Economia

14/04/2015

Confiança do consumidor atinge o menor patamar desde novembro de 2002, aponta FecomercioSP

São Paulo, 15 de abril de 2015 - A confiança do consumidor paulistano despencou 15,5% em relação a abril do ano passado e aproxima-se cada vez mais dos 100 pontos, linha divisória entre o otimismo e o pessimismo. O índice ficou em 101,6 pontos neste mês, o que representa uma queda de 5% na comparação com o mês passado. Trata-se do menor patamar desde novembro de 2002 - última vez em que indicador ficou abaixo de 100 -, quando a economia brasileira, assim como hoje, também passava por um período de incertezas. Ainda que tenham levado um menor número de pessoas às ruas nas manifestações do último dia 12 de abril, portanto, a satisfação e a confiança dos consumidores seguiram em queda entre março e abril. 

Os dados são do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) produzido mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). 

Em abril, o ICC dos consumidores com renda familiar superior a 10 salários mínimos ficou em 92,9, retração de 21,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado e de 10,6% na comparação com março. O expressivo recuo do ICC dos consumidores com renda familiar superior a 10 salários mínimos foi motivado principalmente por uma piora na avaliação das condições econômicas atuais, que caiu 35,4% na comparação com abril do ano passado e 23,1% na comparação com março. 

É a primeira vez que o ICC dos consumidores com renda familiar superior a 10 salários mínimos fica abaixo de 100 pontos desde maio de 1999. E é apenas a quarta vez na série histórica - iniciada em junho de 1994 - que o consumidor de renda mais elevada mostra-se pessimista. 

Nas outras três vezes, entre março e maio de 1999, a economia brasileira sofria os impactos da desvalorização cambial promovida no início do segundo mandato de FHC. Na avaliação da assessoria econômica da FecomercioSP, a desvalorização do real, ao lado da aceleração da inflação, da estagnação da economia e da instabilidade política, também figura entre as razões que podem explicar a queda da confiança nos últimos meses. 

O ICC dos consumidores com renda familiar até 10 salários mínimos, por sua vez, apresentou um recuo mais modesto. O índice atingiu 105,7 pontos em abril, queda de 2,4% na comparação com março e de 12,8% em relação a abril do ano passado. Com isso, o consumidor de menor renda segue mais otimista tanto em relação às condições atuais como às futuras. 

Indicadores de emprego 

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, a diferença entre o ICC dos consumidores de menor renda e dos consumidores com renda mais elevada - de 13,8% - a maior desde junho de 1994, quanto tem início a série histórica. O cenário político parece ter afetado mais a confiança dos consumidores de alta renda e os consumidores de menor renda, influenciados por uma significativa melhora da qualidade de vida nos últimos anos e por uma situação ainda relativamente favorável no mercado de trabalho, seguem mais otimistas. 

Para a assessoria econômica, a partir de agora o mercado de trabalho deve ditar o ritmo de evolução do ICC. Uma piora nos indicadores de emprego e renda deve inevitavelmente levar a confiança geral para a zona de pessimismo. 

Componentes

Neste mês, a retração do ICC foi acentuada principalmente em razão da queda do subíndice, que mede a percepção em relação às condições atuais: o Índice de Condições Econômicas Atuais (ICEA) atingiu 95,2 pontos, queda de 7,8% na comparação mensal e de 25,0% em relação ao mesmo período do ano passado. É a primeira vez, desde outubro de 2005, que o índice cai abaixo dos 100 pontos, o que indica pessimismo. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), por sua vez, ficou em 105,8 pontos, queda de 3,1% em relação a março e de 8,6% na comparação com abril do ano passado. 

Queda generalizada da confiança

A queda da confiança em abril foi novamente generalizada, tendo sido observada praticamente em todos os segmentos de renda, idade e gênero pesquisados. Consumidores com renda familiar superior a 10 salários mínimos, com idade superior a 35 anos e mulheres já se mostram pessimistas, com ICC abaixo de 100. 

Na análise dos subíndices, as mulheres são o único segmento de consumidores que já estão pessimistas não apenas em relação às suas condições atuais, mas também a respeito das expectativas para o futuro. A maior queda mensal do ICEA ocorreu entre os consumidores com renda superior a 10 salários mínimos. No IEC, a maior queda mensal ficou por conta das mulheres.

Metodologia

O ICC é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados de aproximadamente 2,1 mil consumidores do município de São Paulo. O objetivo da pesquisa é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta as condições econômicas atuais e as expectativas quanto à situação econômica futura. 

Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: o ICEA e o IEC. Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para a formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas. 

A metodologia do ICC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início da década de 1990, a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no País, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central.