Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Negócios

Comerciante deve planejar com antecedência o estoque para a Black Friday

Para ter sucesso na data, lojas virtuais devem concentrar descontos em poucos produtos

Ajustar texto A+A-

Comerciante deve planejar com antecedência o estoque para a Black Friday

Por Jamille Niero

A Black Friday é um dia que propõe ao consumidor comprar alguns produtos das lojas participantes com bons descontos. Como a procura costuma aumentar na data, é possível que o estoque preparado não dê conta do recado e se esgote antes do fim do dia, deixando alguns consumidores sem conseguir comprar o que desejavam. E ainda vale lembrar que a proposta da Black Friday não é necessariamente que a loja inteira esteja com desconto no dia, mas apenas alguns produtos.

O presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP, Pedro Guasti, destaca que infelizmente não é possível para a loja virtual ter um estoque infinito dos produtos que participam da data. “Geralmente, o que as empresas fazem é negociar com o fornecedor um número limitado de peças, conseguindo um bom desconto. É importante fazer um planejamento e negociar com os fornecedores, mas o mote do evento é promover descontos, e quem chegar primeiro leva." Segundo ele, a missão de todos os envolvidos na realização da Black Friday é esclarecer o consumidor que ele terá acesso a ofertas com preços melhores e que parte dos produtos terá desconto e outra parte não.

Preparação para a data
Justamente por ter apenas algumas mercadorias participando da data, as lojas virtuais devem escolher com cuidado quem vai receber os descontos. “É importante saber quais produtos têm maior potencial de venda”, considera Gabriel Trindade, gerente de vendas da EZ Commerce, fornecedora de plataformas de e-commerce.

Para isso, ele cita estudos que apontam que 80% do faturamento de uma loja virtual vêm de 20% do seu mix de produtos. Ou seja, toda loja tem um produto (ou alguns) que são o carro-chefe das vendas. A partir daí, definir o “mix de combate” ou os “produtos de isca”: aqueles que chamam a atenção do consumidor e têm mais apelo – o que depende de cada estabelecimento. Uma de loja de eletrônicos, por exemplo, pode apostar em TVs e smartphones, que foram os itens mais procurados em anos anteriores. Contudo, relatórios anuais da própria empresa, com detalhes das vendas, darão números para balizar a escolha do comerciante.

Riscos
Trindade aponta ainda que um fator que pode interferir no estoque e nas vendas durante a data é a opção de pagamento em boleto, que “reserva” a mercadoria no estoque da loja enquanto não for pago – o que pode levar até três dias –, impedindo a venda para outro cliente. Devido à demora para confirmação do pagamento, muitas vezes o cliente acaba desistindo da compra e o produto sobrando na loja, já que foi reservado durante um período, a promoção acabou e ele voltou para o estoque sem ser efetivamente vendido.

“É natural que o volume de vendas na data seja maior principalmente de produtos nos quais se pretenda baixar mais o preço ou tenham uma condição comercial mais atrativa. Mas o comerciante precisa ter no estoque. Como alguns usam estoques de terceiros [conhecido como drop shipping], quem trabalha com essa modalidade precisa ficar atento para não vender um produto e não conseguir entregá-lo porque acabou o estoque”, observa Luan Gabellini, sócio-fundador da Betalabs, fornecedora de sistemas de gestão e plataformas para e-commerce.

Drop shipping é o conceito no qual o varejista não mantém os produtos que vende em estoque, mas compra a mercadoria de um fornecedor à medida que fizer a venda. A entrega para o consumidor pode ser feita por ele mesmo ou por esse fornecedor. Se o lojista detém o estoque, consegue planejar as compras e realizar as vendas de acordo com o que for saindo do estoque. Se não controla seu estoque, precisa entender como funciona o do fornecedor/distribuidor, porque se esse fornecedor atender outras lojas que também estão participando da Black Friday. Se o sistema de ambos não estiver bem sincronizado, o e-commerce pode vender algum item para o consumidor e correr o risco de o fornecedor tê-lo vendido para outra loja, destaca Gabellini.

Outros cuidados passam por se atentar ao prazo do fornecedor para entregar os produtos para a loja formar seu estoque – já que itens importados, por exemplo, podem demorar mais de um mês para desembarcar no País – e testar a estrutura do site para que ele não saia do ar ou não registre os pedidos dos clientes na data.

Oportunidade de divulgar a loja
De acordo com o especialista em varejo e professor do Centro Universitário Newton Paiva Leandro Silva, este é o momento para os micro e pequenos lojistas do comércio eletrônico divulgarem a sua loja. “É uma oportunidade de o consumidor conhecer a marca e os produtos. É muito comum a pessoa acessar a loja procurando por um produto e acabar comprando um que não está na Black Friday”, diz. Uma boa forma de conseguir maior exposição é em markets place, que funcionam como grandes vitrines e comercializam tanto produtos próprios quanto permitem a venda de produtos de terceiros. 

Mas como toda a logística e gestão de estoque é da loja virtual que se propôs a expor no market place, é dever do comerciante cuidar do seu estoque. O benefício que o market place traz é justamente permitir uma maior exposição na data, atraindo novos consumidores e, em alguns casos, fornecendo dicas de negócios e treinamento. “Market place é bom porque ajuda a profissionalizar o pequeno comerciante”, aponta o professor.

Ele destaca, contudo, que os pequenos interessados em ingressarem em algum market place de grande porte para aproveitar a Blçack Friday será difícil agora, pois não há tempo suficiente para a plataforma fazer a integração e fornecer os treinamentos necessários. “Mas já dá para pensar para o Natal ou para a Black Friday do próximo ano”, finaliza.

Fechar (X)