Economia

22/07/2015

Confiança das mulheres nunca esteve tão baixa, aponta FecomercioSP

São Paulo, 23 de julho de 2015 - Em decorrência principalmente da alta dos preços, a confiança das mulheres paulistanas nunca esteve tão baixa.  O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) - pesquisa realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) - delas registrou em julho 78,5 pontos, contra 89,0 em junho (queda de 11,8%),  o menor valor da série iniciada em maio de 1999. Na comparação anual, a queda foi ainda maior, de 26,2%. Entre todos os grupos analisados, os consumidores com idade superior a 35 anos mostraram-se os mais pessimistas em relação à economia. Neste mês, o índice desse grupo ficou em 76,8 pontos contra 83,6 em junho, uma variação negativa de 8,1%. Se comparado ao ano passado, o recuo foi de 25,0%.

Já o resultado geral do ICC de julho registrou nova queda na comparação mensal ao passar de 90,6 pontos em junho para 84,5 em julho, o menor valor desde junho de 2002. Na comparação com o mesmo mês de 2014, a queda foi de 22,8%.

De acordo com a assessoria econômica da Entidade, a aceleração da queda de confiança deixa evidente que a crise econômica continua se agravando - por causa, principalmente, da combinação entre inflação elevada e aumento do desemprego - e segue longe do fim.

O ICC é composto pelo Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e pelo Índice das Expectativas do Consumidor (IEC), que também apresentaram queda tanto na comparação mensal quanto na anual.  O ICEA atingiu 61,3 pontos, o menor valor desde junho de 1999, quando a economia brasileira sofria os impactos da forte desvalorização do real ocorrida no início daquele ano. Na comparação anual, registrou queda de 43,9%, a maior já apontada em toda a história.

O IEC voltou a cair em julho após ter registrado uma leve alta entre maio e junho deste ano, e atingiu 100 pontos, no limite entre pessimismo e otimismo.

No resultado medido pelo IEC, destaca-se a assimetria entre os sexos: enquanto os homens se mostraram mais otimistas quanto ao futuro, as mulheres se afundaram no pessimismo. Houve alta de 5% do IEC dos homens, ao passar de 101,5 em junho para 106,6 pontos em julho; e queda de 7,9% no caso das mulheres, ao passar de 101,6 em junho para 93,5 pontos em julho.

ICC por renda

O Índice de Confiança do Consumidor com renda familiar abaixo de 10 salários mínimos (S.M.) caiu 8,0% na comparação mensal e atingiu 81,5 pontos, o menor valor desde agosto de 2002. É o terceiro mês consecutivo que esses consumidores se mostram mais pessimistas do que os consumidores com renda superior a 10 S.M.

Para os consumidores com renda superior a 10 S.M., após ter subido entre maio e junho, o indicador voltou a cair e atingiu 91,0 pontos, o menor valor desde março de 1999 e o segundo menor da série histórica.

Metodologia

O ICC é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados junto a cerca de 2.100 consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura.

Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para a formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.

A metodologia do ICC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início da década de 90, a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no País, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central.