Negócios
10/09/2026Viagens corporativas terão menos margem para erros em 2027
Mercado deve movimentar R$ 205,6 bilhões neste ano, mas juros altos e crédito pressionado exigem eficiência, tecnologia e decisões mais criteriosas
Dietze destaca os indicadores que devem influenciar as decisões do setor em 2027
Travel Connect reúne profissionais para discutir os próximos passos das viagens corporativas
Cenário econômico e seus reflexos nas viagens de negócios pautam apresentação da FecomercioSP no Travel Connect 2026
O mercado brasileiro de viagens corporativas deve movimentar R$ 205,6 bilhões em 2026, um crescimento de cerca de 5% e novo recorde nominal. O resultado confirma a força de uma atividade que movimenta uma extensa cadeia de serviços, mas também antecipa o desafio para o ano que vem: crescer em um ambiente econômico que exigirá mais eficiência, planejamento e retorno das empresas.
Esse foi o cenário apresentado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) na última quarta-feira (9), durante o Travel Connect 2026, no WTC Golden Hall, em São Paulo. Em palestra sobre os indicadores e as tendências que vão moldar a gestão de viagens no próximo ano, Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da Entidade, mostrou como economia, juros, crédito e tecnologia devem influenciar as decisões do setor.
Crescimento menor aumenta a seletividade
As projeções econômicas ajudam a explicar por que a gestão das viagens tende a ganhar ainda mais atenção. Após um crescimento estimado de 2% em 2026, a expectativa indicada pelo Boletim Focus é de avanço de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, com recuperações de 1,9%, em 2028, e 2%, em 2029.
Os juros também continuarão pesando sobre empresas e consumidores. A apresentação aponta a Selic em 12% ao ano (a.a.) em 2027, ainda elevada apesar da trajetória esperada de queda.
A pressão aparece também no crédito. O volume de operações empresariais com atraso superior a 90 dias chegou a R$ 86,1 bilhões em junho, recorde da série apresentada. Pequenas e médias empresas concentram 75,6% desse total, sinal de um ambiente que exige mais atenção aos custos e ao caixa.
“O mercado de viagens corporativas continua crescendo, mas 2027 vai exigir decisões mais criteriosas. Não se trata apenas de controlar custos, mas de entender onde a viagem gera valor e como torná-la mais eficiente”, afirmou Dietze.
Viagens mantêm fôlego e movimentam uma ampla cadeia
Apesar do ambiente mais restritivo, o setor segue avançando. O Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), registra crescimento trimestral contínuo, embora em ritmo mais moderado. A alta, que chegou a 12% em junho de 2025, ficou em 5% em junho deste ano.
No acumulado anual, a projeção de R$ 205,6 bilhões em 2026 consolida a dimensão das viagens de negócios e sua capacidade de movimentar companhias aéreas, hotéis, agências, mobilidade, tecnologia, eventos e uma ampla rede de serviços.
A hotelaria acompanha esse movimento. Entre janeiro e julho, a ocupação média passou de 60,3%, em 2025, para 60,6%, neste ano. A diária avançou 5,4%, para R$ 441,80, enquanto a receita por apartamento disponível (RevPar) cresceu 5,9%, chegando a R$ 267,60.
No transporte aéreo, a relação entre o preço das passagens e o querosene de aviação (QAV) permanece no radar. A evolução desses indicadores reforça a necessidade de acompanhar variáveis capazes de pressionar os orçamentos corporativos e influenciar o planejamento dos deslocamentos.
Tecnologia entra na estratégia
Nesse contexto, a resposta das empresas não passa apenas pela redução de despesas. A tendência apontada pela FecomercioSP é de um processo de decisão mais cauteloso, combinado à busca por produtividade e ao uso da Inteligência Artificial (IA) como parte da estratégia das operações.
Dados, automação e novas ferramentas podem apoiar escolhas, ampliar a capacidade de comparação e tornar processos mais ágeis. Para gestores de viagens, o desafio será usar esses recursos para equilibrar custos, experiência do viajante e objetivos de cada deslocamento.
“As viagens continuarão sendo importantes aos negócios. O que muda é a régua: as empresas precisarão combinar experiência, eficiência, tecnologia e retorno a fim de tomar decisões cada vez melhores”, concluiu Dietze.