Economia

24/05/2015

Confiança do consumidor atinge a zona de pessimismo em maio, aponta FecomercioSP

Com queda de 16,2% sobre o mesmo período de 2014, indicador ficou abaixo de cem pontos, menor resultado desde agosto de 2002

São Paulo, 25 de maio de 2015 - Com a elevação do custo de vida, em razão, principalmente, dos aumentos das contas de luz, transporte e combustível, a confiança dos consumidores paulistanos está cada vez mais baixa, segundo os resultados do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), pesquisa feita mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) .

Este mês, o ICC registrou 91,8 pontos, o menor valor desde agosto de 2002. O aumento do desemprego, os ganhos de renda mais modestos e o encarecimento do crédito também contribuíram para o recuo de 16,2% na comparação anual (em maio de 2014, o indicador marcou 109,5 pontos). Se comparado ao mês anterior - quando alcançou 101,6 pontos -, a queda foi de 9,6%.

Tal resultado, de acordo com a assessoria econômica da Entidade, configura um quadro de pessimismo, uma vez que o indicador ficou abaixo dos 100 pontos. Essa queda na confiança provoca a redução do consumo em geral e, em consequência, o mau desempenho do comércio varejista na capital e na região metropolitana.

O ICC é composto pelo Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA); e pelo Índice das Expectativas do Consumidor (IEC).  Ambos apresentaram queda tanto em relação a maio de 2014 como em relação a  abril deste ano.

O ICEA registrou queda de 27,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando apresentou 111,8 pontos. Sobre o mês de abril, a variação negativa foi de 14,5%.

Também em queda, o IEC registrou variação negativa de 8,6% na comparação anual, ao sair de 107,9 para 98,7 pontos; e recuo de 6,7% no comparativo mensal.

ICC por renda

O Índice de Confiança do Consumidor com renda familiar abaixo de dez salários mínimos (S.M.) atingiu 91 pontos em maio (queda de 17,7% sobre o mesmo mês do ano passado). Na comparação com abril deste ano, a retração foi de 13,9%).

Para os consumidores com renda superior a 10 S.M., o indicador marcou 93,4 pontos (recuo anual de 12,9%). Já com relação a abril, apresentou leve alta de 0,5%. A assessoria da Federação ressalta que, pela primeira vez desde o resultado das últimas eleições presidenciais, no fim de outubro de 2014, o Índice de Confiança do Consumidor de menor renda ficou abaixo do ICC com renda superior a 10 S.M.

Complementa, ainda, que o aumento do desemprego parece ser o principal responsável pela forte queda na confiança dos consumidores de menor renda em maio, enquanto a leve melhora no cenário político e no humor do mercado financeiro pode explicar a estabilidade da confiança dos consumidores com renda mais alta.

Faixa etária

Se o índice que mede a confiança dos consumidores com mais de 35 anos já se estava abaixo de cem pontos desde abril deste ano, em maio foi a vez da confiança dos jovens ingressarem na zona de pessimismo, em razão da queda de 9,6% do indicador na comparação mensal (de 104,5 para 94,5 pontos). Com relação aos consumidores mais velhos, o indicador também registrou novo recuo, passando de 96,8 para 87,4 pontos (queda de 9,7%).

Metodologia

O ICC é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados junto a cerca de 2.100 consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura.

Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.

A metodologia do ICC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início da década de 1990, a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no País, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central.