Economia

03/10/2018

Comércio varejista na região do ABCD eliminou 262 postos de trabalho formais em julho, aponta FecomercioSP

Segundo a Entidade, após 14 meses de saldos positivos, no acumulado de doze meses, setor voltou a ficar negativo em -335 empregos

São Paulo, 3 de outubro de 2018 – Pelo segundo mês consecutivo, o comércio varejista na região do ABCD fechou postos de trabalho formais. Em julho, 262 vínculos foram encerrados, resultado de 3.541 admissões contra 3.803 desligamentos. Nos sete primeiros meses do ano, foram eliminadas 1.611 vagas celetistas, e, após 14 meses de saldos positivos, o setor voltou a ficar negativo no acumulado de 12 meses, em -335 empregos. Desta forma, o varejo da região encerrou o mês com estoque ativo de 109.733 trabalhadores formais, queda de -0,3% em relação ao mesmo mês de 2017.

As informações são da Pesquisa de Emprego no Comércio Varejista do Estado de São Paulo (PESP Varejo), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), elaborada com base nos dados do Ministério do Trabalho, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do impacto do seu resultado no estoque estabelecido de trabalhadores no Estado de São Paulo, obtido com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Das nove atividades pesquisadas, cinco sofreram retração no estoque de trabalhadores ativos em relação a julho de 2017, com destaque para lojas de móveis e decoração (-3,1%); e lojas de vestuário, tecidos e calçados (-3%). Em contrapartida, os segmentos de concessionárias de veículos (2,5%); e de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (2,2%) tiveram as maiores altas na mesma base comparativa.

Desempenho estadual
O comércio varejista no Estado de São Paulo eliminou 175 empregos com carteira assinada em julho, resultado de 67.233 admissões contra 67.408 desligamentos. Com esse desempenho, o setor encerrou o mês com 2.055.305 vínculos empregatícios ativos, leve queda de 0,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de 12 meses, o saldo voltou a ficar negativo após nove meses, com 3.126 vagas.

Em julho, cinco das nove atividades analisadas registraram mais desligamentos do que admissões, com destaque para as lojas de vestuário, tecidos e calçados (-1.107 vagas); e para o grupo de outras atividades (-462 empregos). Por outro lado, os segmentos de supermercados (1.341 vagas) e de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (223 postos de trabalho) abriram o maior número de vagas com carteira assinada no mês.

No comparativo anual, cinco atividades sofreram redução do estoque de empregos celetistas, com destaque para lojas de vestuário, tecidos e calçados (-2,5%) e para as lojas de móveis e decoração (-1,4%). Em contrapartida, os segmentos de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (2,1%) e de farmácias e perfumarias (1,9%) obtiveram as maiores altas na mesma base comparativa.

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, o resultado negativo do mês de julho mostra a reversão da tendência de recuperação do mercado de trabalho no comércio varejista. É evidente que esse desempenho recente é resultado dos impactos negativos provenientes da greve dos caminhoneiros, além de toda a frustração do ritmo menos acelerado da economia brasileira, no qual o desemprego continua elevado, e o consumo das famílias, represado.

Ainda de acordo com a Entidade, essa reunião de cenários, aliada ao próximo pleito eleitoral, causa aumento da incerteza e, naturalmente, da confiança dos empresários. Ainda que o segundo semestre seja melhor nas vendas, o cenário indefinido da economia brasileira para os próximos meses deve impedir uma aceleração da geração de vagas no varejo paulista.

Região do ABCD
Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul.

Nota metodológica
A Pesquisa de Emprego no Comércio Varejista do Estado de São Paulo (PESP Varejo) analisa o nível de emprego do comércio varejista. O campo de atuação está estratificado em 16 regiões do Estado de São Paulo e nove atividades do varejo: autopeças e acessórios; concessionárias de veículos; farmácias e perfumarias; lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos; materiais de construção; lojas de móveis e decoração; lojas de vestuário, tecidos e calçados; supermercados; e outras atividades. As informações são extraídas dos registros do Ministério do Trabalho, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do impacto do seu resultado no estoque estabelecido de trabalhadores no Estado de São Paulo, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).