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Imprensa

26/07/2015

Classes D e E são as mais impactadas pelo aumento de produtos e serviços, aponta FecomercioSP

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São Paulo, 27 de julho de 2015 - O Custo de Vida por Classe Social (CVCS) encerrou o primeiro semestre do ano com variação de 6,24%. Apenas em junho, a alta foi de 0,91%, a maior desde março de 2015. No acumulado dos doze meses, o acréscimo foi de 8,94%. Os dados compõem a pesquisa realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
 
Os grupos de habitação e transporte, que, somados, representam pouco mais de 38% do total consumido pelas famílias,  continuam como as principais influências de alta: aumentos de 1,27% e 0,97%, respectivamente. As atividades de despesas pessoais (2,40%) e saúde (0,97%) também contribuem com a aceleração do indicador, além do crescimento em alimentação e bebidas, que encerrou o mês com variação de 0,48%.
 
O CVCS continua a trajetória de altas consideradas intensas e em junho nenhum dos segmentos registrou decréscimo. No primeiro semestre, com exceção de comunicação (-0,98%), os demais apresentaram variações positivas, com três grupos acima da média geral (6,24%): habitação (13,98%), educação (7,92%) e despesas pessoais (7,94%).
 
A avaliação por faixas de renda demonstra que as classes D e E foram as mais afetadas em junho, com elevação do custo de vida de 1,33% e 1,32%, respectivamente. O dobro dos 0,68% registrados na classe B, a menos prejudicada no mês.
 
Ao contrário do registrado em maio, em junho, a alta de 1,39% dos preços de serviços foi a principal responsável pela inflação do CVCS, respondendo por 74% do aumento do custo de vida. Os 0,46% de acréscimo dos preços de produtos complementam em 26% a elevação do indicador.
 
IPV
O Índice de Preços do Varejo (IPV), um dos indicadores que compõem o CVCS, registrou alta de 0,46% em junho. Os grupos que mais contribuíram com o avanço foram saúde e cuidados pessoais e artigos de residência, que, juntos, responderam por 65% do resultado no mês. 
 
A atividade saúde e cuidados pessoais registrou alta de 1,09%. O grupo de artigos de residência cresceu 1,48% e ganhou evidência por ter registrado elevação em praticamente todos os seus subitens, como móveis, utensílios e eletroeletrônicos. O destaque, no entanto, fica para o acréscimo de 2,5% notado nos preços dos televisores, pois este produto apresentou a segunda maior participação no resultado geral e ficou atrás apenas do gás veicular (3,2%). 
 
O grupo de alimentação e bebidas exerceu a terceira maior contribuição e registrou acréscimo de 0,36% no mês. A classe E foi a mais prejudicada pelo aumento nos preços de produtos - com 0,55% em junho, acumulando 5,06% no ano e 6,71% em doze meses.
 
IPS
O Índice de Preços de Serviços (IPS) assinalou em junho alta de 1,39% com relação a maio, a terceira maior elevação mensal em 2015. No acumulado do ano a variação é de 7,72%, e de 11,76% em doze meses, os maiores valores já vistos na série histórica, iniciada em dezembro de 2010. No ano anterior, o acumulado foi de 6,86%, ou seja, os preços de serviços já cresceram neste semestre quase 1 ponto porcentual a mais do que no mesmo período de 2014.
 
Ao contrário do ocorrido em maio, quando o grupo transportes obteve queda de 3,54%, em junho, este exerceu a principal pressão altista (3,38%) e foi responsável por cerca de 40% do resultado geral. 
 
Em relação aos preços das passagens aéreas, a queda de 26,41% no mês passado foi substituída este mês por um aumento de 36,08%, o que alavancou o indicador e foi a maior influência no resultado. Por outro lado, após um ano da Copa do Mundo, os preços das passagens aéreas, de hotel e de excursão, se comparados com junho de 2014, apresentaram queda de 5,89%, 12,71%, e 2,14%, respectivamente. 
 
A segunda maior ajuda no desempenho foi do item Habitação, que subiu 1,40%. O grupo artigos de residência registrou ínfima queda de 0,01%, enquanto educação não teve alteração de preços.
 
Para a FecomercioSP, os preços no primeiro semestre do ano reforçam o cenário de inflação alta, uma vez que o CVCS acusou variação média mensal de 1,01% no semestre, o dobro do observado na primeira metade do ano passado - a média das variações na primeira metade de 2014 era 0,55%. A Entidade destaca que as classes mais baixas têm sido as mais impactadas pela escalada dos preços que as demais, isso porque as altas concentram-se em bens essenciais de maior relevância em seus orçamentos, encurtando, cada vez mais, o poder de compra das famílias e contribuindo para o comprometimento da atividade econômica.
 
Consertos
O aumento no custo de consertos de automóveis chamou a atenção em junho, pois cresceu bem mais do que a inflação (2,05% no mês e 16,57% no acumulado de 12 meses). Os dados vão ao encontro do estudo recentemente divulgado pela FecomercioSP, o qual mostra que, enquanto as vendas de carros no estado de São Paulo caíram 16,2% em abril de 2015 na comparação com o mesmo mês do ano passado, as lojas de autopeças faturaram 2,5% a mais no mesmo período. Na capital, o principal mercado consumidor do estado, as vendas de autopeças subiram quase 25% em abril, ante uma queda de 5% das vendas de veículos.
 
Em relação a consertos de outros itens (que movimentam gastos anuais de R$ 6,5 bilhões, segundo outro levantamento da FecomercioSP), os destaques do IPS no acumulado do ano são: máquina de lavar roupas (8,68%), refrigerador (4,25%), reforma de estofados (3,57%) e televisor (2,23%). Os gastos com consertos, que já são elevados no Brasil, conforme apontado pela Federação, têm aumentado nos últimos meses. Isso é sinal de que a crise econômica torna o consumidor cauteloso e, consequentemente, mais afeito à manutenção de aparelhos eletrônicos, automóveis e itens para casa e a tendência é que esse comportamento deve se acentuar nos próximos meses.
 
Metodologia
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV de 181 produtos de consumo.
 
As faixas de renda variam de acordo com os ganhos familiares: até R$ 976,58 (E); de R$ 976,59 a R$ 1.464,87 (D); de R$ 1.464,88 a R$ 7.324,33 (C); de R$ 7.324,34 a R$ 12.207,23 (B); e acima de R$ 12.207,24 (A). Esses valores foram atualizados pelo IPCA de janeiro de 2012. Para cada uma das cinco faixas de renda acompanhadas, os indicadores de preços resultam da soma das variações de preço de cada item, ponderadas de acordo com a participação desses produtos e serviços sobre o orçamento familiar.