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Imprensa

28/05/2021

Reajuste nos preços de remédios pressiona custo de vida das famílias na RMSP em abril

Governo limitou o reajuste dos medicamentos em até 10%; grupo de alimentos, que havia desacelerado, voltou a impactar nos orçamentos das classes mais baixas

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Depois de altas significativas nos dois últimos meses, o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) cresceu mais timidamente em abril: 0,18%, impulsionado pelos preços dos remédios, dos artigos do lar e dos alimentos, segundo a pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O indicador completará um ano em alta, considerando que a última queda foi registrada em maio de 2020 (-0,46%). De lá para cá, o custo de vida subiu acima de 1% em quatro meses diferentes (outubro, novembro e dezembro do ano passado e em março de 2021).

No acumulado dos últimos 12 meses, o custo de se viver na região metropolitana de São Paulo cresceu 5,97%. Já em 2021, ele subiu 2,29%.

cvcs_abril_2021

Em abril, o grupo que mais subiu foi o de saúde (1,16%), que se explica pelo reajuste pontual que o governo faz neste mês sobre os medicamentos. Em 2021, ele ficou na média de 8,15%, variação limitada até 10,08%, com um aumento de 8,04% nos preços de antibióticos e anti-infecciosos, por exemplo. A segunda maior taxa foi dos artigos do lar (0,49%), resultado da demanda constante, das famílias, por móveis durante a quarentena – não à toa, a expansão dos preços dessa categoria é de 11,8% de abril de 2020 até agora.

Por outro lado, grupos como de habitação (-0,11%) e transportes (-0,19%) caíram em abril. O resultado deste último é relevante, após fortes reajustes nos preços dos combustíveis fizeram com que ele subisse 3,53% em março. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, os transportes ainda estão entre as variáveis mais inflacionadas, com alta de 12,07%. Levando em conta que é um grupo que corresponde por 21,4% do consumo das famílias, é um número que ajuda a entender o contexto inflacionado.

Alimentos voltam a subir
No entanto, para a FecomercioSP, o dado realmente preocupante da pesquisa vem do grupo de alimentos: com inflação de 0,36% em abril e um acumulado de 10,61% nos últimos 12 meses, é o que mais tem impactado sobre a renda das famílias. No mês passado, o aumento se deu por consequência dos reajustes em itens como o repolho (13,84%), a laranja-pera (13,59%), o tomate (7,72%) e a cebola (6,27%).

O consumo de alimentos e bebidas corresponde a pouco menos de um quarto (22,4%) do resultado total do custo de vida. Por isso, quando os preços desse grupo sobem, os orçamentos das famílias mais vulneráveis são mais atingidos do que aqueles que estão nos estratos superiores.

O desequilíbrio se vê nos dados: a alta no custo de vida para a classe E foi de 9,19% entre abril de 2020 e o mesmo mês de 2021. Já para a classe A, foi quase a metade disso: 5,5%. E se a classe D experimentou o maior aumento dos preços no seu orçamento (9,38%), essa taxa cai à medida que se sobe entre os estratos: 7,34% para a classe C e 5,68% para a classe B.

cvcs_abril_2021_grupos

A inflação dos preços dos alimentos ajuda a entender esta disparidade, que foi quase o dobro para os mais pobres (14,75% para a classe E e 14,42% para a classe D) em relação aos mais ricos (7,85% para a classe A e 8,32% para a classe B) de abril do ano passado até agora.

Números como estes indicam, para a FecomercioSP, que embora tenha havido uma desaceleração do custo de vida em abril, não é suficiente para mudar o histórico de aumentos que vem se mostrado desde o ano passado. Na verdade, o processo para amenizar os preços será longo. Pode contribuir para isso, a médio e longo prazos, a valorização do real, hoje cotado a cerca de R$ 5,20 por cada dólar. Neste patamar, grupos como o de combustíveis e alimentos podem registrar reduções.

Nota metodológica

CVCS
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.