Economia

20/08/2018

Setor de turismo paulista gera 152 novos postos de trabalho com carteira assinada em junho

De acordo com a FecomercioSP, incertezas do cenário eleitoral e a desaceleração na geração de empregos ainda inibem o crescimento mais forte do setor

São Paulo, 20 de agosto de 2018 – O mercado de trabalho existente por causa da demanda de turistas, seja a lazer, seja a negócios, voltou a criar vagas com carteira assinada em junho. No mês, 152 novos postos de trabalho foram abertos. Assim, o setor de turismo paulista encerrou o mês com um estoque ativo de 276.092 trabalhadores formais, alta 0,2% em relação a junho de 2017. No acumulado de 12 meses, 686 novos vínculos foram gerados.

Os dados são da Pesquisa de Emprego do Setor de Turismo no Estado de São Paulo (PESP Turismo), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

No mês, o desempenho geral positivo foi determinado pelo segmento de transportes, com a abertura de 155 vagas, mais especificamente na atividade de transporte aéreo regular de passageiros (143 vínculos). Os grupos de transportes e de agências e operadores (34 empregos) foram as únicas atividades entre as sete pesquisadas a exibir saldo positivo de empregos.

Três das sete atividades analisadas tiveram alta no número total de empregos formais, na comparação com junho do ano passado com destaque para eventos (2,1%); e agências e operadores (2%), que abriram 361 e 507 novas vagas com carteira assinada, respectivamente.

Em contrapartida, o estoque de trabalhadores da atividade de comércio direcionado recuou 1,1%, com o fechamento de 42 postos de trabalho nos últimos 12 meses. O segmento de transportes e de alimentação registraram leve queda de 0,2%, com a eliminação de 248 e 147 vínculos, respectivamente.

A presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Mariana Aldrigui, afirma que "os dados positivos do setor de transportes podem ser considerados os mais consistentes, já que o segmento trabalha com bastante antecipação – as reservas podem ser feitas com até um ano de antecedência, por exemplo. Esperamos, em breve, que mais empresas possam ampliar o anúncio de vagas e contratações, seja em função do lazer – no mês de julho e no final do ano –, seja em função em função do corporativo (constante). Naturalmente, a retomada da confiança do consumidor vai se refletir no turismo, porém, isso só deve acontecer no final do ano, depois das eleições".

A assessoria econômica da Federação ressalta também que o mercado de trabalho do setor passar por um processo de estabilização, pelo menos desde o segundo trimestre de 2017, alternando saldos positivos e negativos mês a mês. Portanto, ainda é cedo para falar num processo consolidado de recuperação de uma atividade que perdeu quase 5 mil postos de trabalho celetistas entre 2015 e 2017, mas pontualmente é um alento.

De uma maneira geral, as incertezas do cenário eleitoral e as desacelerações na geração de empregos, do consumo e da atividade econômica ainda inibem o investimento em mão de obra. Os meses seguintes, salvo a sazonalidade já conhecida, não deverão ser muito diferentes, conclui a Entidade.

Nota metodológica
A Pesquisa de Emprego no Setor de Turismo do Estado de São Paulo é elaborada a partir de informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Nela são contempladas 85 atividades de acordo com os respectivos CNAES (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) de subclasse 2.0, divididos em atividades predominantemente turísticas e não predominantemente turísticas.

Para atingir o objetivo de mensurar o mercado de trabalho existente unicamente devido a demanda de viajantes, de lazer ou trabalho, nas atividades não predominantemente turísticas, foram identificados quais dos 645 municípios do Estado de São Paulo possuem mercado de trabalho com média superior de vínculos em comparação a base de referência estadual. Para isso se utilizou o tradicional medidor de vocação locacional, o Quociente Locacional (QL). Como aplicação dele, se permite através de percentuais estimados do estoque ativo de vínculos formais atingir uma projeção do tamanho do mercado de trabalho do setor de turismo da economia paulista.