Economia

15/08/2018

Varejo paulista deve ter melhores resultados no segundo semestre de 2018

Incerteza político-econômica exige planejamento do quadro funcional das empresas do setor, mas a injeção do décimo terceiro salário e o Natal podem melhorar as vendas e mudar o cenário

Varejo paulista deve ter melhores resultados no segundo semestre de 2018

Destacaram-se negativamente as lojas de vestuário, tecidos e calçados, os grupos de outras atividades e de materiais de construção
(Arte: TUTU)

O esperado impacto positivo da injeção do décimo terceiro salário e as almejadas vendas natalinas trarão resultados positivos ao comércio varejista paulista no segundo semestre. Apesar da projeção, a incerteza presente no cenário atual exige planejamento do quadro funcional das empresas do setor, pois mão de obra é investimento de médio e longo prazos.

A análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é de que o empresário avalie se a evolução das receitas deve se converter em aumento imediato do quadro de funcionários.

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Em junho, os empresários varejistas do Estado de São Paulo se mostraram bastante receosos em investir em mão de obra formal. A Pesquisa de Emprego no Comércio Varejista do Estado de São Paulo (PESP Varejo) aponta que, no mês, foram eliminados 5.808 empregos. Com isso, o estoque ativo de vínculos empregatícios ativos atingiu 2.055.480.

Apenas as concessionárias de veículos apontaram saldo positivo (170 novos vínculos celetistas) entre as nove atividades analisadas. Destacaram-se negativamente as lojas de vestuário, tecidos e calçados (-1.798 vagas), o grupo de outras atividades (-1.387 vagas) e o varejo de materiais de construção (-1.217 vagas). Considerando apenas os resultados apurados nos meses de junho, observa-se que o saldo negativo de 2018 é o pior desde 2015, quando foram eliminadas 6.810 vagas formais.

A FecomercioSP ressalta que os dados ainda refletem o impacto da greve dos caminhoneiros, o desemprego ainda elevado, a proximidade das eleições e as projeções de desaceleração do crescimento da economia brasileira.

No primeiro semestre, 33.729 vagas foram fechadas, concentradas nos setores supermercadistas e de vestuário, tecidos e calçados. Já o melhor resultado foi apurado pelas concessionárias de veículos (842 vagas). Tradicionalmente, o primeiro semestre é marcado por retração de emprego formal no varejo, mas, em relação a 2017, esse cenário se agravou de forma evidente.

A frustração com a retomada da economia brasileira, o consumo das famílias represado e o próximo pleito eleitoral causam aumento das incertezas e, naturalmente, afetam negativamente a confiança dos empresários.