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Sustentabilidade

17/07/2017

Solução vencedora do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade gera projeto de alto impacto

Centro de Gerenciamento de Resíduos do Guarujá poderá reciclar até 30% do lixo da cidade

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Solução vencedora do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade gera projeto de alto impacto

Além dos rejeitos de pescados, o complexo de reciclagem cuidará de outras seis categorias de resíduos, da construção civil aos cocos verdes
(Arte/TUTU)

Vencer o Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade fez diferença na vida do engenheiro ambiental Gabriel Estevam Domingos. Em 2013, ainda como estudante, ele foi o vencedor na sua categoria, da 3ª edição, graças à inovadora ração para pets feita com resíduos orgânicos da atividade pesqueira. Hoje, a ração é parte de um projeto que vai ocupar 65 mil m² no Guarujá: o Centro de Gerenciamento de Resíduos. Além dos rejeitos de pescados, o complexo de reciclagem cuidará de outras seis categorias de resíduos, da construção civil aos cocos verdes.

“Ganhei outras premiações e criei novos projetos porque o prêmio da Fecomercio me deu bastante visibilidade e credibilidade. Consegui abrir minha empresa e efetivar soluções sustentáveis em pesquisa e desenvolvimento para valorização de resíduos”, conta Domingos, que no final do ano passado vendeu sua companhia, a GEDI – Desenvolvimento e Inovação, para o grupo Ambipar, que atua no Brasil e no exterior com soluções ambientais.

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O caso de Estevam não é único. A visibilidade e a credibilidade que o Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade proporcionam são importantíssimas. O incentivo não é apenas monetário. “Assim, nosso trabalho não termina com a cerimônia de premiação e a entrega do troféu. Ele só começa ali”, diz José Goldemberg, presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio SP e presidente do Júri do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade que, sempre que solicitado pelos vencedores, abre-lhes as portas para especialistas do setor. A Fecomercio ainda oferece uma publicação especial com os trabalhos vencedores e finalistas, que sempre são citados nas demais publicações da Entidade.

Passivo ambiental
Com outros 25 prêmios por pesquisas no currículo – incluindo outro de Sustentabilidade da Fecomercio, por uma tinta ecológica, na 4ª edição -, além do título de Jovem Embaixador Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e ampla experiência na prestação de serviços para grandes empresas, Domingos é um dos autores do projeto para o Centro de Gerenciamento de Resíduos do Guarujá, cujas negociações envolvem o Ministério Público, a prefeitura e empresas privadas locais.

“Fui convidado a criar um projeto que oferecesse alternativa para ajudar a sanar o passivo ambiental na região do Guarujá”, diz Domingos. Mesmo ainda sem prazo para ser inaugurado, as negociações para a obra estão acontecendo. Em abril, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado pelas partes.

Quando estiver em pleno funcionamento, o complexo de reciclagem terá galpões para tratamento adequado para os resíduos vindos da construção civil (RCC), resíduos eletrônicos (RE), resíduos de serviço de saúde (RSS), resíduos do coco verde (RCV), resíduos da atividade pesqueira, pneus e principalmente os resíduos sólidos urbanos (RSU).

Neles está prevista a reciclagem de 30% das 13 mil toneladas de lixo geradas por mês no município do Guarujá. É uma meta arrojada. Não há levantamentos oficiais sobre o volume reciclado em cada cidade. Dados obtidos em abril pelo jornal O GLOBO, junto a companhias públicas de limpeza, mostram que apenas 2,5% de todo o lixo produzido na capital paulista é reciclado. No Rio de Janeiro, o total é 1,9%. A campeã nacional é Brasília, com 5,9%. Segundo levantamento do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), a coleta seletiva até agora só é realidade em 18% dos municípios do País, apesar das determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

O Projeto do Centro de Gerenciamento de Resíduos do Guarujá é inovador e extremamente importante, segundo Cristiane Cortez, assessora do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio SP. Ela ressalta que “além de reciclar resíduos, permitirá que a reciclagem ocorra próxima ao gerador; diminuindo os custos com a logística e a emissão de poluentes e gases de efeito estufa”. E acrescenta: “certamente alavancará outros negócios inovadores na região e diminuirá a demanda por espaço para novos aterros sanitários, numa área tão sensível, entre a serra e o mar”. 

Efeitos da crise
Para o empresário, os avanços trazidos pela legislação não detiveram o impacto da crise no setor de soluções sustentáveis. “A PNRS gerou grande expectativa mas as ações estão meio que congeladas, por questões ligadas à conjuntura da economia. Ainda se deixa muito a desejar, principalmente em relação à cobrança dos acordos setoriais. A Fecomercio é pioneira na liderança dessas ações.”

Segundo ele, desde 2015 a iniciativa privada vive um período de estagnação muito forte, porque os novos processos ecológicos exigem mais custos. “E o mercado não está propício para tais investimentos, as empresas estão em stand by . Têm verba mas aguardam uma luz para colocarem na prática os planos que já haviam feito”.

Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) lançou a sexta edição do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, com inscrições abertas até 20 de novembro de 2017.

A nova edição tem como tema os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de uma agenda mundial adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), com 169 metas a serem atingidas pela humanidade até o ano de 2030. Essas medidas envolvem ações nas áreas de consumo e produção sustentáveis, erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, entre outras.

Serão reconhecidos projetos com foco nos princípios da sustentabilidade. As categorias contempladas são: empresa; indústria; órgão público; academia; reportagem jornalística; e entidades empresariais.

Os finalistas serão anunciados em fevereiro de 2018. Os vencedores receberão títulos de capitalização ou previdência, no valor de R$ 15 mil, e troféu. Os trabalhos classificados em segundo e terceiro lugares também serão reconhecidos.