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Editorial

03/06/2014

EconoMix Digital nº 101

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EconoMix Digital nº 101

 CONSUMO
Junho “gordo”


 

Dia dos Namorados, Copa e inverno sinalizam cenário positivo para o varejo
Comerciante deve valorizar a ocasião, ser criativo e oferecer algo especial aos consumidores


Considerada uma das três principais datas para o comércio varejista, ao lado do Natal e do Dia das Mães, o Dia dos Namorados veio com um apelo de consumo extra neste 12 de junho. É também a data do jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014 e a estreia do Brasil na competição, na Arena Corinthians, em Itaquera. O evento esportivo que movimenta o mundo todo deve atrair mais de 600 mil estrangeiros ao Brasil, segundo estimativas do governo, beneficiando o comércio nas cidades-sede com a presença dos turistas estrangeiros e também dos nacionais. 

Outro fator que gera expectativa positiva em junho, de aumento de vendas, é a entrada do inverno. A chegada do frio estimula a compra de novas peças que, habitualmente, têm valores mais elevados do que as da coleção de verão. A fim de identificar as intenções de compra e aferir a evolução das vendas nesta data comemorativa, a FecomercioSP realiza todos os anos o estudo “Sondagens para o Dia dos Namorados”. O levantamento é feito antes e depois da data, junto aos consumidores e aos comerciantes. 

Em 2013, a pesquisa realizada com os consumidores, antes da data, apontou que 69,7% dos entrevistados tinham intenção de presentear o (a) namorado (a). O valor do ticket médio apresentado foi de R$ 64,00, valor igual ao do ano anterior. Entre os presentes preferidos estavam roupas, acessórios ou calçados com 38,3%, seguidos de perfumes ou cosméticos com 11,7%. No desdobramento da pesquisa, junto aos comerciantes, após a data, verificou-se uma retração de 2,0% nas vendas em relação a 2012. A expectativa é de que em 2014 também ocorra uma retração da ordem de 2% a 3%. 

Quanto à forma de pagamento, em 2013, prevaleceu o uso do cartão de crédito com 67% das vendas, seguido do pagamento à vista com 30%. Para junho de 2014, em relação ao cenário econômico, destacamos os principais indicadores que podem impactar o consumidor nas compras do Dia dos Namorados:


- ENDIVIDAMENTO
No mês de maio os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela FecomercioSP, apontaram que 51,2% das famílias estão endividadas e que 14,5% estão inadimplentes. Apresentado queda em comparação com o mesmo período do ano passado, demonstra que há espaço no orçamento do consumidor para contrair novas dívidas.


- CONFIANÇA
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FecomercioSP ficou em 109,5 pontos no mês de maio, (a escala varia de 0 = pessimismo total a 200 = otimismo total). O resultado de maio foi bem abaixo do apresentado no mesmo período do ano passado. A confiança do consumidor está sendo impactada, principalmente, pela pressão inflacionária sobre os preços e o encarecimento do crédito às pessoas físicas, dentre outros fatores políticos.


- INFLAÇÃO
O último resultado divulgado pelo IBGE do mês de abril apontou que a inflação oficial ficou em 6,28%, bem próxima do teto da meta (6,5%), impactada pelos alimentos, que apresentaram crescimento de 1,19% em relação ao mês anterior. Para o mês de maio a perspectiva é de que a alta dos preços apresente desaceleração, como demonstra o IPCA-15 de maio que teve variação de 0,58%, 0,20 p.p. abaixo da taxa de abril, 0,78%. O IPCA-15 tem por objetivo estimar o resultado de inflação para os primeiros 15 dias do mês e o seu resultado é uma prévia da inflação para o mês.


- EMPREGO E RENDA
Os dados divulgados pelo IBGE apontaram que a Taxa de Desocupação na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) em abril de 2014 foi de 5,2%, apresentando queda em comparação ao mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,7%. Em relação à renda das famílias, o rendimento médio real recebido no mês de abril apresentou um crescimento de 1,26% em comparação com o mesmo período do ano passado. 


Embora o consumidor apresente um menor nível de confiança, a renda continua crescendo e o nível de emprego está estável. Além disso, o menor endividamento do consumidor permite a contratação de novas dívidas para presentear no Dia dos Namorados. No entanto, a expectativa para o crescimento das vendas não é tão positiva, e a data deve apresentar resultado parecido ao de 2013. Para o comerciante, será importante refletir sobre as estratégias para atrair o cliente e ajudá-lo a decidir comprar.

Para que a loja obtenha sucesso, restará somar a essa estratégia uma diversidade de produtos adequados ao perfil de seus clientes, descontos promocionais e condições de pagamento facilitado que possibilitem ao aumento do valor do ticket. Restará, por fim, criar o diferencial na decoração da loja, seja com cores fortes, que tendem ao vermelho ou ainda com a oferta de um brinde especial, para celebrar o romantismo que a data inspira. É o momento do comerciante valorizar a ocasião, ser criativo e oferecer algo especial aos casais que gostam de se presentar.

 

CALENDÁRIO
Segundo semestre

Empresário do comércio deve estar atento às principais datas comemorativas
Cada mês tem sua peculiaridade e demanda diferentes estratégias 


No planejamento do segundo semestre, o empresário do comércio varejista deve identificar quais são os pontos que merecem mais cuidados e atenção para que as datas comemorativas do período possam ser aproveitadas ao máximo. Com base nessa avaliação, o empresário deverá estabelecer novas metas e estratégias para esta época.  

No segundo semestre haverá 11 datas que serão feriados ou pontos facultativos e que devem ser contempladas nos planos de vendas. Como cada mês tem suas características básicas, destacamos tais pontos e acontecimentos tradicionais, além de datas comemorativas consideradas sempre como boas oportunidades de vendas para o comércio. Veja, abaixo, quais são os destaques de cada mês:


-- JULHO
Em 2014, o mês de julho será um mês atípico, pois teremos na primeira quinzena os jogos da Copa do Mundo, com a final sendo realizada em 13/07/14. Para o comércio em geral, os jogos da Copa não devem incrementar as vendas, pois o consumidor estará mais preocupado em acompanhar as partidas e não em consumir. Mas para o setor de Bares e Restaurantes, os jogos são uma oportunidade de melhorar o faturamento, oferecendo ao consumidor a possibilidade de assistir os jogos. Essa oferta pode ser um diferencial positivo, principalmente nas grandes cidades, nas quais o deslocamento do trabalho para casa antes dos jogos deverá ser intenso. Além disso, o mês de julho é época das férias e o comércio na cidade deve ficar mais preocupado com o fluxo dos turistas para fora da capital paulista. 


-- AGOSTO
O Dia dos Pais também movimenta o varejo no segundo semestre, mas a data não tem um apelo comercial tão grande quanto o Dia das Mães. 


-- SETEMBRO
Com o início da primavera, as vitrines das lojas ficam mais coloridas, com as cores e tendências da estação. As lojas de vestuário costumam se destacar nessa época e os vendedores devem estar bem treinados para oferecer um bom atendimento e orientar os consumidores sobre as novas tendências de moda. 


-- OUTUBRO
Outubro é o mês das crianças e o forte é a venda de brinquedos. Lojas de vestuário infantil e lojas de departamentos também devem apresentar aquecimento. Com a evolução tecnológica, as crianças estão cada vez mais se interessando por eletrônicos e as lojas do setor devem aproveitar e destacar os seus diversos produtos. Começa nesta época a seleção para a contratação de temporários para o Natal. Também em outubro, as lojas começam a rever planos para as vendas de final de ano e ajustar suas expectativas. 


-- NOVEMBRO 
É quando realmente começam os preparativos para as vendas de Natal. O comerciante deve ficar atento para a verificação de seu estoque, para planejar as compras, decoração de vitrines e para o planejamento e divulgações de promoções. Vale lembrar que o consumidor, que recebe neste mês a primeira parcela do 13º salário, poderá antecipar as compras. 


-- DEZEMBRO 
É o mês mais esperado pelo comércio por ser a melhor data de vendas. Dezembro apresenta um crescimento sazonal de 30% nas vendas em relação ao mês de novembro. E a expectativa dos comerciantes é alta porque os consumidores tendem a gastar mais, escolhendo presentes de maior valor, elevando o tíquete médio. O comerciante deve preparar sua equipe para o aumento no fluxo de clientes na loja porque o bom atendimento ao consumidor, que geralmente está com pressa, é um dos diferenciais positivos. Nesta época, o horário do comércio costuma ser estendido e a equipe passa a trabalhar em horários especiais. Para que não ocorra queda na qualidade do atendimento, a equipe deve ser estimulada por meio de pagamento de bônus e incentivos.



 

INFRAESTRUTURA
Avanço tímido

Investimentos limitados e gestões estacionadas travam crescimento brasileiro
Cooperação com capital privado poderia dar novo ritmo à economia  


Apesar dos avanços, os investimentos do governo brasileiro no setor de infraestrutura vêm ocorrendo em velocidade e magnitude muito inferiores ao que seria desejável, ou melhor, necessário. Esse ritmo lento tem comprometido a produtividade e ampliado o hiato entre a oferta e a demanda por serviços essenciais ao crescimento sustentado.  

Portanto, não parece exagero imaginar que a limitação nos investimentos e na capacidade de gestão do setor público continue gerando incertezas e insegurança no meio empresarial. Além da excessiva burocracia, a indefinição da política econômica em questões como a execução orçamentária e os marcos regulatórios setoriais, sem falar na intervenção sobre mecanismos de preços e no tratamento dispensado ao capital privado, colaboram na composição de um quadro negativo.  

Enfim, num ambiente pouco adequado aos negócios, não há surpresa quanto à nocividade desses fatores sobre o comportamento do empreendedor privado, nacional e estrangeiro. Naturalmente, os empreendedores acabam optando por adiar projetos e decisões de investimentos em infraestrutura, até que um cenário favorável se descortine.  

Diante de suas limitações para implementar projetos e investimentos em áreas estratégicas, o governo federal deveria adotar uma postura mais flexível e liberal. E,  sem perder de vista sua função reguladora, assumir efetivamente o papel de agente indutor da atividade econômica, na implementação de projetos e investimentos em áreas estratégicas.  

A propósito, vale lembrar a existência de ampla legislação que já prevê a cooperação com o capital privado, as chamadas parcerias público-privadas. Na prática, a modalidade ainda é pouco explorada, sobretudo em razão de resistências corporativistas em segmentos do próprio setor público e de desencontros entre as esferas de governo.  

Por isso, é imperiosa a conscientização governamental para a materialização dessas parcerias, em nome dos investimentos em projetos que não consegue realizar, devendo agir com sensatez e ousadia, abrindo mão de certos princípios e preconceitos, oferecendo um aparato regulatório transparente, confiável e estável, interessante ao investidor privado.  

Nessa linha poderiam ser geradas as condições para viabilizar e consumar parcerias em grandes projetos de infraestrutura, com a participação do setor privado, com seu capital, eficiência e visão de negócio, alimentando toda cadeia produtiva. Um círculo virtuoso estimulando novos projetos em diferentes segmentos do setor produtivo, hoje submetidos ao “custo Brasil”, que compromete a eficiência e a produtividade. 



TERMÔMETRO