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Negócios

11/06/2014

Torcedor pode ter problemas com telecomunicação nos estádios da Copa

Metade dos estádios não possui sinal de Wi-Fi, 3G deve congestionar e 4G ainda engatinha no Brasil, avaliam especialistas

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Torcedor pode ter problemas com telecomunicação nos estádios da Copa

Os torcedores que irão assistir aos jogos da Copa do Mundo nos estádios brasileiros poderão sofrer com algumas surpresas além dos lances da competição. Fazer uma ligação telefônica, enviar uma mensagem, publicar uma foto podem ser ações nem tão simples ou, até mesmo, impossíveis nos arredores dos campos.

O impedimento pode acontecer porque nem toda a infraestrutura de telecomunicações prometida para a Copa funcionará. O acesso a sinal Wi-Fi, por exemplo, só está disponível em seis dos 12 estádios. Ficaram de fora Mineirão, em Belo Horizonte, Castelão, em Fortaleza, Arena Pernambuco, em Recife, Arena da Baixada, em Curitiba, Arena das Dunas, em Natal, e Itaquerão, em São Paulo. As informações são do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal.

A falta de Wi-Fi em metade dos estádios deve refletir no congestionamento das tecnologias 3G e 4G nos dispositivos móveis, de acordo com a presidente do Sindicato Nacional das Prestadoras de Serviços em Telecomunicações (Sinstal), Vivien Suruagy. "Gostaríamos que tivesse tido tempo de instalar rede Wi-Fi nos estádios para ajudar a escoar o tráfego móvel via 3G", indica.

Para Vivien, a entrega dos estádios em cima da hora prejudicou a instalação da tecnologia adequada que permite o uso dos serviços de telecomunicações, seja para realizar ligações, trocar dados ou acessar a internet. "Existe um tempo médio mínimo para recebermos o estádio para implantar a estrutura. Fica uma posição muito difícil para instalarmos rede de Wi-Fi ou móvel dentro do estádio. Fora isso, tivemos dificuldade na negociação com os próprios donos de estádios para usarmos a estrutura", critica.

De acordo com a presidente do Sinstal, diante do obstáculo, a corrida segue acelerada para melhorar o serviço de telecomunicação dentro dos estádios da Copa. "Estamos tentando reforçar, e as operadoras também, a cobertura dentro do estádio. Agora, o que está acontecendo é que não está dando tempo para fazermos uma estrutura nova. Por isso, está sendo necessário reforçar de fora para dentro, por meio da cobertura do entorno, para tentar fazer com que haja serviço adequado de telecomunicação, o qual não estará da forma adequada como deveria estar", explica Vivien.

O Sinstal acredita que os torcedores sofrerão, principalmente, com os 15 minutos que antecedem o início do jogo e, também, no intervalo da partida, considerados os picos de acesso aos serviços. 

Por outro lado, o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, acredita que os torcedores não irão sofrer tanto para usar o celular. "O pessoal, de modo geral, só não conseguirá fazer, por exemplo, streaming de vídeo. Nas outras coisas, como trocar fotos, acessar redes sociais, isso tudo deve funcionar bem", acredita.

Outro ponto crítico para os turistas e torcedores brasileiros será o acesso à tecnologia 4G, recém-chegada ao Brasil. Um dos principais entraves é que poucos aparelhos - geralmente os mais caros - têm permissão da Anatel para acessar a conexão mais veloz de internet. Assim, os estrangeiros não conseguirão desfrutar do 4G, como explica Eduardo Tude. "Os turistas de outros países não conseguirão usar o 4G aqui porque os aparelhos deles não funcionarão nessa tecnologia, só em 3G".

Além disso, a estrutura do 4G ainda não apresenta resultados empolgantes, na avaliação de Vivien. "O 4G está se vendendo aos poucos. O grande problema que vejo Brasil, e não só nos estádios, é que não temos nem o 3G totalmente implantado. O País não precisava do 4G", analisa. Para ela, o ideal seria investir mais na melhoria do 3G e até mesmo na qualidade das ligações telefônicas, que ainda não apresentam desempenho satisfatório. 

Para o acesso ao usual 3G, Tude espera uma qualidade já conhecida pelos brasileiros. "Na Copa, o usuário de 3G vai ter um serviço igual ao que ele está acostumado a ter: congestionado. Isso não vai mudar. O turista em si não causará impacto no serviço na grande cidade. O impacto ocorrerá nos lugares de grande aglomeração", avalia.

Esse tipo de problema deve ser solucionado até os Jogos Olímpicos de 2016, também no Brasil, na previsão da Teleco. "Acho que daqui dois anos já teremos um cenário bem mais amadurecido", indica Tude. Vivien, do Sinstal, concorda, mas espera uma mudança em relação à Copa. "Só está faltando planejamento".