas, na medida em que essa situação se perpetua, é isso que as pessoas pensam”, opina Lamounier.

O jurista Luiz Flávio Gomes aponta que, atualmente, o sistema político só permite que pessoas com poder econômico possam se destacar. Dessa maneira, o cidadão comum se sente ainda mais distante do universo político.

“No atual contexto, as novas lideranças só surgem [entre] os que têm dinheiro. É impossível uma nova liderança que não tenha dinheiro. Você não consegue romper o custo de uma campanha política”, afirma o jurista.

Acesse a plataforma Voto e veja a opinião de outros especialistas sobre a crise de representatividade na política brasileira.