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Negócios

03/08/2018

Poucas empresas usam instrumentos de financiamento para exportar

Crédito à exportação concedido às empresas pode se tornar um diferencial em um ambiente competitivo

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Poucas empresas usam instrumentos de financiamento para exportar

Precariedade da infraestrutura brasileira e a falta de investimentos na área também prejudicam as empresas exportadoras
(Arte: TUTU)

A maioria dos exportadores brasileiros não utiliza instrumentos de financiamento para a atividade em decorrência da dificuldade de acesso às informações e das exigências de garantias para aquisição de crédito. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirma esse comportamento. Segundo dados de 2016, 66,8% das empresas não utilizavam (ou pouco utilizavam) algum instrumento de financiamento para exportar.

O crédito à exportação concedido às empresas pode se tornar importante diferencial em um ambiente competitivo. A simplificação do processo para adquirir financiamento para essa atividade facilitaria o acesso das empresas, além de ampliar o conhecimento sobre o tema e reduzir a burocracia.

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Os custos logísticos são outro entrave às exportações. O estudo “Competitividade Brasil – 2017-2018”, da CNI, aponta que a precariedade da infraestrutura brasileira e a falta de investimentos na área prejudicam as empresas exportadoras. Nos dois últimos anos, os investimentos em infraestrutura representaram apenas 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), taxa insuficiente até mesmo para repor a depreciação do estoque de capital do setor.

Na análise da CNI, realizada com 18 países com nível de desenvolvimento e/ou tamanho similares ao Brasil e que competem em terceiros mercados com uma inserção internacional parecida à brasileira e países vizinhos, o País ocupa a 17ª colocação no item “infraestrutura e logística”.

O processo logístico para exportação envolve todos os procedimentos para envio da mercadoria para o exterior, desde o planejamento de adaptação do produto para a viagem até o deslocamento para o destino final. O processo é complexo e exige planeamento para que a remessa chegue ao cliente estrangeiro no menor período de tempo e com menor custo de operação. Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), investimentos em modernização da infraestrutura e dos meios de transporte são fundamentais para atingir esse objetivo.

No processo, os padrões de qualidade do produto precisam ser mantidos e, por isso, deve-se analisar qual modal será mais adequado e o tipo de armazenagem dos produtos necessários no transporte. Neste último, principalmente para longas distâncias, deve-se atentar à necessidade de refrigeração e embalagens especiais, por exemplo. Também é importante contratar um seguro para a carga e monitorar o deslocamento da remessa até que está chegue ao destino.

Além disso, trâmites burocráticos dos processos de comércio exterior também devem ser considerados, como licenças, procedimentos fiscais de despachos aduaneiros, taxas a serem pagas e documentação em geral.

A implementação do Novo Processo de Exportações do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) busca facilitar alguns trâmites, como a adoção da Declaração Única de Exportação (DU-E), com o objetivo de eliminar algumas etapas e redução de tempo em despachos aduaneiros – o que pode facilitar a gestão da exportação da mercadoria.

O conhecimento das regras e/ou acordos internacionais é de grande importância para um processo de exportação, já que alguns países podem ter determinadas exigências internacionais, enquanto outros, em razão de acordos, podem isentá-las. Essas exigências são definidas como barreiras não tarifárias, que nem sempre estão protegidas por acordos bilaterais ou multilaterais de facilitação de comércio, pois podem ser determinadas por governos regionais ou municipais à margem dos acordos firmados entre Estados. Existem quotas de importação (restrição à quantidade de produto que é importado); exigências ambientais e fitossanitárias; e especificidades de embalagem e de informação apresentada no rótulo dos produtos.

Por causa da complexidade do processo, poucas são as empresas brasileiras responsáveis por todas as etapas pertencentes ao comércio exterior. Muitas terceirizam atividades operacionais pois, com exceção de minérios, combustíveis e grãos que demandam instalações portuárias específicas e navios dedicados, as operações são efetuadas por uma empresa de logística.