Negócios

18/07/2017

Concorrente on-line exige estratégia do varejo de livros

“Não tem mais como voltar, esses são movimentos disruptivos que acontecem em todas as indústrias: na hoteleira com a locação de imóveis pelo Airbnb, por exemplo”, explica Pedro Guasti, presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP

Concorrente on-line exige estratégia do varejo de livros

A operação das livrarias on-line – seja para envio de livros físicos, seja para vendas de obras digitais – gera desafios para as lojas físicas do setor. Com o passar do tempo, ela se aprimora, ultrapassa fronteiras e demanda versatilidade de quem compete com quem não tem gastos com lojas, aluguel, vitrines e pode se concentrar em formas de baratear o custo do produto para o consumidor final.

O e-commerce no Brasil tem aproximadamente 20 anos e começou justamente com a venda de livros, CDs e DVDs. “É um canal que veio crescendo aos poucos: saiu de R$ 500 milhões em 2001 para R$ 50 bilhões em 2017. Isso significa cem vezes o valor em 17 anos e, dentro desse cenário de aumento da participação, várias mudanças de cultura, comportamento e tecnológicas aconteceram”, explica Pedro Guasti, presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP e CEO da Ebit.

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“Não tem mais como voltar, esses são movimentos disruptivos que acontecem em todas as indústrias: na hoteleira com a locação de imóveis pelo Airbnb, por exemplo, e em todas as áreas grandes mudanças estão acontecendo rapidamente”, justifica Guasti.

A Amazon, grande rede digital de venda de livros e outros itens, estreou sua operação no Brasil em fevereiro de 2014, inicialmente apenas com vendas do aparelho Kindle e livros digitais. Juntamente com a crise econômica e política que assola o País nos últimos anos, a operação das lojas digitais é apontada como obstáculo para a venda de livros de pequenas, médias e até de grandes livrarias.

“Quando há uma redução de receita, a única maneira de sobreviver é reduzir custos”, explica Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).  “O varejo já tem uma base instalada e é importante observar que, até para diminuir o tamanho da loja, por exemplo, é preciso gastar mais dinheiro, fazer obras. A mobilidade do varejo é mais complicada”.

Pereira relata que a capacidade de investimento da Amazon é uma das características que dificultam a competição por parte das empresas brasileiras. “Quando a Amazon chega ao Brasil, ela já vem com outros recursos, é uma empresa que tem um valor de mercado extraordinário, que resulta em capacidade de investimento e, portanto, tem outro preparo para enfrentar situações de crise”.

Ele também conta que alguns sites, inclusive de livrarias brasileiras, criam promoções que podem até gerar prejuízo para aquela venda específica, mas ajudam a criar uma experiência de consumo e fidelizar o cliente. “A indústria do livro passa por um momento em que todo mundo sofre junto e perde margem de lucro. A relação entre os stakeholders fica mais estressada”, diz. “Está todo mundo querendo brigar por lucro e passa-se pouco tempo pensando em como fazer crescer o bolo, encontrar mais leitores, esse é um processo de longo prazo”.

“É nítido que o e-commerce tem praticado preços menores que os do mercado offline”, concorda Guasti. Ele reitera a ideia de que custos associados ao e-commerce tendem a ser menores: “O preço do metro quadrado dentro de um shopping center é mais caro que um centro de distribuição na periferia, por exemplo”.

Guasti também alerta que, apesar dos preços menores oferecidos pelas lojas digitais, os grandes descontos não são compatíveis com épocas de crise. “O e-commerce abusou dos descontos e fretes grátis no Brasil para trazer o consumidor que não tinha o hábito de comprar on-line. Esses tempos de desconto não atrelado ao resultado financeiro estão com os dias contados e, hoje, isso não acontece mais como acontecia anteriormente, é algo sazonal.”