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Negócios

11/04/2016

Seguradora decide não participar da crise

Apesar da recessão, 2015 foi o melhor dos 56 anos da Tokio Marine Seguradora no Brasil

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Seguradora decide não participar da crise

O faturamento da seguradora cresceu 17% em 2015, mas o lucro líquido permaneceu estável
(Arte TUTU)

Com informações de Carlos Ossamu 

A Tokio Marine Seguradora é subsidiária da Tokio Marine Holdings, o mais antigo conglomerado securitário japonês. Fundada em 1879, possui operações em 38 países e tem sua matriz mundial localizada em Tóquio, no Japão. No Brasil desde 1959, a Tokio Marine Seguradora atua no segmento de seguros de propriedade e vida em grupo. No ano passado, o seu faturamento foi de R$ 3,8 bilhões, um crescimento de pouco mais de 17% sobre 2014. Apesar disso, o lucro líquido se manteve estável em R$ 130 milhões. A explicação é que em setembro o governo aumentou a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: “Aumentei o faturamento em R$ 500 milhões para praticamente ter o mesmo lucro. Difícil explicar isso para os meus amigos japoneses. Eles perguntam: ‘Como vocês aumentam em 17% a produção e o lucro não sobe?’  Aí eu explico que quem fica com o lucro é o governo”, observa o presidente José Adalberto Ferrara.

Mas como explicar que, com o PIB caindo mais de 3%, este setor ainda apresente crescimento? Ou as vendas de carros novos terem caído quase 23% em 2015 e a Tokio Marine Seguradora tenha vendido 19% a mais de seguros para automóveis? Para Ferrara, ainda há muito espaço para crescimento neste mercado: “No Japão, este mercado movimenta 11% do PIB, enquanto no Brasil não chega a 4%”, diz. Mas, talvez, o pessimismo seja um fator que contribua para este crescimento. Quem teria coragem, após fazer economia a duras penas e sair da concessionária com um carro 0 Km sem seguro? Vai que...”

Qual o balanço o senhor faz de 2015 para a Tokio Marine Seguradora no Brasil?

No ano de 2015 a Tokio Marine Seguradora completou 56 anos de presença no Brasil e eu diria a você que foi o nosso melhor ano em termos de tudo, seja em produção, em termos de resultado, em índice combinado, que são as principais métricas de medição de eficiência de uma seguradora. Tivemos um crescimento de 17,3% no faturamento; fechamos com índice combinado de 99,5%; que é a relação entre despesas e receitas de uma seguradora. Normalmente, uma empresa de seguros bem administrada tem um índice combinado inferior a 1, quando se divide despesas por receitas. Estamos com 0,995. O mercado em que operamos, que é o de seguros gerais e vida em grupo, deve crescer 4,5%; e a Tokio Marine Seguradora cresceu 17,3%. Ou seja, crescemos quase quatro vezes mais do que o mercado. 

E como se explica esse bom desempenho, já que a economia está em recessão e o PIB deve cair mais de 3%? 

Atuamos no segmento de seguros elementares, que são seguros de propriedades. Estou falando de carteira de automóvel, residência, condomínio, riscos empresariais, riscos de engenharia, de petróleo etc., mais o seguro de vida em grupo. Esse é o ramo que a Tokio Marine Seguradora opera. Temos investido fortemente na melhoria de nossos processos internos, com muita automação em processos, o que gera qualidade nos produtos e serviços que entregamos aos nossos clientes e corretores. Eu diria que são dois os grandes motivadores do crescimento da companhia: as pessoas, ou seja, os nossos colaboradores, e os processos automatizados que temos. 

Em relação a seguros de automóveis, já existe uma cultura do brasileiro, dificilmente alguém sai da concessionária com um carro 0 Km sem seguro. Quais outros produtos teriam chances de se tornarem popular nesse mercado? 

Há uma gama enorme de seguros para oferecer à população, levar informação e criar cultura às pessoas. O seguro residencial, que é um produto barato, ainda é pouco conhecido pela população. No Brasil, menos de 10% das residências estão seguradas, lá fora são 35% a 40%.  Existe um espaço para aculturar o brasileiro da importância do seguro residencial. Outro exemplo é o microsseguro, que vem surgindo no mercado brasileiro. Nos últimos dez anos surgiu uma nova classe consumidora no Brasil, que veio de uma classe menos assistida, mas que soma cerca de 120 milhões de pessoas.  Elas estão consumindo produtos de seguro de baixo tíquete, que chamamos de microsseguros – é o seguro-desemprego em contratos; de diária hospitalar, se a pessoa ficar doente, ela tem direito a sete diárias hospitalares ou a alguns dias de UTI; e seguro de acidentes pessoais com coberturas de assistência funeral. 

O varejo também vem se transformando em um canal de vendas de seguros, não é mesmo? 

O varejista olha o seguro como mais uma fonte de receita. Ele pode obter uma receita adicional vinculada aos produtos que vende, quer seja na linha branca ou linha marrom, comercializando a garantia estendida e outros seguros, como seguro prestamista – caso o cliente deixe de pagar o carnê, a seguradora paga. Temos parceiros varejistas com atuação nacional, como a C&A, que vende seguro de residência básico. Entendo que este é outro mercado grande de distribuição para os microsseguros. 

Em relação a 2016, quais as perspectivas e os planos? 

Estamos vendo todo o movimento de desaceleração econômica, com a possibilidade de o PIB continuar tendo resultado negativo, o que afeta os negócios em todo o mercado, inclusive de seguradoras. Porém, ainda temos espaço para crescimento. Então, apesar de a gente reconhecer a crise, a Tokio Marine Seguradora decidiu não participar dela. Temos planos de continuar crescendo no mercado brasileiro, e a meta é um faturamento de R$ 4,3 bilhões, quase 15% a mais sobre 2015. Para 2017, o objetivo é chegar a R$ 5 bilhões, ou seja, queremos crescer 15% ao ano. Para isso, é preciso uma equipe de funcionários altamente engajada com essas metas da companhia, motivada, e isso não é uma coisa que se faz do dia para a noite, requer todas aquelas ações que comentei. Vamos lançar produtos para novos nichos de mercado -  mas não posso dizer neste momento quais são por uma questão de sigilo -  além de angariar novas oportunidades de mercado que existem no Brasil. 

Confira a entrevista na íntegra, publicada pela revista Conselhos.