Economia

30/09/2015

Confiança do consumidor cai 28,1% em um ano, aponta FecomercioSP

São Paulo, 1 de outubro de 2015 - Em setembro, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), pesquisa realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) registrou 85,5 pontos, queda de 28,1% se comparado com o mesmo mês do ano passado, quando chegou a 118,9 pontos. De acordo com a assessoria econômica, a leve alta de 1% sobre os 84,7 pontos registrados em agosto não significa, contudo, um cenário de melhora, mas uma possível estagnação do quadro pessimista que o indicador já vem registrando há alguns meses.
 
Para a Entidade, os consumidores paulistas se mantiveram pessimistas por causa da profunda deterioração do quadro socioeconômico. Na avaliação dos economistas, o ICC deve ser avaliado sob duas óticas: sua dimensão e sua trajetória.
 
No que se refere à magnitude, os 85,5 pontos representam que o consumidor permanece pessimista. Em relação à trajetória, nota-se que, após a forte deterioração da confiança observada nos últimos meses, o indicador aparentemente se estabilizou - na zona de pessimismo -, mas ainda não dá sinais de recuperação da confiança por parte do consumidor.
 
Gênero e Renda
Após oito meses com resultados negativos, os dois componentes do indicador mostraram ligeiro acréscimo em suas avaliações. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) registrou um leve avanço de 0,9% ao passar de 59,3 em agosto para 59,8 pontos em setembro, enquanto o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) cresceu 1,1%, passando de 101,6 em agosto para 102,7 pontos em setembro.
 
A confiança dos homens em relação ao momento atual diminuiu 1,3% e passou de 64,3 em agosto para 63,5 pontos em setembro. Já entre o público feminino, o ICEA apresentou alta de 3,4% ao passar de 54,3 em agosto para 56,1 pontos em setembro.
 
Na classificação por renda, os consumidores com rendimentos acima de 10 salários mínimos  seguem mais confiantes em relação às condições econômicas atuais do que aqueles com menor renda. O indicador do grupo registrou alta de 2%, subindo de 65,9 em agosto para 67,2 pontos em setembro.
 
No IEC, o destaque ficou por conta do público masculino, onde apurou alta de 3,2% ao passar de 103,6 em agosto para 107 pontos em setembro; já as mulheres se mostraram mais pessimistas em relação ao futuro: queda de 1,1%, ao passar de 99,5 em agosto para 98,3 pontos em setembro. Destaca-se também o avanço observado entre os consumidores com rendimentos  abaixo de 10 SM: alta de 1,8% ao passar de 96,9 em agosto para 98,7 pontos em setembro.
 
Para a FecomercioSP, a queda anual do indicador está claramente espelhada na instabilidade do atual momento econômico do País, onde as más notícias econômicas têm se alternado com algumas ações do governo na tentativa de aumentar a carga tributária.
 
A Entidade ressalta que a crise já apresenta reflexos concretos nos indicadores ligados diretamente à vida das famílias, como poder de compra e emprego, elevando o nível de insegurança e mantendo os consumidores pessimistas.
 
Metodologia
O ICC é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados junto a cerca de 2.100 consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura.
 
Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.
 
A metodologia do ICC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início da década de 1990, a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no País, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central.