Negócios
28/08/2026Turismo corporativo caminha para R$ 205 bilhões em mercado mais seletivo
No Fórum Corporativo Abracorp, FecomercioSP projeta alta de 5% em 2026 e aponta mais pressão por produtividade e eficiência
Brasil deve movimentar cerca de US$ 36 bilhões em viagens corporativas
Eficiência, segurança, experiência e geração de valor redefinem a gestão das viagens corporativas
O mercado brasileiro de viagens corporativas deve encerrar o ano com faturamento de R$ 205,6 bilhões, uma alta de cerca de 5% e novo recorde. A projeção faz parte do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev). O resultado consolida a relevância dessa atividade à economia e a uma ampla cadeia que movimenta aviação, hotelaria, agências, mobilidade, tecnologia e serviços. O avanço, porém, ocorre em um ambiente de desaceleração econômica, juros elevados e crédito caro, aumentando a pressão por produtividade e retorno.
Diante do ambiente econômico e do cenário das viagens corporativas no Brasil, as empresas devem manter os deslocamentos, mas com decisões mais criteriosas. “Elas não vão deixar de investir em viagens corporativas. O que vai mudar é a forma de gastar. Com a economia crescendo menos, produtividade, eficiência e resultado ganham ainda mais importância aos negócios. O mercado segue positivo, mas em ritmo mais moderado”, afirmou Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, na 12ª edição do Fórum da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), em São Paulo.
Referência para o mercado de viagens de negócios, o encontro reuniu cerca de 300 gestores de viagens, compradores, agências, fornecedores e lideranças para discutir as tendências e os desafios que já influenciam as decisões das empresas.
Dietze também enfatizou que a forte pressão do querosene de aviação não chegou integralmente às tarifas comercializadas. Em julho, o preço médio ficou próximo de R$ 700, ante aproximadamente R$ 740 um ano antes, reforçando a importância da busca por melhores condições e eficiência.
Produtividade e caixa no radar
A conjuntura econômica exige atenção. A projeção é de crescimento nacional próximo de 2% ao ano, enquanto o estoque de crédito empresarial em atraso atingiu R$ 86,1 bilhões em junho, recorde da série apresentada. A taxa de inadimplência chegou a 3,3%, a segunda maior, próxima do patamar registrado em 2017, durante a crise econômica.
O crédito caro adiciona pressão a esse quadro. Com juros elevados e prazos de pagamento mais curtos, empresas que dependam de financiamento ficam mais expostas, enquanto mudanças proporcionadas pela Reforma Tributária, como o split payment, tendem a exigir atenção adicional ao fluxo de caixa.
Para Dietze, se o cenário econômico está fora do alcance das empresas, há espaço para fortalecer a gestão interna. A recomendação é preservar o caixa e buscar produtividade com tecnologia e estratégias mais eficientes. “IA e dados podem ajudar a conhecer o cliente, responder mais rápido, buscar melhores condições e transformar informação em produtividade”, concluiu.
O Fórum Corporativo Abracorp ampliou essa discussão com temas como Reforma Tributária, segurança, gestão de riscos, hospedagem e mobilidade.