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Economia

02/07/2018

Com greve dos caminhoneiros, intenção de consumo das famílias paulistanas cai 2,3% em junho

Índice medido pela FecomercioSP registrou a terceira queda consecutiva; expectativa é que o consumidor compre menos nos próximos meses

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Com greve dos caminhoneiros, intenção de consumo das famílias paulistanas cai 2,3% em junho

Pesquisa da Entidade aponta que indicador passou de 91,8 pontos em maio para 89,7 pontos em junho
(Arte: TUTU) 

A greve dos caminhoneiros impactou negativamente na intenção de consumo das famílias na cidade de São Paulo em junho. Como reflexo, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou queda de 2,3% com relação ao mês anterior e atingiu 89,7 pontos. O índice varia de zero a 200 pontos e o atual patamar, abaixo de 100 pontos, significa insatisfação do ponto de vista dos consumidores.

Desde março, quando o índice atingiu os 95,1 pontos – maior patamar desde abril de 2015 - já houve três recuos, totalizando retração de -5,6%, segundo apuração feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

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Dos sete itens analisados pela pesquisa, seis recuaram na comparação mensal. O destaque negativo ficou com Perspectiva de consumo, que caiu 5,9%, passando de 98,5 pontos em maio para 92,7 pontos em junho. Isso significa que 30,4% das famílias paulistanas consideram ampliar os gastos nos próximos meses. Apesar da retração mensal, o índice está 25,3% acima do registrado em junho do ano passado.

O item Momento para duráveis teve queda de 6,2% em junho, atingindo 60,5 pontos, indicando que 66,3% dos entrevistados consideram que este é um mau momento para a compra de bens como TV, geladeira, fogão, etc. No mês anterior, o porcentual tinha sido de 63,8%, e há um ano, estava na casa dos 70%.

O item Perspectiva Profissional passou de 114,3 pontos em maio para os atuais 112 pontos, queda de 2%. Na comparação anual houve crescimento de 8% e mesmo com o recuo mensal o item é o mais bem avaliado do ICF no mês e ainda está no patamar de satisfação, no qual a maioria das famílias (53,2%) diz que deve haver uma melhora profissional para o responsável do domicílio.

Os três itens que completam o grupo que registraram queda em junho são: Emprego Atual, Acesso ao Crédito e Nível de Consumo Atual. O primeiro permanece no patamar acima dos 100 pontos com 110,7 pontos, ligeiro recuo de 0,9% em relação a maio, mas com alta de 9,7% no contraponto anual. O segundo retraiu 1% ao passar de 91,9 pontos em maio para 91 pontos em junho e na comparação anual cresceu 21,1%. E o terceiro apontou queda de 1,2%, passando de 62 pontos no mês passado para os atuais 61,2 pontos. Mesmo com um grau elevado de insatisfação com os gastos atuais – 52,2% dizem que estão comprando menos do há um ano – o índice está 22% acima do visto em junho de 2017 (o percentual de respostas negativa era de 59,4%).

O item Renda atual foi o único que registrou resultado positivo, com leve alta de 0,2%, atingindo exatos 100 pontos em junho, ante os 99,8 pontos do mês anterior.

Segundo a FecomercioSP, a demora do governo para negociar e encerrar a greve gerou efeitos danosos para a economia e para a confiança do consumidor. Soma-se a isso a imagem de um governo frágil – em função das denúncias de corrupção e as eleições deste ano – e a falta de andamento de reformas necessárias ou medidas importantes para acelerar o crescimento econômico. A taxa de desemprego elevada é outro fator negativo para a economia brasileira.

Além dessa conjuntura, o consumidor paulistano deve consumir menos, principalmente no próximo trimestre, de julho a setembro, período fraco de vendas. A próxima data comemorativa do varejo é o Dia dos Pais, considerado de pouca relevância para o varejo e há expectativa de desempenho fraco das vendas. Não há perspectivas de um novo ciclo de crescimento no curto prazo, e o ICF deve oscilar próximo aos 90 pontos nos próximos meses.

A FecomercioSP recomenda que o comerciante tenha atenção ao nível estoque e aproveite o período para realizar promoções para atrair o público.