Economia

22/10/2015

Confiança do consumidor em relação ao momento atual despenca 47,7% em outubro, aponta FecomercioSP

São Paulo, 23 de outubro de 2015 - A confiança do consumidor paulistano registrou, em outubro, 88,8 pontos, queda de 23,4% se comparado com o mesmo mês do ano passado, quando chegou a 115,8 pontos, segundo dados do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), apurado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
 
No comparativo mensal, o ICC avançou 3,8% sobre os 85,5 pontos registrados em setembro, o que, de acordo com a assessoria econômica da Entidade, pode indicar uma possível estagnação na zona do pessimismo e não uma tendência de melhora da confiança.
 
Para a Federação, o consumidor paulistano está cada vez mais apreensivo devido às turbulências socioeconômicas atuais, e a retração anual do índice está diretamente relacionada à deterioração do quadro macroeconômico, em que o aumento do desemprego, em conjunto com o crédito mais caro e restrito, juros e inflação mais elevados afetam de maneira negativa a confiança e mantêm o consumidor pessimista, especialmente em relação às suas condições financeiras atuais.
 
Tanto que o Índice de Condições Econômicas Atuais (ICEA), um dos componentes do indicador, registrou queda recorde de 47,7% em relação a outubro de 2015, ao passar de 107,1 pontos para 56,1. No comparativo a setembro, também houve retração, de 6,3%.
 
Já o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) cresceu 7,7%, passando de 102,7 em setembro para 110,6 pontos em outubro, enquanto na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o subíndice marcava 121,6 pontos, apresentou queda de 9,1%. A aparente recuperação mensal do IEC pode ser lida como uma resposta às condições atuais ainda bastante negativas: pessimistas em relação ao presente, os consumidores tendem a projetar um futuro um pouco melhor.
 
Gênero e Renda
Chama a atenção a confiança dos consumidores acima de 35 anos em relação ao momento atual, com a queda expressiva do ICEA de 13,3% ao atingir 48,8 pontos em outubro, contra os 56,3 de setembro. Esse subíndice dos homens diminuiu 3,7% e passou de 63,5 pontos em setembro para 61,2 em outubro. Entre o público feminino, o ICEA também apresentou retração - de 9,2% - ao passar de 56,1 pontos em setembro para 50,9 neste mês.
 
Na classificação por renda, os consumidores com rendimentos acima de 10 salários mínimos, apesar da maior queda do ICEA neste mês, ainda  estão mais confiantes em relação às condições econômicas atuais do que aqueles com menor renda. O indicador registrou retração de 9,8%, caindo de 67,2 pontos em setembro para 60,6. A confiança dos consumidores de menor renda também segue em baixa (-4,3%) e atingiu 53,9 pontos em outubro, ante os 56,4 vistos em setembro.
 
Em relação às expectativas, o destaque ficou por conta das mulheres, com alta de 11,5% do IEC, que passou de 98,3 pontos em setembro para 109,7 em outubro. Destaca-se também a alta observada entre os consumidores com rendimentos  abaixo de 10 SM (9,6%), ao atingir 108,2 pontos em outubro, ante os 98,7 em setembro.
 
A FecomercioSP alerta que a baixa confiança do consumidor continuará se traduzindo em um comportamento mais conservador nos próximos meses, o que deverá impactar diretamente as vendas do varejo. Para o Natal, a data mais importante e de maior faturamento para o comércio varejista no ano, a tendência é que o consumidor ainda fuja de novos endividamentos e, consequentemente,  evite a compra de itens de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, concentrando os gastos em itens mais acessíveis.
 
Metodologia
O ICC é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados junto a cerca de 2.100 consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura.
 
Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.
 
A metodologia do ICC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início da década de 1990, a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no País, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central.