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Imprensa

Público 50+ amplia consumo e abre novas oportunidades para o atacado

Brasileiros maduros movimentam R$ 1,8 trilhão e estão mais digitais, conectados e dispostos a consumir, exigindo novas estratégias de produtos, canais e atendimento

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Público 50+ amplia consumo e abre novas oportunidades para o atacado
Com 62 milhões de pessoas acima dos 50 anos e um consumo que movimenta R$ 1,8 trilhão, a chamada economia prateada já influencia a demanda por produtos, serviços e experiências, abrindo uma frente de oportunidades para o comércio atacadista

A idade do consumidor brasileiro está mudando, mas parte do mercado ainda não acompanhou essa transformação. Com 62 milhões de pessoas acima dos 50 anos e um consumo que movimenta R$ 1,8 trilhão, a chamada economia prateada já influencia a demanda por produtos, serviços e experiências, abrindo uma frente de oportunidades para o comércio atacadista.

Os efeitos dessa mudança demográfica nos negócios foram discutidos na reunião do Conselho do Comércio Atacadista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), realizada na última terça-feira (18). A convidada Adriana de Queiroz, sócia e head de Insights e Inovação da Data8, apresentou dados da terceira edição do estudo Tsunami Prateado, realizado pela empresa em parceria técnica com o Opinion Box. A pesquisa acompanha, desde 2018, valores, estilos de vida e hábitos de consumo dos brasileiros com mais de 50 anos e ajuda a dimensionar como essa transformação demográfica já repercute nas estratégias das empresas.

A dimensão desse mercado tende a crescer. Segundo os dados apresentados, a população 50+ passou de 51 milhões de pessoas, em 2018, para 62 milhões, em 2026. Em 2044, esse grupo deverá representar 40% da população brasileira e movimentar R$ 3,8 trilhões, equivalentes a 35% do consumo privado no País. Hoje, o consumo per capita dos brasileiros maduros já é 37,5% superior ao da população abaixo dos 50 anos.

Segundo Adriana, a longevidade precisa deixar de ser vista somente como uma questão demográfica e entrar definitivamente na estratégia das empresas. “Viver mais não é apenas somar anos. É multiplicar as possibilidades”, afirmou. A mudança também é geracional. A chegada da geração X à maturidade traz um público mais digital, conectado, escolarizado, tecnológico e protagonista das próprias decisões financeiras.

Consumidor maduro também é digital

Um dos principais alertas para as empresas está na necessidade de abandonar antigos estereótipos. Nove em cada dez brasileiros 50+ acessam a internet diariamente. Entre 2021 e 2026, esse índice passou de 70% para 87%, enquanto o uso de aplicativos bancários cresceu 31%, a compra de passagens aéreas pelo celular avançou 50% e o uso de aplicativos de delivery aumentou 82% desde 2018.

Esse comportamento aparece também nas compras. Dentre os produtos mais adquiridos online, destacam-se roupas e acessórios (52%); medicamentos (46%); eletrodomésticos e utensílios domésticos (42%); passagens e pacotes de turismo (37%); e alimentos e bebidas (36%). Os marketplaces gerais são usados por 60% desse público, seguidos pelos sites e aplicativos de grandes varejistas, com 48%, e pelo comércio eletrônico internacional, com 44%.

“O celular deixou de ser canal para virar ecossistema”, sintetizou Adriana. Para o atacadista, compreender essa transformação permite ir além do fornecimento e atuar como parceiro do varejo na identificação de demandas e na composição de um portfólio mais conectado aos novos hábitos de consumo.

Oportunidade está em resolver necessidades

Ainda há espaço importante para as empresas avançarem. Três em cada dez brasileiros com mais de 50 anos sentem falta de produtos voltados para as suas necessidades, enquanto quatro em cada dez não se veem representados na publicidade. Turismo e hospitalidade, vestuário, alimentos para necessidades específicas, lazer, suplementos e vitaminas e medicamentos são os maiores gargalos percebidos.

Isso não significa, porém, simplesmente colocar no mercado produtos identificados como “sênior”. De acordo com Adriana, a oportunidade está em reduzir dificuldades de abertura, preparo, leitura, uso e compra, preservando a autonomia do consumidor. “Menos produtos ‘para a idade’ e mais soluções para a vida”, destacou.

A autonomia, aliás, aparece como valor central desse público. Para 66% dos entrevistados, o maior medo é depender de alguém, enquanto apenas 9% apontam a morte. O estudo também identifica seis perfis distintos de consumidores 50+, reforçando que idade, isoladamente, não é suficiente para explicar escolhas e necessidades.

A discussão amplia a agenda da FecomercioSP sobre transformações capazes de afetar diretamente os negócios. Para o atacadista, acompanhar o avanço da economia prateada significa entender quem está comprando, como esse público se comporta e onde ainda existem demandas pouco atendidas. Como resumiu a palestrante durante a apresentação, “o atacadista pode ir além de fornecedor. Pode ser um parceiro 

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