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Economia

Nenhum grupo admite perder seu quinhão do gasto público, diz Alexandre Schwartsman

Para ex-diretor do Banco Central, conflito distributivo tomou conta do orçamento brasileiro; economista aponta que sociedade ignora o problema fiscal mesmo sabendo como resolvê-lo

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Nenhum grupo admite perder seu quinhão do gasto público, diz Alexandre Schwartsman

Para Alexandre Schwartsman, o Brasil é um "país transgênero" e a sociedade está doente por não encarar o problema das contas públicas
(Foto: Christian Parente)

Não há nenhuma dificuldade técnica com a crise da economia brasileira. O problema, de acordo com o doutor em Economia pela Universidade da Califórnia e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, foi diagnosticado há muito tempo e se trata do conflito distributivo que ocupa quase que integralmente o orçamento do setor público.

Em entrevista ao UM BRASIL, realizada em parceria com o InfoMoney três dias antes do primeiro turno das eleições de 2018, o economista salienta que, enquanto o País segue rumo ao abismo fiscal, “estamos discutindo quem vai sentar na janelinha”.

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“Como é que se resolve o conflito distributivo no Brasil? Quem é que vai abrir mão? Está muito claro que ninguém aceita abrir mão”, comenta Schwasrtsman. “Cada um dos grupos não admite perder o seu quinhão do gasto público. O peso das corporações ficou tamanho que cada um olha para o seu e não está minimamente preocupado se a conta fecha”, completa.

Para ele, isso é sinal de uma sociedade doente que ignora o problema mesmo sabendo como resolvê-lo. O que contribui para que um ajuste não seja feito imediatamente é a ausência de uma dor social aguda.

“Crise fiscal não é uma crise aguda, é uma doença crônica, ela vai se desenvolvendo. O fato de você não resolver esse problema não significa que vai ter inflação explodindo no ano que vem. Vai demorar. Então, há um espaço para empurrar esse ‘negócio’ com a barriga”, avalia.

Schwartsman sintetiza o déficit fiscal brasileiro como decorrência de um “país transgênero”, no qual uma economia emergente gasta como uma social-democracia europeia. Para ele, caso não “caia a ficha”, a consequência será o retorno de um velho problema da economia nacional.

“Acostumamos a ver que, de alguma forma, a inflação acomoda esse conflito distributivo pelo orçamento. Você terá inflação mais alta, e o País pode se conformar com isso ou não”, reitera.

Confira a entrevista na íntegra a seguir:

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