Editorial

04/07/2019

Amor Profano está de volta ao Teatro Raul Cortez

Espetáculo clássico, que coloca em debate a fé e a descrença, ficará em apresentação por curta temporada. Não perca!

Amor Profano está de volta ao Teatro Raul Cortez

Publico pode conferir a peça até 28 de julho
(Arte: TUTU)

Está de volta para uma curta temporada no Teatro Raul Cortez a versão brasileira do espetáculo Amor Profano, que fala sobre o embate entre a dúvida e a fé, heresia, agnosticismo e amor. O teatro está localizado na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

A trama da peça retrata o reencontro de Zvi (Marcello Airoldi) e Hannah (Vivianne Pasmanter) 20 anos após um traumático divórcio. A separação ocorreu após Zvi, em uma crise de fé, ter abandonado os costumes judeus ultraortodoxos, ainda cultivados por Hannah. Ambos terão que confrontar suas escolhas, a crença e os temores mais profundos.

O espetáculo é de autoria do israelense Motti Lerner, que esclarece a origem da obra: “Eu sempre fui desafiado pela ideia da religião, principalmente sobre se há um Deus no Céu, se Deus tem responsabilidade pelas vidas das pessoas e se temos que reconhecer o Seu papel no universo”, conta Lerner. “Quanto mais eu crescia, mais me sentia incerto sobre isso. Fiquei dividido por toda a minha vida pensando se acreditava ou não. Acho que só fui capaz de escrever a peça depois de perceber que eu não acreditava”, completa. 

Veja também:
“Terrenal” faz de mito bíblico um microcosmo das relações contemporâneas, diz diretor
Com casa cheia e forte aclamação do público, “Terrenal” estreia no Teatro Raul Cortez

Vivianne Pasmanter tem uma ligação pessoal com a trama. Ela conta que teve seu primeiro contato com o texto quando foi convidada para uma leitura, há cerca de dez anos, mas o projeto não teve seguimento. A atriz ressalta que, após isso, o projeto nunca saiu de sua cabeça.

“Não foi uma coisa analítica, o texto simplesmente pegou. Eu o li e nunca consegui esquecê-lo. Quando a gente começou a ensaiar, aprofundar-se, fazer as pesquisas, fui percebendo o que ele estava falando comigo e ainda estou descobrindo”, comenta. “É uma coisa muito doida. Eu não sou de emoção muito fácil, mas esse texto me fez chorar da primeira leitura até todos os ensaios e apresentações. Eu me emociono muito.”

Já Marcello Airoldi avalia que o trunfo do espetáculo é fazer o público se identificar com o conflito entre os personagens. “O bom teatro pode ser universal. Você pega uma história que fala de judeus e pode parecer distante para nós, mas, às vezes, age de uma maneira mais eficiente na comunicação com o público do que uma peça com personagens brasileiros”, avalia. “Você pode ver com preconceito, falar ‘esse personagem não sou eu’, mas o público não precisa se preocupar com isso. Quando você se abre, percebe a identificação que pode ter. Todos os seres humanos são muito parecidos no mundo inteiro”, ressalta o ator sobre a desavença da fé que permeia a obra.

Lerner ressalta que, para ele, é muito emocionante descobrir que as pessoas querem assistir a algo que foi escrito a 10 mil milhas de distância daqui, em um país diferente, em um contexto religioso diferente e que, ainda assim, estejam interessadas nos personagens e em conhecer suas tragédias pessoais. 

Amor Profano tem direção de Einat Falbel, com trilha sonora composta pela cantora e compositora Fortuna. Já os cenários e figurinos são de Zé Henrique de Paula e a iluminação de Yuri Cumer.

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou pelo site Ingresso Rápido.

Serviço
Amor Profano
Curta temporada: de 5 a 28 de julho. Sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h.
Teatro Raul Cortez – Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, São Paulo (SP).